Na quarta-feira, 17, os fãs da Blue Birds poderão ver mais uma apresentação da banda desta feita em comemoração aos seus 53 anos de existência, a mais antiga banda musical do Amazonas e, com certeza, uma das mais antigas do Brasil. A mais antiga do Brasil, e do mundo, é a Renato e Seus Blue Caps, do Rio de Janeiro, com 60 anos de existência e ainda em atividade, de onde a Blue Birds até meio que copiou o nome.

“Nossa idéia era fazer um grande concerto, ‘Jovem Guarda Viva’, no Largo de São Sebastião, mas essa pandemia frustrou os nossos planos e tivemos que repensar a comemoração”, explicou Roberto Gomes, o Beto, proprietário e contrabaixista da Blue Birds.

“Os amigos até deram a sugestão de fazermos uma live, como todos estão fazendo, mas a Blue Birds sempre deu grandes shows. Hoje nos apresentamos com 16 músicos, e ficaria inviável realizar uma live dentro de um estúdio, com essa quase orquestra, então achei melhor presentear nosso público com a reapresentação do belo concerto ‘Bossa Sempre Nova’, realizado no dia 29 de janeiro, no Teatro Amazonas”, adiantou.

A direção da TV Encontro das Águas gostou da sugestão e o show, que teve a participação especial do Coral da Assembleia Legislativa, será mostrado no dia 17, às 19h. Além de ter a apresentação da banda como presente, os fãs da Blue Birds ainda poderão ajudar, com doações de alimentos, o Instituto Filippo Smaldone, referência na educação de crianças e adolescentes com deficiência auditiva, no Amazonas.

Com 36 anos de existência, e gerido pelas Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações, o Instituto não tem fins lucrativos. Atualmente 370 crianças e adolescentes estudam no estabelecimento, sendo 170 surdos, os quais recebem educação especial. Além disso, cerca de 700 pessoas/mês, com alguma deficiência auditiva, realizam atividades no Instituto.

Só em inglês        

Nem no mais impensável dos sonhos dava para imaginar que a Blue Birds chegaria tão longe quando fez aquele primeiro show, em 17 de junho de 1967, na Saga (Sociedade Atlética Guarda de Aparecida). A banda nasceu em meio à alta sociedade manauara, naquela época muita valorizada por quem a podia frequentar, tocando frequentemente no Ideal Clube e Rio Negro, os clubes da elite baré.

Beto entrou na Blue Birds em 1969 e, em 1977 os integrantes a venderam para o empresário Adriano Bernardino, proprietário de várias outras bandas na cidade. Somente em 1980 Beto comprou a propriedade da Blue Birds e a tem mantido desde então.

“Naquela época, sem televisão, que só surgiria no início da década de 1970, os sucessos musicais chegavam a Manaus através das três únicas rádios AM: Baré, Difusora e Rio Mar, ou de algumas lojas que vendiam os LPs, os long plays, atuais vinis. Era assim que ficávamos sabendo dos Beatles, Elvis Presley, Tom Jones, Rolling Stones, Beach Boys, The Doors, The Who, e queríamos ser como eles”, recordou.

E ainda tinha um detalhe. Os rapazes da Blue Birds só cantavam em inglês. Repertório nacional, que também era repleto de versões internacionais em português, nem pensar. Quanto à divulgação, bastava uma nota numa coluna social, lidas por toda a cidade, e já se sabia onde seria a próxima apresentação da banda.

“Lembro até os colunistas, que sempre nos deram destaque: Nogar, no Jornal do Commercio, desde quando começamos e anos de 1970; Gil, na década de 1980; e Carlos Aguiar; na década de 1990”, disse.

Exemplo até hoje

Quando a TV se popularizou, em Manaus, a partir de 1970, a Blue Birds passou a aparecer em programas como os do Arnaldo Santos, na TV Ajuricaba; e Baby Rizzato, na TV Baré.   

“Éramos um exemplo para as demais bandas. Acho que até hoje somos. Lembro que Manaus chegou a ter mais de 40 bandas naquele período. Todo jovem queria ter sua banda”, riu.

A Blue Birds foi a pioneira a ter uma lady crooner (como se chamava quem cantava), em Manaus.

“Foi a Nana, Adriane Rodrigues do Nascimento, uma jovem cantora carioca que veio para Manaus, se encantou pela cidade e pela Blue Birds e aqui ficou de 1978 a 1983. Ela era filha do então prefeito de Duque de Caxias, no Rio. Antes dela nenhuma mulher ousava cantar numa banda repleta de homens. Em 1983, Nana foi embora e se tornou advogada. Sempre falo com ela”, falou.

Acompanhando a evolução dos tempos, a Blue Birds deixou de apresentar músicas somente em inglês e hoje canta de tudo, desde que o crooner Jander Sarmento, ainda na década de 1970, resolveu que deveriam incluir sambas e outros ritmos no repertório.

“Atualmente temos um repertório de mais de 250 músicas de todos os estilos. O contratante escolhe qual ritmo quer que toquemos. Temos um CD gravado, mas nenhuma música autoral”, contou Beto.

Pela banda já passaram 152 músicos e os integrantes mais antigos, desde 1982, são o baterista Francisco Carlos e o casal Bernardo Lameira, contra baixista, e Rosanei Varjão, cantora. O casal se conheceu e se casou na banda.

“Enquanto eu tiver condições de manter a Blue Birds e fazê-la subir ao palco, continuaremos a realizar shows em Manaus”, finalizou Beto.     

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