13 de abril de 2021

Brasil ataca barreiras dos EUA na OMC

Para o Brasil, o governo americano tem ampliado as medidas restritivas e violado regras internacionais

Quatro anos depois da eclosão da pior crise mundial, a ação do governo dos Estados Unidos para salvar sua economia transformou o superávit brasileiro com os EUA em um déficit de US$ 4 bilhões e criou sérias distorções no comércio internacional. A denúncia foi apresentada ontem pelo Itamaraty durante o exame da política comercial dos EUA, realizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). China, Europa e dezenas de países também atacaram as barreiras dos EUA.
Para o Brasil, o governo americano tem ampliado as medidas restritivas e violado regras internacionais. Em seu informe preparado para a sabatina, a OMC também criticou as barreiras dos EUA às importações, as limitações aos investimentos estrangeiros e alertou para a proteção considerada elevada a produtos agrícolas, têxteis e calçados.
Brasília não perdeu a oportunidade de atacar o que acredita ser uma política deliberada dos EUA para desvalorizar sua moeda e, assim, ampliar as exportações. “Os EUA adotaram uma política monetária e fiscal expansionista que levou a uma progressiva desvalorização do dólar”, apontou Roberto Azevedo, embaixador do Brasil na OMC.
Citando o informe da entidade, o diplomata apontou como o dólar sofreu desvalorização de cerca de 25% entre 2002 e 2008 e de mais 16% entre 2009 e 2011. Segundo o Brasil, a injeção de dinheiro dos americanos para resgatar seus bancos e economias acabou sendo direcionado a outros países, “promovendo uma valorização artificial” de outras moedas, como o real.
Azevedo deixou claro que foi por causa da valorização do real nesse mesmo período que a balança comercial entre Brasil e EUA sofreu mudança profunda, justamente nos anos da crise. “O superávit brasileiro de US$ 6 bilhões foi transformado em um déficit de quase US$ 4 bilhões em cinco anos”, disse.

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