Brasil: 5° economia do mundo?

No último dia 31 de maio, estivemos com nossa equipe em São Paulo, participando de um Fórum destinado a discutir o que fazer para a previsão do Brasil se tornar a 5a. economia do mundo (previsão para 2025) conforme as previsões das maiores agências econômicas mundiais. Durante o dia ouvimos o presidente do BACEN, Henrique Meireles, o professor Nouriel Roubini, Eduardo Gianetti da Fonseca, o presidente do Bradesco, a presidente do Magazine Luiza, o empresário Eike Batista e os candidatos José Serra e Dilma Roussef, entre outros debatedores e expositores. O que ficou absolutamente transparente é que existe uma enorme distância entre a previsão de sermos a 5a. Economia do mundo e a chance de isso acontecer. Por quê? Porque não temos infra-estrutura que dê suporte a um crescimento sustentado ao longo dos anos, nos falta mão-de-obra qualificada em todos os níveis e não temos poupança interna e investimentos públicos e privados sistemáticos.
Além dos pontos citados acima, a nossa leitura é que há causas nucleares que se encontram por trás dos desafios citados. E são essas causas que, se não combatidas, vão nos impedir de ter a infra-estrutura e crescimento necessários, a mão-de-obra preparada e as condições perenes para crescermos não somente em riqueza total, mas principalmente no aumento da renda da população. Na nossa opinião precisamos tratar sobre alguns aspectos muito importantes:

Cultura
Infelizmente não temos uma cultura governamental, empresarial e como povo, de pensar a longo prazo. Preferimos pensar para o dia e o mês seguinte. Pensar a longo prazo significa investir agora, o tempo e recursos para um resultado que não aparece no dia seguinte, mas exige maturação. Esta cultura imediatista impacta diretamente na não realização de investimentos públicos e privados, bem como num contexto político, na eleição dos “mesmos” ao longo de anos, sem nenhuma renovação.
A nossa cultura também valoriza pouco o trabalho. Pensamos em enriquecer fácil e rápido. Todas as pesquisas sobre jovens que estão adentrando ou ainda estão há pouco no mercado profissional, apontam que os mesmos estão pensando em como “alavancar” de forma rápida aos patamares maiores de ganho financeiro, seja como empregados, pulando de empresas para empresas, seja tentando empreender um “negócio da China”, que o torne rico. Agora mesmo as centrais sindicais brigam por redução de jornada de trabalho e os políticos popularescos embarcam na onda pensando nas eleições e ninguém pontua o desastre que acontece na Europa, onde trabalhar “menos” faz parte das razões da estagnação e atraso econômico do velho continente.

Função do estado
Infelizmente nos últimos oito anos regredimos em relação à função do estado. Ao invés de pensarmos num estado que tem a função de prestar serviços fundamentais (educação, saúde, segurança), de qualidade para a população e de fornecer marcos regulatórios para o mercado, temos visto um estado que se incha a cada dia e torna em si um fim e não um meio.
Isso gera um pesado ônus para toda a sociedade, pois para manter este papel de “provedor” da sociedade, este mesmo estado impõe uma carga tributária enorme, dilacerante e que desestimula totalmente a produção e a geração de riqueza, renda e empregos.
Queremos um estado que nos ajude a estabelecer a regra do jogo, que respeite as regras estabelecidas e que nos deixe trabalhar. Mais que isso é avançar para o atraso.

Gestão pública profissional
Um estado mínimo e eficiente é o que toda a sociedade quer e merece. Aliado a um tamanho desproporcional, temos um governo, via de regra, ineficiente e sem nenhuma preocupação com produtividade. O aumento do custeio é assustador, ao mesmo tempo que os investimentos seguem em taxas mínimas. O resultado são estradas precárias, aeroportos estrangulados, portos sucateados e ultrapassados, apagões de toda a ordem. Tudo isso oriundo de um estado que não investe e utiliza os recursos para se auto-alimentar em inchaço contínuo.
Poucas são as exceções de líderes de qualquer dos poderes que falam abertamente da necessidade de termos um estado mais produtivo, fazendo mais com menos. Nesta semana tivemos uma nova pesquisa sobre as necessidades do brasileiro e uma melhor saúde pública e educação de qualidade encabeçaram a lista. Dois dos serviços essenciais que o estado brasileiro negligencia completamente. Qualquer governante que afirma termos uma saúde e educação pública razoáveis, nunca adentrou um hospital público de uma capital ou uma sala de aula num interior do Brasil. A situação é lamentável.

Redução da corrupção
Falamos muito pouco sobre combate à corrupção e todos sabemos que ela é tão presente que se torna quase palpável. Acredito que todo brasileiro em idade adulta já tenha testemunhado ou visto uma situação onde a corrupção esteve presente. São escândalos e mais escândalos, mas quase sempre ninguém viu nada e ninguém é punido. Usando uma frase conhecida, “nunca na história deste país” se viu tanta falcatrua, fraudes, achaques e tanta impunidade. E para fingir que estamos fazendo alguma coisa estipulamos uma legislação atrasada e que enquadra “alhos e bugalhos” nos mesmos critérios licitatórios gerando custos e mais ineficiência. Qualquer cidadão brasileiro sabe o estrago que a corrupção faz. Vencemos o “dragão da inflação”, como falávamos nas décadas de 80 e 90, mas deixamos vivo a mãe do monstro, a corrupção.

Conclusão
Falta de infra-estrutura, de mão-de-obra e de investimentos, são efeitos. A causa destes males está numa cultura imediatista e de levar vantagem, num estado pesado, gigantesco, guloso de impostos e altamente ineficiente. E este ciclo se auto-alimenta na finalidade de sustentar a corrupção que destrói nosso caráter, nosso presente e se deixarmos, o nosso futuro.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email