4 de dezembro de 2021

Brasil desaba no ranking de inovação

Estudo da Roland Berger Strategy Consultants concluiu que o Brasil perdeu várias posições no ranking global de inovação e precisa ampliar bastante os investimentos nesse segmento

Estudo da Roland Berger Strategy Consultants concluiu que o Brasil perdeu várias posições no ranking global de inovação e precisa ampliar bastante os investimentos nesse segmento. O trabalho, intitulado “A década do Brasil”, analisou o desempenho da economia do país e quais são os pontos de melhoria para alavancar o crescimento.
O trabalho é resultado de seis meses de pesquisa feita pelo coordenador do estudo e sócio da empresa de consultoria Hauke Moje em parceria com o também sócio da Roland Berger no Brasil, Rodrigo Dantas.
De acordo com o Global Innovation Index 2010, o país caiu da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial de inovação de 2010. Entre os países da América Latina, foi apenas o 7º colocado, comparado à 3ª colocação no último ano. Os investimentos em inovação no país representam 0,82% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o Japão tem 3,40% do PIB e a China, 1,42%.

Crescimento sustentável

Para Dantas, o Brasil tem um conjunto de fatores que promovem seu crescimento econômico sustentável. Dentro da política brasileira, o estudo cita com destaque a estabilidade das políticas internas e externas. No mercado de capitais, eles apontam a regulação bancária conservadora que preveniu o colapso do sistema financeiro. Além disso, a pesquisa destaca também um grande mercado doméstico (setor público, empresas e população). E também, o fator da infraestrutura, com o forte investimento para a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
“Apesar de o FMI prever que, entre os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) o Brasil crescerá a taxas anteriores a crise, os investimentos em inovações não são suficientes para sustentar o desenvolvimento”, frisou Dantas. Na visão dele, muitas empresas retomaram seus investimentos e operam com mais tranquilidade, e conseguem analisar mercados, clientes e concorrentes. “Este é o momento para movimentos estratégicos e inteligentes”, enfatizou.
Os coordenadores do estudo, juntamente com representantes da escola internacional de negócios Insead entrevistaram presidentes de grandes empresas estrangeiras (como Unilever, 3M, Nokia, Toyota, Bosch) entre outros executivos sobre os fatores mais problemáticos para se fazer negócios no país. Para 19% dos executivos, a regulação de impostos é um entrave para a realização de negócios, seguido pela taxas de impostos (18,5%), regulação de mão de obra restritiva (14%), entre outros fatores.
Segundo o trabalho da Roland, existem formas de solucionar essas “fraquezas” como gerar mais produtos de alto valor agregado, aumentar as reservas e, assim, a conta corrente. “Porém, em 2009, pela primeira vez desde 1978, a exportação de produtos básicos foi superior a produtos manufaturados. As reservas representam apenas 14,6% do PIB em 2009, o menor patamar desde 2001. A conta corrente externa está negativa. E os investimentos e inovação são insuficientes”, lamentou.

Déficit de competitividade e baixo valor agregado

Os baixos investimentos do Brasil em pesquisa e desenvolvimento estão relacionados à reduzida participação de produtos de alto valor agregado na pauta de exportações do país. “Baixo share de produtos de alto valor agregado significa que as receitas de exportação são muito sensíveis aos preços de commodities. Por isso, o Brasil deve investir em inovação para desenvolver uma posição sustentável e se tornar uma das principais economias do mundo”, salientou Dantas.
O vice-presidente da Aanpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), Guilherme Marco de Lima, afirma que inovação proporciona competitividade para as empresas ao gerar mais valor agregado ao produto e possibilitar o aumento das exportações. “Recentemente, entregamos um documento ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Rezende, com exigências das próprias empresas para que se amplie a inovação no país”, informou.

Esforços conjuntos

Na opinião dos coordenadores do estudo para estimular as inovações, é necessário que haja esforços conjuntos entre os setores público e privado. “Fica sob responsabilidade do go­verno o estímulo à criação de polos tecnológicos e redes de cooperação entre empresas e universidades, além da promoção de classes e cidades criativas. A função das empresas é incentivar a superação das barreiras à inovação por parte de seus CEOs e demais colaboradores”, disse.
O vice-presidente da Anpei disse que há uma série de soluções para ampliar a capacidade de inovação no país, mas que, para tanto, é necessário uma união entre setor privado e público e realocação de recursos destinados a esta área.

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