11 de abril de 2021

Brasil, de epidemia ao cenário político

Nesta semana a pandemia passou de 2.000 mortes diárias, o maior número desde 2020!

Coincidentemente, foi uma semana impactada pela decisão do ministro Edson Fachin, do STF, que devolveu à arena política das próximas eleições nacionais, o ex presidente Lula.

Ou seja, neste momento de acirramento dos contágios, internações e falecimentos por conta do Coronavírus, o cenário político nacional se altera drasticamente. E a polarização entre  “bolsonaristas” e “lulo-petistas” se exarceba, feito uma disputa de final de campeonato pré-anunciada, como se não pudesse haver alternativas para quem não pertença à uma das duas torcidas “organizadas”.

No entanto, não se trata de disputa futebolística. E a pandemia em nosso país não é um pesadelo do qual iremos simplesmente acordar e respirar aliviados. São fatos da nossa realidade cotidiana.

A Covid está aqui, transtornando nossas vidas e muitas vezes nos colocando no centro de embates “virulentos” sobre negacionismos, lockdowns e “saúde x economia”, passando por  acusações recíprocas entre “direita” e “esquerda” sobre as mazelas do Brasil. 

Penso que seja muito importante analisar conscienciosamente o que está acontecendo no país e no mundo. A maioria de nós assiste impávida, às vezes assustada e se sentindo impotente, a guerra ideológica que privilegia as tentativas de desqualificar o oponente em detrimento de realmente discutir ideias dentro de uma razoável contextualização. Num debate sério, as análises de contexto são fundamentais para se gerar se não consenso, pelo menos alguns pontos de convergência que transcendam o ódio irracional.

Desde o início da pandemia temos buscado informações sistêmicas sobre como outros países – e o nosso também- lidaram e ainda lidam com o enfrentamento da pandemia de coronavírus. Nesse sentido observa-se com clareza decisões acertadas no enfrentamento da pandemia, que partiram de governos com matizes ideológicos e também em países de níveis de desenvolvimento econômico diferentes entre si. O relativo sucesso da Alemanha federalista contrasta com os fracassos de Itália, França e Espanha. O contraste entre os países nórdicos se destaca, face ao morticínio de mortos na Suécia, principalmente de idosos, diante do número muito menor de contágios e de falecimentos na Noruega e na Finlândia. Já o pequeno “comunista” Vietnã obteve feito notável na preservação da vida de seus habitantes, à exemplo das “capitalistas” Singapura, Coreia do Sul e Nova Zelândia…Sem falar nos casos excepcionais de Taiwan e do Japão.

Cheguei ingenuamente a sonhar que o Brasil pudesse ter feito algo parecido com o que a Coreia do Sul fez. Mas logo descobri que isto era inviável. Lá não foram necessários lockdowns intensivos e extensivos, mas houve uma estratégia super eficaz de testagem em massa, uso de aplicativos, medidas preventivas adequadas à cada ambiente e restrições respeitadas pela absoluta maioria da população. Algo parecido vem se buscando fazer no Japão, por conta do objetivo de não ter de adiar mais uma vez as tão almejadas Olimpíadas. 

No Brasil, a ausência de uma coordenação nacional eficaz  deixou que governadores e prefeitos assumissem a liderança da guerra epidemiológica, sem a integração necessária para uma verdadeira eficácia no enfrentamento do vírus. A decisão do STF, de garantir aos estados e municípios a adoção de medidas de contenção da epidemia não vedou a União de promover uma coordenação desse processo, algo que o ex ministro Mandetta até tentou fazer, sem sucesso. Por outro lado, algumas celeumas prejudicaram as tentativas de entendimento entre governo federal e estaduais, por conta de visões antagônicas, às vezes agressivas, sobre questões como recomendação ou não da cloroquina nos tratamentos dos pacientes, a importância de evitar aglomerações e do uso de máscaras em locais públicos, dentre outras. Algumas destas questões envolvem aspectos de análise científica complexa, como a dos medicamentos, outras certamente não, como os cuidados preventivos valiosos.

Felizmente, nas últimas semanas surgiu certo consenso sobre a importância de vacinação em massa da população brasileira, para barrar a epidemia e criar um clima de segurança social que auxilie na redinalização da economia, especialmente na área de serviços, a mais prejudicada pela crise decorrente da pandemia. E o presidente da República pareceu ceder aos apelos de seus auxiliares e apoiadores mais lúcidos, sobre a necessidade de dar bom exemplo, com o uso de máscaras e, espera-se, evitar aglomerações.

Voltando ao cenário político, o fato é que o grau de responsabilidade pessoal do ex presidente Lula sobre as comprovadas falcatruas apuradas na Operação Lava Jato deverá ser analisado de novo. Mas penso ser fundamental destacar que os grandes desvios que ocorreram não foram uma invencionice dos procuradores federais, e sim, fatos deploráveis que envolveram personagens famosos da cena política nacional, como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral Filho. Assim, não dá para jogar “debaixo do tapete” episódios tão graves de corrupção, como se nada tivesse acontecido.

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