BR-319: Sonho e Realidade (sob a ótica da geoeconomia)

José Fernando Pereira da Silva – Assessor Econômico Fecomércio AM

Esteve em Manaus no início deste mês, o ministro da infraestrutura, coronel Tarcísio Gomes de Freitas, para anunciar a reconstrução do primeiro trecho da rodovia BR-319, que faz parte do projeto de recuperação integral, em bases modernas, da citada rodovia.

A BR-319, juntamente com outras rodovias que integram a matriz rodoviária da Região Norte, foi concebida e construída no período do “Milagre Brasileiro”, sendo que a maioria delas sofreu as mais duras críticas, principalmente a nossa BR-319, onde estudos tendenciosos buscavam comprovar sua inviabilidade econômica, vis-à-vis a utilização da hidrovia do rio Madeira. Faço este registro, mas não entro no mérito da questão.

Em verdade, nos dois últimos quartéis deste século, a ocupação da Amazônia sempre foi preconizada face às perspectivas de integração da região e às estratégias específicas de crescimento econômico dos vários países amazônicos. Com efeito, prevaleceu uma lógica condominial, uma ideologia de corte nacionalista e uma caracterização das “amazônias” como reservas de saque de recursos naturais, geralmente a serviço dos principais centros econômicos de cada país ou das suas relações comerciais com terceiros.

Entrementes, no Brasil, nas décadas de 60 e 70, houve forte ênfase na construção de rodovias.

Assim, parte da capacidade de endividamento do País foi destinada a estes e outros projetos de desenvolvimento regionais, que são considerados estratégicos para a integração da Amazônia com o Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

Algumas dessas rodovias foram abandonadas, inclusive a BR-319, sendo praticamente reencobertas pela floresta, praticamente intransitável.

Por outro lado, com a consolidação do Mercosul e a possível entrada na União Europeia, está se formando um novo cenário, no qual uma nova dimensão é dada ao processo de integração da América do Sul com o resto do mundo. Ademais, as vantagens econômicas objetivas já constatadas tendem a conformar uma complementaridade às economias regionais, abrindo válvulas para expansão econômica num cenário internacional que se visualiza.

Com a integração das duas rodovias BR-319 e BR-174, o principal eixo de integração ligando Manaus ao Caribe numa estratégia de desenvolvimento regional (um tributo ao desafio com vistas à competitividade estrutural da Zona Franca de Manaus e à viabilidade econômica da região), é também o marco inicial da integração Ibero-Americana – esperada ansiosamente há cinco décadas, desde a montagem do Pacto Andino em 1969. Vale acrescentar que essa estratégia virá constituir-se num macrozoneamento da região, e deve ser percebida como um instrumento de ordenamento territorial (ocupação racional do espaço territorial) e não simplesmente como mais uma oportunidade de ocupação do território.

A Amazônia Ocidental é constituída pelos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, espacialmente distribuídos na Amazônia Mediterrânea e com baixa densidade demográfica e econômica e vasto território.

Pela ótica da logística integrada, um dos requisitos básicos e fundamentais para se vencer as grandes distâncias com economicidade desta vasta região é o volume e o valor das cargas a serem movimentadas. Portanto, o intercâmbio com os centros dinâmicos vizinhos torna-se indispensável para o uso recíproco.

E esse processo tende a estimular novamente a integração terrestre, entre os países do Pacto Andino e o Brasil, atribuindo ao Amazonas um novo papel, que já não é de fundo de quintal, MAS O PRINCIPAL ELO DE INTEGRAÇÃO CONTINENTAL PELA SUA LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA NO CENTRO DA AMAZÔNIA GEOGRÁFICA.

Assim, com a utilização plena da BR-174 e agora com a recuperação da BR-319, o Amazonas busca formar eixos de transportes e de infraestrutura, nos quais se concentrarão grandes investimentos públicos e privados (mormente no setor de Turismo em suas várias modalidades), e que com a próxima reabertura da estrada já começarão a se implantar.

Esses eixos promoverão intensas articulações com o sistema hidroviário do Madeira, Solimões e seus afluentes navegáveis, formando o macrozoneamento do estado, e neles se concentrarão grandes projetos de desenvolvimento.

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