Bons pagadores já têm vantagens com vigência do cadastro positivo

bancos e instituições financeiras, começaram a enviar informações de 130 milhões de consumidores aos birôs de crédito (Serasa, SPC Brasil, Quod e Boa Vista) que agora podem ser incluídos numa lista de bons pagadores. Com isso, todos os consumidores serão incluídos  automaticamente na plataforma.  

Para Felix Ferreira, advogado especialista em Direito do consumidor, as pessoas que não tinham histórico de crédito, agora serão bem vistas pelas instituições financeiras e que as alterações são viáveis para as empresas e para quem recebe o crédito. “Traz mais segurança porque demonstra uma regularidade no pagamento. O consumidor poderá ter um desconto com juros mais baixos e uma segurança a mais”, explica o especialista destacando que a medida traz impacto importante para a sociedade. 

Além disso, Ferreira afirma que as mudanças reduzem a burocracia, disponibilizando para o consumidor um poder de negociação maior. “Por meio do banco de dados, com todas as informações coletadas, as pessoas serão estimuladas a manterem as contas em dia e consequentemente o nome limpo”. 

Conforme o especialista, o Cadastro Positivo vai ser favorável a longo prazo. Ele explica ainda que aos poucos as pessoas se adequarão ao processo dentro do que a lei estabelece. Ele lembra que o cadastro já existia, mas de forma opcional. A partir de agora, todos os brasileiros farão parte do cadastro. “Em outros países a medida já é praticada. Muitas vezes a falta de informação limita as pessoas. O importante é que o Brasil vai aderir de forma compulsória e está dando um passo positivo”. 

Privacidade é a chave

Rosely Fernandes,  Advogada Consumerista, concorda que o sistema traz avanços porque permite o acesso do consumidor que não têm referências bancárias, mas têm suas contas necessárias do mês em dia. Mas alerta que é importante primar pela privacidade dos dados dos consumidores. Ela lembra que o objetivo é destinar o uso desses dados exclusivamente para a análise de crédito ou de negócios. “Somente quem poderá ter acesso as informações são o comércio, bancos, financeiras e as prestadoras de serviços em geral. Lembrando que qualquer incidência errônea, nós temos o Código de Defesa do Consumidor. E qualquer momento o consumidor pode solicitar a retirada de seu nome do cadastro positivo

O especialista em risco de crédito, Breno Costa, diretor da Neurotech, empresa que utiliza inteligência artificial para mensuração de risco de crédito, aconselha que os consumidores, mesmo aqueles que estão endividados, fiquem no novo Cadastro Positivo, pois este sistema pode melhorar a oferta até para quem está negativado. “Os pagamentos das contas mais diversas, desde luz, telefone, tv à cabo, quando feitos em dia, influenciarão positivamente a nota de crédito. Às vezes a pessoa ficou negativada por conta de dificuldades pontuais, e isso não deveria ser o único ponto a avaliar numa oferta de crédito. Com o Cadastro Positivo, outras variáveis entram no jogo, o que melhora o acesso a recursos do mercado”, analisa o especialista.

Desta forma, a avaliação é de que o Cadastro contribua para a inclusão financeira da população e democratize o crédito. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), no Brasil existem mais de 62 milhões de consumidores negativados. Além disso, existem 45 milhões de brasileiros que não têm conta em banco, mas possuem contas de consumo e, portanto, farão parte do Cadastro Positivo também. O dado, do Instituto Locomotiva, aponta que esta população “desbancarizada” movimenta mais de R$ 800 bilhões por ano.

Para Breno Costa, quando você está inserido no Cadastro Positivo, e vier a solicitar um crédito, seus dados estarão disponíveis e podem melhorar a análise do seu crédito e, por consequência, quesitos como: Valor do Crédito, Prazo de Pagamento melhores, Taxas de Juros Melhores e até tempo de decisão menor. Desta forma, quanto mais acurado for o banco de dados referente ao cliente, mais a concessão de crédito tende a crescer – tanto em volume quanto em qualidade.

Ele conta que existem diversas outras informações que podem ser consideradas, principalmente com a ajuda de tecnologia de ponta, como a inteligência artificial. Dados internos da Neurotech mostram que é possível para uma instituição financeira aumentar aprovações de crédito em mais de 15% utilizando ferramentas mais acuradas de análise, conforme a experiência de empresas clientes.

“O sistema financeiro já dispõe de várias ferramentas para identificar o perfil do tomador de crédito e continua ampliando os investimentos em análise de dados. O uso mais intenso de ferramentas tecnológicas pode melhorar significativamente os índices de inadimplência e os spreads”, afirma Costa.

Vai ganhar mercado quem souber usar a ferramenta para adequar suas ofertas ao perfil de cada um dos consumidores. “As ofertas têm que ser individualizadas o que demandará grande poder de uso dos dados disponíveis, dos novos e dos que estão disponíveis de forma não direta”, ressalta

Por dentro

Sancionada em abril deste ano, a nova lei passou a valer a partir de julho oficialmente, mas os cadastros não estavam ativos ainda, pois o mercado aguardava algumas instruções e aprovações operacionais do Banco Central.

Levantamento

No Amazonas, o novo modelo de Cadastro Positivo vai angariar a injeção de R$ 15 bilhões na economia do Amazonas possibilitando acesso ao crédito para cerca de 377 mil consumidores da capital, o que representa quase 10 por cento da população total do Amazonas, além de reduzir até 45% na inadimplência no estado.  De acordo com estudo da ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) o Amazonas tem 53,3% de inadimplentes, índice superior ao da média brasileira, que é de 40,3%.  

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