BNDES centraliza investimentos em SP

Dos R$ 321,46 bilhões que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aplicou no país nos últimos quatro anos, R$ 81 milhões foram para o Estado de São Paulo, que é considerado o mais rico do país, com PIB (Produto Interno Bruto) próximo de R$ 450 bilhões, segundo dados de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Engenharia e Estatística). “Isso afeta bastante as outras regiões do Brasil, principalmente o Norte, já que esses recursos foram criados com o intuito de gerar o desenvolvimento e reduzir a desigualdade, entretanto não é isso o que acontece”, aponta presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
Segundo Afonso Lobo, secretário da Sefaz-AM (Secretaria do Estado da Fazenda do Estado do Amazonas), no período acumulado de 2009 a 2012, São Paulo recebeu 25% dos recursos do BNDES ao passo que toda a região norte do país recebeu somente 6,7%. “E o Amazonas é um dos principais prejudicados, uma vez que recebeu apenas R$ 2,3 bilhões (0,73%) em linhas de crédito do BNDES”, destacou.
Ele comenta que o BNDES deveria trabalhar para dinamizar a atividade econômica das regiões menos desenvolvidas, minimizando as disparidades regionais. “As demais instituições financeiras, bancos comerciais e bancos de investimento, financiam as atividades praticando taxas livremente pactuadas no mercado, diferentemente do BNDES que possui linhas subsidiadas pelo governo federal. Desta forma não há benefícios específicos que possam ser sinalizados”, avaliou Lobo.
De acordo com a assessoria de comunicação do BNDES, o banco não prioriza nenhum Estado. Ele é o banco nacional do desenvolvimento. E como braço operacional do governo federal, vem contribuindo para democratizar o acesso ao crédito. Entre 2008 e 2012, a participação do Norte nos desembolsos do BNDES cresceu de 5% para 9%, a do Nordeste evoluiu de 8% para 13%, enquanto o Sudeste caiu de 57% para 46%. Os desembolsos para o Estado de São Paulo diminuíram de 2009 até 2012: R$ 35,8 bilhões em 2009; foram a R$ 45,9 bi em 2010, recuando para R$36,2 bilhões em 2011 e R$ 35,9 bi em 2012.
Em nota, a assessoria informou ainda que São Paulo é sim o Estado que mais recursos recebe, mas não porque o BNDES o priorize e sim porque é o maior Estado, o que tem o maior número de indústrias e grandes projetos demandando recursos do banco. “O BNDES prioriza setores que considera estratégicos para o desenvolvimento do Brasil, como infraestrutura, inovação, desenvolvimento sustentável e meio ambiente, por exemplo”.
A assessoria destacou que a atuação do BNDES no apoio aos Estados do Nordeste e do Norte (administração direta) contribui para a redução de desigualdades regionais. Nos programas de apoio aos Estados PEF (Programa Emergencial de Financiamento) e Proinveste (Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e do Distrito Federal), as regiões Nordeste e Norte tiveram participação destacada. No PEF I, o Norte ficou com 27,5% dos recursos e o Nordeste com 52,4%, enquanto o Sudeste respondeu por 9,2%, o Centro-Oeste por 6,4% e o Sul 4,5%. No PEF II, Norte recebeu 25,5%, Nordeste 52,8%, Sudeste 8,5%, Sul 6,6% e Centro-Oeste 6,5%. No Proinveste, 38,8% dos recursos foram para Estados do Nordeste, 18,7% para os do Norte, 23,2% para o Sudeste, 10,6% para o Sul e 8,8% para o Centro-Oeste.

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