25 de junho de 2022

Brasil corre atrás de fosfato para sustentar agronegócio

O Amazonas tem fosfato para suprir a demanda nacional por fertilizante durante pelo menos 200 anos consecutivos. Porém, restrições ambientais impedem que o Estado explore esses minérios, além de outros com grandes potencialidades econômicas. O assunto tem sido alvo de intensas discussões entre as expertises dos mais diversos setores das atividades econômicas.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia é vista como grande ameaça para a exportação do mineral, crucial para a produção de fertilizantes usados no agronegócio brasileiro. Os russos são, hoje, os maiores exportadores da matéria-prima para o Brasil, mas as ofensivas militares no Leste Europeu ameaçam a manutenção desse suprimento. 

Tanto é que uma delegação do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) começou, na sexta-feira (06), uma missão para Jordânia, Egito e Marrocos. O grupo se reunirá com representantes de empresas privadas e de governos desses três países para tratar sobre o fornecimento de fertilizantes e a ampliação de investimentos no Brasil.

Na Jordânia, o principal tema será o fornecimento de fertilizantes à base de potássio. No Egito, o foco serão os nitrogenados, e em Marrocos, os fosfatados. O retorno da comitiva ao Brasil está previsto para o dia 14 de maio.

A agenda na Jordânia, que começou neste domingo (07)), prevê reuniões com diretorias de importantes empresas produtoras de potássio, como a Arab Potash Company (APC), que produz mais de 2,4 milhões de toneladas por ano, e a Jordan Phosphate Mining Company (JPMC), com capacidade de produção superior a 7 milhões de toneladas por ano.

Estão previstas reuniões do ministro brasileiro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, com seu homólogo da Jordânia, Khaled Musa Henefat, e com o ministro da Indústria, Comércio e Abastecimento, Youssef Al-Shamal.

Nesta segunda-feira (9), a delegação do Mapa chega ao Cairo, onde o ministro Marcos Montes deverá se reunir com o vice-ministro da Agricultura, Moustafa El Sayeed, e com o ministro do Abastecimento, Aly Al Moselhy. A delegação do Mapa participa do Fórum Brasil-Egito: Oportunidades no comércio bilateral, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasil.

Também estão previstas reuniões com representantes do setor de fertilizantes e de proteína animal. A comitiva chega ao Marrocos na próxima quinta-feira (12), onde há previsão de uma reunião com o ministro da Agricultura, Mohammed Sadiki, além de uma visita à usina de Jorf Lasfar da OCP (Companhia Office Chérifien des Phosphates). A empresa estatal é atualmente a maior fornecedora de fósforo para o Brasil.

O Marrocos é o segundo maior produtor mundial de fertilizantes fosfatados, responsável por cerca de 17% da produção global. Em 2021, o Brasil importou mais de US$ 1,6 bilhão em fertilizantes daquele país.

O Amazonas tem potencial para suprir toda essa demanda de potássio para a produção de fertilizantes. No entanto, a rigidez das políticas ambientais mantém esses gargalos. Projetos sustentáveis são opções para a geração de milhares de empregos.

Lideranças ainda comemoram vitória

A ZFM venceu a primeira investida contra os decretos presidenciais sobre o IPI. Na sexta-feira (06), o ministro do STF Alexandre de Moraes derrubou o corte no imposto que prejudica as mais de 500 empresas instaladas em Manaus, reduzindo a competividade dos produtos fabricados na região no mercado consumidor. As lideranças políticas e empresariais ainda comemoram a vitória no primeiro round desses embates, derrubando as ações orquestradas pela equipe econômica que tem à frente o ministro Paulo Guedes, considerado o maior inimigo da Zona Franca.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), disse que a decisão favorável ao Estado representa um empenho de todas as forças do Estado. O líder empresarial Wilson Perico, presidente do Cieam, classificou como justo o desfecho positivo sobre as ações de inconstitucionalidade movidas no Supremo contra o governo Bolsonaro. Para ele, reduzir a alíquota do Imposto de Importação é uma miopia muito grande de quem não conhece as peculiaridades regionais, fatores preponderantes para manter empregos, atrair investimentos e preservar a rica biodiversidade amazônica. Agora, convém ficar de olho na contraofensiva do Planalto.

