Boas práticas de Taiwan contra Covid-19

O artigo apresenta os países modelos no combate a covid19, iniciando com as boas práticas de gestão adotadas pelo governo de Taiwan.

Pesquisa publicada recentemente pelo autor <https://ijier.net/ijier/article/view/2314> concluiu “mesmo que nenhum país esteja preparado para enfrentar epidemias e pandemias, entre os 16 países investigados, a Tailândia, a Finlândia, a Austrália, a Coreia do Sul, a Dinamarca e a Suíça são países que o Brasil deveria estudar para não repetir os cenários da China, dos EUA, da Itália e da Espanha”.

Apesar de não terem sido investigados, outros países que deveriam entrar na lista do portifólio de benchmark são Taiwan, Cingapura, Estônia, Noruega e Japão, pois têm boa pontuação em ranking globais que avaliam o Sistema Nacional de Saúde (<https://www.ghsindex.org/> e <https://bit.ly/2yn6vbs>), com número de novos casos e de mortes bem inferior aos países mais críticos e ao Brasil.

Uma nova pesquisa está sendo realizada para identificar as boas práticas de gestão implementadas nesses países modelos, bem como as soluções inovadoras adotadas por lá para enfrentar a pandemia, a fim de servir de reflexão para os gestores do Brasil e de outros países.

Em termos de combate ao covid19, considero o caso de Taiwan um dos mais inspiradores do planeta, pois desde o dia 21/01/20 (quando primeiro caso foi oficialmente confirmado) até 02/05/20 já se passaram 102 dias, totalizando 432 casos confirmados, dos quais 332 (77%) recuperados e apenas 6 (1,4%) casos fatais. Este resultado impressiona, pois mesmo Taiwan sendo uma região com alta densidade populacional com 652 hab/Km² <https://bit.ly/2xyUhw2> e estando localizada bem do lado da China (1º epicentro), a região apresenta número de casos considerados baixos a ponto de estar na 119ª posição no ranking global divulgado pelo worldometers.

Mas quais foram as boas práticas adotadas pelo Governo de Taiwan? Pistas do sucesso deles podem ser obtidas acessando o artigo <https://bit.ly/2KU4Uwn> publicado recentemente no Journal of The American Medical Association (JAMA) pelo Dr. Jason Wang, pesquisador da Standford Healty Policy, em parceria com Chun Y. e Robert Brook. Em síntese, o artigo chamado “Response to COVID-19 in Taiwan ..” aponta que Taiwan:

a) tem estado em constante alerta e se preparado para agir sobre epidemias vindas da China desde o caso de coronavírus registrado em 2003. Em 2004, eles criaram o National Health Command Center (NHCC – https://bit.ly/2zUa7SI> para enfrentar emergências de saúde pública e fornecer informações sobre os desastres aos tomadores de decisão. O NHCC tem um centro de comando epidêmico, um centro de comando de desastres patogênicos biológicos, um centro de comando contra bioterrorismo e um centro de operações emergenciais médicas. Seu layout acomoda 100 profissionais para dar uma resposta rápida aos eventos que atentam contra a saúde pública da população;

b) agiu rápido, uma vez que a pandemia na China deu início bem próximo ao evento que celebra o Ano Novo Lunar, momento do qual milhões de chineses e taiwaneses viajam para aproveitar o feriado. Ações foram tomadas rapidamente para mobilizar e institucionalizar abordagens específicas para identificar, conter e alocar recursos, visando proteger a saúde pública. Uma das medidas no mês de jan/20 foi tornar o Ministro da Saúde e Bem-estar o comandante do Taiwan Central Epidemic Command Center (CECC incorporado no NHCC) para coordenar esforços junto a vários ministros (transportes, economia, trabalho, educação, meio ambiente, etc) para desenvolver planos abrangentes para combater a emergente crise de saúde pública;

c) entre 20/jan e 24/02, por meio do CECC, produziu e implementou uma lista de 124 ações que incluem controle das fronteiras aérea e do mar, identificação dos casos (usando novos dados e tecnologia), quarentena dos casos suspeitos, identificação proativa dos novos casos, alocação de recursos, garantia e educação do público, incluindo combate as fake news (Criou o Taiwan FactCheck Center https://tfc-taiwan.org.tw/ para combater fake news e orientar corretamente a população), negociação com outros países, formulação de políticas para escolas, crianças, apoio aos empresários, etc;

d) usou seu banco de dados nacional de seguro de saúde (o país tem cerca de 99,9% de cobertura nacional) e o integrou ao banco de dados de imigração e da alfândega, alimentando o Big Data Center para processar e analisar rapidamente os dados da população;

e) gerou alertas em tempo real durante cada visita clínica com base no histórico de viagens e nos sintomas clínicos do paciente para ajudar na identificação de cada caso;

f) usou novas tecnologias de informação e comunicação (QR Code, relatórios on line do histórico de viagens e sintomas de saúde, etc) para classificar os riscos de infecção dos viajantes com base na origem dos voos e no histórico de viagem nos últimos 14 dias. As pessoas consideradas de baixo risco recebem via SMS, em seu celular, uma declaração de saúde para agilizar liberação na imigração. As pessoas consideradas de maior risco (com viagens recentes para áreas de alerta alto) são colocadas em quarentena em suas casas e rastreadas pelo celular para garantir que permanecessem em casa durante o período de incubação;

g) Integrou meios de comunicação de massa, ajudando na conscientização da população com disseminação de novos hábitos e regras de etiquetas;

h) aumentou a capacidade laboratorial para realização dos testes, etc;

Como o espaço é limitado, a principal lição é que para proteger seu povo, o governo de Taiwan tem estado alerta e investido forte em estruturas para enfrentar crises de saúde. O seu governo reconheceu rapidamente o perigo da pandemia, agiu rápido, conseguiu criar sinergia entre os seus ministros, governadores, imprensa, universidades, usar tecnologias para prevenir e enfrentar os casos de covid19, reeducar a população de forma transparente, enfrentar as fake news, agilizar alocação de recursos, prestar apoio aos empresários, melhorar a capacidade laboratorial (3400 amostras por dia), punir exemplarmente quem desobedece as diretrizes governamentais, etc.

Finalmente, compare agora as ações de Taiwan com o Governo do Brasil, o presidente e militares do governo têm feito isso? O que temos visto é negação da pandemia, total despreparo, brigas entre governantes, ataques a OMS e a imprensa, manifestações em plena quarentena, burocracia, SUS colapsado e do jeito que a coisa anda, antes do final de maio/20, o Brasil comoverá o mundo, estando entre os 5 piores, ao lado dos EUA e Rússia.

*Prof. Dr. Jonas G. da Silva – Prof. da Eng. de Produção da UFAM. Atualmente, pesquisador visitante do Instituto de Pesquisa em Inovação da Escola de Negócios da Universidade de Manchester (RU). E-mail: [email protected]

Fonte: Jonas Gomes

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