10 de agosto de 2022
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Bradesco aponta que crédito para habitação vai crescer 28% neste ano

Projeção do banco é que esse percentual cheque a 30% em 2009

O crédito habitacional deverá apresentar forte crescimento até 2010, na avaliação do diretor do departamento econômico do Bradesco, Octávio de Barros. Pelos cálculos da instituição, o setor crescerá 28% este ano e 30% em 2009 e 2010.
Quando tivermos prestações de R$ 400 teremos uma explosão do setor”, previu Barros, durante palestra no “11º Seminário Tendências: Perspectivas da Economia Brasileira – Cenário Doméstico e Crise Externa”, na quinta-feira em São Paulo.
Octávio de Barros comentou também que, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o crédito imobiliário representa 1,5%. “Está faltando avançar muito na área de crédito imobiliário”, disse. Para 2010, sua estimativa é de que o setor chegue a 2,8% em relação ao PIB, já considerando um avanço do segmento hipotecário no país.
O diretor informou também que, para este ano, o Bradesco conta com um crescimento nominal de 22,5% do crédito para consumo. “Não é a bomba como a vista no ano passado, mas ainda é muito bom”, disse.
Apesar destas expectativas de crescimento robusto para o setor, Barros não acredita que a inadimplência será um obstáculo ao crédito. “Ainda que haja deterioração na margem não vislumbro grandes problemas, pois a inadimplência está relativamente sob controle”, disse, em relação aos financiamentos destinados às pessoas físicas e, principalmente, jurídicas. Ele destacou que, em fevereiro, o crédito em relação ao PIB estava em 35%. “A sensação térmica emblemática é a de que nunca antes na história deste país as pessoas tiveram tão pouco medo de perder o emprego”, brincou em uma referência a uma frase comumente dita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sua avaliação é a de que, no Brasil, o mercado de crédito ‘surfa’ na quebra estrutural do mercado de trabalho. “Mas o boom do setor de crédito está muito longe de ser um fenômeno tupiniquim”, ressaltou, acrescentando que, comparativamente a outros países, o Brasil está no “pelotão” intermediário do desenvolvimento do crédito. Para ele, este fenômeno foi favorecido pela condução da política monetária em todo o globo, recentemente, que derrubou taxas de juros.

Tendência é de aumento

O diretor do departamento econômico do Bradesco fez ainda uma análise das perspectivas de investimentos no país, revelando que, segundo pesquisa do banco, feita com 1.600 indústrias do Brasil, mesmo com a projeção de alta da taxa básica de juros (Selic), os industriais não pensam em reduzir seus investimentos nos próximos anos. “Temos uma experiência de previsibilidade da economia hoje que é algo praticamente inédito no Brasil”, considerou. “É impressionante como estamos em um momento de anúncios de investimentos e a tendência é de aumento, inequivocamente”, continuou.
Octávio de Barros lamentou, porém, que o crescimento dos investimentos esteja sendo permitido por recursos próprios das empresas. “Para nossa tristeza, 71% dos financiamentos no ano passado foram com recursos próprios. Isso é um atraso, uma distorção”, comentou.
Para Barros, no entanto, o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil poderá substituir papéis que hoje são desempenhados por instituições específicas, como o Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), responsável, em 2007, por 32% dos recursos destinados aos investimentos do setor privado.

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