O ano de 2014 promete ser “mais do mesmo” para o Brasil no que tange à atração do investidor estrangeiro, avalia Will Landres, gestor de fundos ativos para a América Latina da BlackRock, grupo americano que administra US$ 4,324 trilhões no mundo todo. O cenário de inflação em alta, crescimento baixo e bolsa de valores operando abaixo dos 50 mil pontos, somados às incertezas de um ano de eleições e Copa do Mundo não revela um catalisador de curto prazo para o mercado acionário brasileiro.
Por outro lado, ele acredita que um eventual rebaixamento da nota do Brasil por agências internacionais de classificação de risco de crédito, como Standard & Poor’s, não traria uma reação muito forte porque já foi precificado. Para Landers, a antecipação do corte já está refletida nos spreads e no preço dos CDS (Credit Default Swap, derivativo que funciona como uma espécie de seguro contra o risco de calote de um país) brasileiros.
Mesmo as companhias nacionais, diz, já estão pagando um prêmio de risco pela simples ameaça de rebaixamento. Ele constata que o mau humor com o mercado de ações do país não é novidade e que não há uma razão clara para o investidor fazer uma alocação direta de recursos para o Brasil. No curto prazo, a estratégia é analisar ação por ação e esperar que o mercado valorize companhias com maior capacidade de “performar”.
“Fico surpreso que uma agência possa fazer essa mudança durante um ano eleitoral, quando nenhum país do mundo consegue realizar um grande aperto fiscal e ainda não se sabe quais serão as diretrizes econômicas do próximo governo”, disse Landers.

Inflação
A inflação superior a de 2012 no ano passado (com o IPCA em 5,91%) abriu espaço para a continuidade do ciclo de alta da Selic (taxa básica de juros), elevada a 10,5% na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no ano. O gestor aposta em novas altas dos juros para tentar conter a escalada dos preços, mas destaca que o Banco Central tem limitações no combate à inflação e precisa de uma “parceria” do Ministério da Fazenda no lado fiscal para reduzir as pressões sobre os preços.
De maneira geral ele classifica como “ingrato” o momento para o investidor na América Latina. O Brasil é um mercado considerado barato e que apresenta ações com capacidade de valorização, mas onde muitos preferem esperar baixar a poeira das incertezas antes de fazer uma aposta mais agressiva. O México, principal rival brasileiro na atração de recursos, traz boas perspectivas por conta de recentes reformas, mas tem papéis caros e não cresceu como esperado.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email