Black Friday esfria com mais restrições

Os lojistas do Amazonas já esperam um Black Friday com vendas menos aquecidas neste ano. Um dos motivos está nas limitações de distanciamento social impostas pelos decretos governamentais para evitar a propagação da covid-19, em meio a um aumento de casos e internações que traz a suspeita de uma segunda onda em nível local. Ou outro é o virtual desabastecimento do comércio, em razão da desarticulação das cadeias produtivas e do efeito da escalada do dólar no preço de insumos e embalagens. 

A Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) apostava em uma alta de 5% no volume de vendas em relação ao mesmo período de 2019, mas já refez suas contas e espera um incremento de 2% a 2,5%, no máximo. A CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), por sua vez, prefere não arriscar números e salienta que as limitações das vendas aos meios online e nos preços serão uma espécie de aprendizado para os comerciantes.

Segundo o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, a realização da Black Friday está garantida. Mas, assim como ocorrido na Semana do Brasil, o evento deve transcorrer em níveis mais acanhados neste ano, já que as lojas farão de tudo para evitar aglomerações, e afastar o risco de contaminação e transtornos para o setor e a população. Para compensar, alguns empresários devem estender a data, da sexta 27, até segunda, 30 de novembro. 

“Era algo que estávamos batalhando para não fazer, mas agora não tem jeito. Não podemos levar um número grande de clientes, por isso, temos um Black Friday que vai ser todo feito via internet. Já conversamos com as gerências dos shoppings e, além de fazerem isso, vão ter que limitar os descontos e não ter preços arrasadores demais. Tudo para não ter aquela pujança que já nos colocava no quarto lugar, no posicionamento de vendas. E já tinha tudo para sermos o segundo, neste ano”, lamentou.

O presidente da CDL-Manaus reforça que a confirmação de uma segunda onda de covid-19 na Europa, assim como o repique de casos de contaminação e internações no Amazonas é um fator de preocupação para os lojistas, dada a proximidade das festas de fim de ano e o temor de um lockdown perto da sazonalidade mais favorável às vendas do varejo.  

“Temos que esperar, mais do que nunca, que isso não aconteça no Brasil. Ninguém sabe o que está acontecendo em Manaus , mas já tem um monte de gente querendo lockdown. Esse fim de semana prolongado me preocupa também, porque, se aumentar o índice de pessoas infectadas, quando for lá pelo dia 15, a coisa vai piorar muito perto do Natal”, alertou.

Segundo o dirigente, a inadimplência está estabilizada, muito em função do auxilio emergencial, mas o fato do benefício já ter sofrido corte e findar em 31 de dezembro traz problemas. Além disso, prossegue Assayag, as próprias normas de distanciamento social limitam a capacidade de contratação das empresas, para evitar aglomerações nos estabelecimentos. “Temos de fazer tudo para não atrapalhar a economia, pois vai ser mais sério quando terminar esse auxilio e ainda não for possível repor empregos”, frisou. 

Desabastecimento e dólar

Para o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, o maior problema não esta na limitação dos decretos, mas no puro e simples fato de que as lojas estão sem estoques suficientes de mercadorias para atender uma demanda que a entidade ainda aposta que será crescente. Indagado sobre quais produtos e segmentos estão mais comprometidos, o dirigente aponta que, além de artigos típicos para a época, como eletroeletrônicos, vestuário, calçados e acessórios, todos os demais itens estão sendo afetados também, dada a escassez de embalagens na indústria.

“Infelizmente, ainda estamos navegando em alguns problemas provocados pela pandemia da covid-19. Além das dificuldades de vender online, o problema é que o varejo está sofrendo falta de produtos para vender. Faltam contêineres e navios para transportar as mercadorias até aqui. E faltam minério de ferro e outros insumos, além de embalagens, na indústria. Há ainda a inflação e a valorização do real, que tornam mais caro produzir e vender. Tudo isso vai se refletido no Black Friday e nas festas de fim de ano”, desabafou.

Há também problemas materializados do lado da demanda, segundo o presidente da Fecomercio-AM, pelo aumento do desemprego, e pela contagem regressiva do auxílio emergencial – sem uma sinalização do governo federal para suprir a lacuna. Mas, Aderson Frota avalia que a economia continua em recuperação e que deve crescer, a despeito das dificuldades crescentes que surgem no horizonte.

“O que atrapalha o governo são seus gastos excessivos. Ele precisa de mais ação para aprovar projetos que possam reverter a situação. Entretanto, o fator político ainda atrapalha e a sequência eleitoral, muito mais. Vejo nas reformas Tributária e Administrativa uma grande saída para estabilizar a situação financeira, pois equilibrar receita e despesa é fundamental. Já poderiam ter sido aprovadas. Mas, apesar desse quadro de fatos, o índice de confiança dos empresários continua crescendo. Acreditamos que a economia”, concluiu. 

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