Reconhecimento

Vereadores de Manaus e deputados (estaduais e federais) do Amazonas avaliam a vitória do Amazonas no STF como fruto de uma articulação acirrada em defesa da manutenção dos benefícios fiscais da ZFM, amparados na Constituição Federal. Para o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), a maior Corte do País foi sensível ao escutar as vozes dos representantes da região, decidindo manter as prerrogativas constitucionais que alimentam a cadeia produtiva no Amazonas. Merecidamente.

Desafeto

Porém, alguns analistas atribuem a vitória do Amazonas que derrubou os decretos presidenciais à ação do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, um potencial desafeto de Bolsonaro. Os dois têm contabilizado brigas emblemáticas. E, por sorte, Moraes foi sorteado como relator das ações de inconstitucionalidade movidas contra o corte do IPI. Estima-se que o Palácio do Planalto e o Ministério da Economia já desenham uma contraofensiva. Impulsivo como é, o presidente deve mesmo retaliar.

Contra

Bolsonarista de carteirinha, o coronel Alfredo Menezes, virtual candidato ao Senado nas próximas eleições, sempre foi um defensor ferrenho das medidas de Bolsonaro. E diz ter o DNA do presidente. Ele tem justificado o corte do IPI como uma ação preponderante para beneficiar os outros Estados do País. Lego engano. Na realidade, os decretos presidenciais prejudicam tanto a ZFM como toda a indústria brasileira, permitindo a geração de empregos em outros países. Isso está mais do que provado.

Manifestação

Lideranças de trabalhadores também comemoram a vitória no STF. Ainda não faz muito tempo que a categoria saiu às ruas em defesa dos benefícios que mantêm pelo menos 500 mil empregos diretos e indireto na ZFM. O vereador Sassá da Construção (PT) vê com entusiasmo o desfecho favorável. Ele avalia como justa a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que foi sensível aos apelos do Estado. Todos estão empenhados na defesa do modelo de desenvolvimento mais bem-sucedido do Brasil.

Caça

As forças de segurança do Amazonas mantêm a caça às bruxas desde o assassinato do cabo PM Isaías Filho, torturado e morto, um crime atribuído a um dos líderes do CV, conhecido vulgarmente como ‘Feroz’, que se refugiu numa área de florestas no bairro Tarumã, onde o policial foi encontrado em casa, já sem vida. No bairro, uma chacina deixou também outras três pessoas mortas. A partir daí, mais de 45 agentes de elite, além dos efetivos tradicionais, reforçaram o policiamento. Era hora de fechar o cerco.

Desmatamento

Infelizmente, o Amazonas continua liderando o desmatamento. Nos últimos meses, foram devastados mais de mil quilômetros quadrados de florestas, segundo dados de órgãos oficiais. Agora, imaginem quais serão as consequências do fim dos incentivos fiscais que alimentam a cadeia produtiva no Estado, empregando milhares de pessoas na região. A ZFM é preponderante para manter a floresta em pé, um ecossistema importante para o clima de todo o mundo. Precisamos investir na sustentabilidade.

‘Golpe’

As lideranças de esquerda continuam denunciando que Bolsonaro desenha um novo golpe com o centrão e os militares, possivelmente uma estratégia para angariar votos nas próximas eleições. O Brasil de hoje não é o mesmo dos anos 1960, quando as Forças Armadas assumiram o governo central. Cogitar uma nova tomada de poder a toque de fuzil e com um regime de exceção cairia como uma hecatombe no cenário político internacional. No ocidente, não há mais espaço para ditadores e tiranos.

Votos

Bolsonaro está reduzindo a diferença nas intenções de voto em relação a Lula, segundo as últimas pesquisas, um sinal de que o eleitor ainda está muito dividido. O petista tem focado o discurso na alta inflação e na escalada dos preços dos combustíveis. Na contraofensiva, o presidente fala que a Petrobras ameaça quebrar o Brasil. Tem muito pano pra manga até as eleições, que deverão ser polarizadas entre os dois. Muitos apostam na vitória de Bolsonaro, apesar dos percalços. Veremos.

FRASES

“Vitória da unidade das forças políticas”.

Serafim Corrêa (PSB), deputado estadual, sobre derrubada de decretos do IPI.

“Matou metade dos adversários de inveja”.

Lula, ex-presidente, por sair na capa da revista Time.

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