Boa higienização com com sabão é opção ao álcool

Desde que a pandemia do coronavírus começou a deixar em pânico as populações no mundo, o álcool em gel se tornou o centro das atenções. Pessoas desesperadas acabaram com o estoque do produto e o preço, dentro das normas de mercado, disparou. A emoção antes da razão leva ao caos. Não há a necessidade exacerbada de ir atrás de álcool em gel, pois a lavagem correta das mãos é a forma prioritária de deixá-las higienizadas e livres de microrganismos infecciosos. O Jornal do Commercio foi ouvir o professor doutor Sergio Duvoisin Junior, coordenador do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia, da EST/UEA (Escola Superior de Tecnologia da UEA), que está fabricando álcool 70% para ser distribuído para a rede pública e privada de saúde da capital. Duvoisin explicou melhor como se higienizar.

“O chamado álcool 70% é uma solução de álcool etílico ou etanol e água”, disse.

Conforme o site Food Safety Brasil, o álcool 70% possui concentração ótima para o efeito bactericida, porque a desnaturação das proteínas do microrganismo faz-se mais eficientemente na presença da água, pois esta facilita a entrada do álcool para o interior da bactéria e também retarda a volatilização do álcool, permitindo maior tempo de contato. Pesquisas mostraram que uma boa atividade germicida ocorre entre 50 e 70%, sendo a máxima a 70% de diluição.

Sérgio Duvoisin também confirmou que não precisava a corrida desenfreada das pessoas às farmácias atrás do álcool gel.

“Lavar as mão e antebraços da maneira correta (existem vídeos na internet mostrando isso) com água e sabão também é efetivo no combate à covid-19. Outro agente para combate ao coronavírus seria o álcool 70% líquido, que tem a mesma eficiência do álcool gel”, ensinou.

Adotar a rotina

Outra situação surgida com o uso frequente do álcool gel em casa foram as queimaduras junto ao fogão. Donas de casa, após de higienizar com o produto, sofreram acidentes porque, desavisadamente, foram acender o fogo.

“Diante da atual situação, temos que adotar uma rotina diferenciada no dia a dia. Ao sair de casa, levar um frasco de álcool 70% gel, ou álcool 70% líquido. É muito útil não só para passar nas mãos, mas no carrinho de supermercado, no ônibus onde se tem contato com as mãos, enfim onde possa ter tido o contato com outras pessoas, porém, é claro que não existe a possibilidade de evitarmos, completamente, o contato indireto com outras pessoas, entretanto diminuímos muito a probabilidade de contato”, afirmou.

“Ao chegar em casa, o que recomendo, e eu mesmo faço, é tirar toda roupa e colocar para lavar, tomando um banho completo”, falou.

“Cuidado redobrado em casa onde pode-se usar o álcool 70%, todavia, tem que se ter em mente que o produto é altamente inflamável. Acredito que a maioria das pessoas sabe disto e que se deve evitar a aproximação com fontes de calor ou chamas, como fogão ou cigarro”, ensinou.

Duvoisin explicou ainda que é curto o tempo em que o álcool exerce proteção ao nosso corpo.

“O tempo que o álcool 70% fica em contato com a pele é curto (minutos), isto porque ele evapora, assim como a água. E este é o motivo de se usar o álcool 70%, e não o etanol puro (100%). O etanol puro evapora muito rápido, e não teria tempo de exercer a sua ação desativando o vírus. Com a inclusão de certa quantidade de água a evaporação do etanol é retardada dando o tempo suficiente para ele agir na parede que recobre o vírus”, esclareceu.

Recebendo doações

Para o químico, após passar essa pandemia as pessoas devem adotar o hábito de passar álcool gel nas mãos e braços, pois “esta é uma atitude boa em prol da nossa saúde. Vírus e algumas bactérias podem ter sua atividade reduzida com a incorporação deste hábito em nossas vidas. Só devem ter prudência as pessoas que possuem sensibilidade maior a todo e qualquer tipo de substância, realizando testes de sensibilidade antes de usar, continuamente, um composto químico como o etanol”, informou.

Desde a terça-feira passada, 07, o grupo coordenado por Duvoisin está fabricando álcool 70% em três laboratórios da UEA, envolvendo 50 alunos de graduação e pós graduação e 13 professores do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia.

“Até o momento produzimos mais de 5.300 frascos de 500 ml de álcool 70% líquido, que estão sendo distribuídos para a rede pública e privada de saúde da capital. Nesta semana continuaremos o trabalho de produção, enquanto tivermos os insumos para produzi-lo, principalmente etanol 95% que chega até nós a partir de doações de diversas empresas da capital”, esclareceu.

O grupo recebeu a doação de 2.500 litros de etanol do Grupo Atem, além de 1.200 litros da Fuea (Fundação Universitas de Estudos Amazônicos) para o início da fabricação.

“A UEA está fazendo a sua parte tanto na Química, quanto na Engenharia, que está produzindo kits de proteção”, concluiu.

Fonte: Evaldo Ferreira

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