Bovespa atinge dois dias de fortes altas, após perdas

O mercado sabe que os balanços devem mostrar prejuízos grandes e isso pode afetar as Bolsas. E além disso, a Bovespa já não está tão barata”, avalia Antônio Patrício

A Bolsa de Valores de São Paulo emendou dois dias de fortes altas, com o mercado a reboque das notícias positivas sobre a economia americana. Na segunda-feira, a Bolsa brasileira havia sofrido um dos piores “tombos” do ano, com perdas de 4,3%.

O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais negociadas, valorizou 2,71% no encerramento, aos 64.630 pontos. O volume financeiro foi alto, acima da média diária do mês: R$ 6,8 bilhões.

Segundo a Bovespa, o fluxo de recursos dos investidores estrangeiros está positivo em R$ 38,87 bilhões, considerando as participações nas ofertas de ações (R$ 42,43 bilhões) e o saldo negativo da negociação direta (R$ 3,56 bilhões).

Para profissionais de mercado, a boa notícia, que sustentou o desempenho positivo das Bolsas, foi o PPI, índice de preços ao produtor, dos EUA, teve variação de 0,1% em outubro. O chamado “núcleo” do indicador, que exclui os preços mais voláteis, ficou estável.

Analistas de bancos e corretoras estimavam uma variação de 0,3% para o índice “cheio” e de 0,2% para o “núcleo”.
“Acredito que o mercado desempenhou bem principalmente por causa do PPI. O Federal Reserve (banco central dos EUA) cortou os juros lá atrás e o indicador de inflação confirma, de certa forma, que a decisão foi correta”, avalia Igor Ribeiro, profissional da Tática Asset Management.

O front doméstico também foi fonte de notícias positivas: o nível de emprego na indústria teve a maior taxa de crescimento desde maio de 2004; e as vendas no comércio varejista cresceram 1,4% em setembro, o dobro da taxa projetada por economistas do mercado financeiro. A CSN (Companhia Side-rúrgica Nacional) revelou lucro líquido de R$ 699 milhões no terceiro trimestre, um crescimento de 109% sobre o resultado do mesmo trimestre em 2006. Corretoras avaliaram o resultado de forma positiva, principalmente devido ao incremento das vendas para o mercado doméstico.

Crise dos “subprime”

As Bolsas de Valores tomaram alguns “sustos” devido a crise dos créditos “subprime”, quando grandes conglomerados financeiros passaram a estimar perdas bilionárias, a exemplo dos gigantes Citigroup e Wachovia.

O banco de investimentos Bear Stearns avaliou uma redução nos seus ativos da ordem de US$ 1,2 bilhão no quarto trimestre, devido à exposição aos créditos “subprime” (de alto risco). O valor embora alto, ainda ficou abaixo das expectativas do mercado. “O Bear Stearns foi até um ‘trigger’ (motivo) para o mercado”, comenta Ribeiro, da Tática. Analistas não descartam, no entanto, mais momentos de estresse. “Os bancos americanos têm pouco tempo para revelar o tamanho real das perdas com os “subprime”.

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