BNDES desembolsa mais indiretamente

Mais da metade do volume recorde de R$ 168,4 bilhões desembolsados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2010 chegou às mãos dos tomadores por meio de outras instituições financeiras. Enquanto o desembolso total do BNDES cresceu 23% em relação a 2009, as chamadas operações indiretas tiveram alta bem maior: 61%, somando R$ 93,7 bilhões em 2010.
Com isso, as operações intermediadas por bancos comerciais terminaram 2010 consumindo 55% dos recursos do BNDES. Em 2009, as operações indiretas haviam perdido participação no desembolso do banco.
Somaram R$ 58,1 bilhões, 42% do total. A recuperação veio com o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) com seus juros subsidiados principalmente para bens de capital.
O Banco do Brasil manteve-se como principal parceiro do BNDES em 2010, tendo repassado R$ 18,2 bilhões, alta de quase 50% em relação ao ano anterior. A liderança, no entanto, foi quase ameaçada pelo Bradesco que saltou de R$ 8,8 bilhões, em 2009, para R$ 17,4 bilhões em recursos do BNDES repassados no ano passado, praticamente o dobro. O Itaú mais do que dobrou o volume de repasses do BNDES em um ano, acumulando R$ 14,6 bilhões em 2010.
Santander e HSBC também tiveram crescimento superior a 100% na lista de credenciados do banco de fomento. Emprestaram, respectivamente, R$ 6,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões do banco estatal no ano passado. Como não tem agências, o BNDES recorre a bancos comerciais para chegar aos tomadores, principalmente nas operações automáticas para bens de capital, abaixo de R$ 10 milhões.
Os bancos ganham com os spreads, mas também assumem o risco das contratações. Para Rodrigo Bacellar, da área de operações indiretas do BNDES, a rede de credenciados ampla é uma forma de aumentar o acesso dos recursos do BNDES, principalmente para pequenas empresas. “Os bancos podem operar com fundos próprios, mas a taxa não seria tão atraente para as empresas e nós queremos que incentivar o investimento”, diz o executivo.
“É mais fácil para os empresários contratar com os bancos com o qual já se relacionam”.
Lançado em julho de 2009, o PSI acumulou uma carteira de mais de R$ 120 bilhões em 2010. As liberações da linha Finame, para máquinas e equipamentos, cresceram mais de 120%, fechando o ano passado em recordes R$ 46,7 bilhões, dez vezes mais do que o desembolsado nessa modalidade pelo BNDES em 2002.
Os incentivos também estimularam a compra de maquinário no campo, elevando os desembolsos da Finame Agrícola a R$ 5,3 bilhões em 2010, quase 90% a mais do que em 2009. Mas o maior destaque foi para o financiamento de caminhões, que teve alta de 470% só na linha para caminhoneiros autônomos, somando R$ 6,6 bilhões aprovados em 37,5 mil operações contratadas.

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