Bolsas chinesas caem novamente

O Xangai Composto encerrou o dia em baixa de 1,3% e o Shenzhen Composto recuou 3,1%

As bolsas asiáticas deram novos sinais de recuperação nesta quarta-feira, após o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) adotar novas medidas de relaxamento monetário, mas os mercados chineses ampliaram as perdas recentes, depois de uma sessão bastante volátil.
O Xangai Composto, principal índice acionário da China, chegou a recuar quase 4% nos negócios da manhã (pelo horário local), antes de avançar mais de 4% pouco antes do fim do pregão. Nos últimos minutos, porém, o Xangai voltou a perder força e encerrou o dia em baixa de 1,3%, a 2.927,29 pontos, mantendo-se abaixo da marca psicologicamente importante de 3 mil pontos. Nas últimas cinco sessões, o Xangai já perdeu quase um quarto de seu valor.
O Shenzhen Composto, de menor abrangência, recuou 3,1% hoje, a 1 695,76 pontos, enquanto o ChiNext, formado principalmente por startups, teve queda ainda mais intensa, de 5,1%, a 1.890,04 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caía cerca de 1,2% pouco antes do fechamento.
Os investidores continuaram a vender ações na China, apesar de o PBoC ter cortado ontem suas taxas de juros pela quinta vez desde o fim do ano passado e reduzido os depósitos compulsórios exigidos dos bancos. Os cortes foram de 0,25 ponto porcentual nos juros e de 0,50 ponto nos compulsórios.
O gesto do PBoC, no entanto, impulsionou outros mercados asiáticos. A Bolsa de Tóquio terminou o dia em alta de 3,2%, a 18.376,83 pontos, enquanto o índice sul-coreano Kospi avançou 2,57% em Seul, a 1.894,09 pontos, e o taiwanês Taiex subiu 0,5%, a 7.715,59 pontos.
De qualquer forma, analistas temem que as medidas do PBoC possam não bastar para conter a turbulência que tem dominado os mercados financeiros globais nos últimos dias.
“Elas (as medidas) provavelmente não foram duras e fortes o suficiente para dar ao mercado um sinal de que irão sustentá-lo nas próximas duas a três semanas, quando as coisas vão ficar bastante voláteis”, comentou Evan Lucas, estrategista de mercado da corretora IG, com sede em Cingapura. Lucas aponta ainda que Pequim não adotou nenhuma iniciativa específica para dar suporte às bolsas chinesas.
Os problemas da China e a turbulência global têm alimentado incertezas sobre quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode começar a elevar os juros básicos dos níveis próximos de zero em que se encontram desde o fim de 2008. Anteriormente, a expectativa de muitos analistas era de que o primeiro aumento de juros viria em setembro.
A inesperada desvalorização do yuan, anunciada pelo PBoC há mais de duas semanas, ampliou temores de que a desaceleração chinesa possa ser pior do que sugerem os indicadores oficiais, lançando uma sombra sobre economias emergentes, cujo crescimento depende fortemente da demanda da China.

Principais índices europeus fecham em baixa

As principais bolsas da Europa encerraram o pregão desta quarta-feira em queda, em meio a dúvidas de que os estímulos anunciados pela China possam dar suporte à segunda maior economia do planeta. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 1,75%, para 350,14 pontos. Durante a sessão europeia, o banco central da China (PBoC, na sigla em inglês) informou que irá injetar 140 bilhões de yuans (US$ 21,80 bilhões) no sistema financeiro, por meio de operações de liquidez de curto prazo.
A injeção de recursos no sistema financeiro ocorreu um dia depois do BC chinês anunciar corte da taxa de juros e do compulsório dos bancos, em mais uma medida para estimular a economia. “Os cortes de taxas pelo PBoC estão longe de ser suficientes para apoiar a economia da China neste momento de desaceleração, fazendo com que a pressão por mais ações pelo banco central continuem”, escreveu, em nota, o analista-chefe de mercado da FXTM, Jameel Ahmad. “Não se engane. A meta de crescimento chinês de 7% do PIB é absolutamente crítica e as autoridades vão fazer o que for preciso para limitar a desaceleração econômica.”
O recuo das bolsas europeias hoje ocorreu um dia depois de fortes avanços, em um sinal de alta volatilidade dos mercados. “Esses fortes movimentos estão vivos no mercado nesta semana”, afirmou o analista de pesquisa da Markets Accendo Augustin Eden. Em meio a forte volatilidade, alguns ativos são particularmente afetados. Os papéis da gigante suíça de agroquímicos Syngenta recuaram 18,19% hoje, liderando as perdas do índice Stoxx 600.

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