A biografia de Samuel Wainer, de Karla Monteiro, tem sido o assunto de todos que gostam da política, do jornalismo, da história recente do Brasil. O trabalho é realmente excepcional pela qualidade das pesquisas, das informações, avaliações, com grande preocupação de não fugir da verdade. Samuel Wainer – O Homem Que Estava Lá -mostra como o biografado marcou meio século de vida na imprensa brasileira, no mundo político e intelectual, com passagem na vida social do Rio capital e, por mais uns anos, o centro dos acontecimentos nacionais.

Getúlio Vargas, seu governo, seus apoiadores e desafetos são personagens do livro, assim como Carlos Lacerda, apresentado com fidelidade em suas ambições, agressividade e facilidade de mudar de avaliações ideológicas  ou de políticos e jornalistas.

Aquela foi uma geração dourada no jornalismo brasileiro, tendo como centro o Rio. Eram quase 20 jornais diários e com venda razoável nas bancas. Destes, apenas O Globo e O Dia sobrevivem até hoje. Desfilam no livro os craques como Otávio Malta, Nelson Rodrigues, Paulo Francis, Maneco Muller, Otto Lara Resende, Carlos Castelo Branco, David Nasser.

Samuel Wainer trabalhou para Assis Chateaubriand, quando cobriu a campanha de Getúlio, em 1950, assinando uma coluna nos Associados, que, como os demais jornais, defendiam a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes. Com as relações próximas a Vargas, após a eleição, partiu para o projeto do jornal” Última Hora “, que foi um sucesso editorial, logo passando a ter edições regionais em São Paulo, Minas e Pernambuco, mas que viria a se constituir em alvo de denúncias, que agravaram a crise política e a posição do então presidente.

Mais do que uma biografia, a publicação é um retrato fiel de uma época, de seus atores, em todas as áreas da sociedade. Fundamental conhecer o passado para entender o presente e programar o futuro. E só pelas biografias e livros de memórias, e na coleção dos jornais, se pode conhecer a verdade.

O melhor do vitorioso livro é que a autora está começando a trabalhar a vida de outro personagem fascinante, do final dos anos 1950 até a virada do milênio: Leonel Brizola. Independente de se gostar mais deste ou daquele, os homens que marcaram a vida nacional, influenciaram a gerar o Brasil que temos e devem ser mais conhecidos, longe das paixões e das interpretações.

Karla Monteiro consolida, com o seu livro, a percepção de que os jornalistas que vivem os tempos atuais são fundamentais na narrativa das décadas mais recentes, pois, além da memória, podem ouvir interlocutores e participantes da cena política, revelando também quem eram os homens que atuaram de maneira tão forte na vida brasileira. mais, dos perigos  das paixões levarem a erros graves de  avaliação.

O livro consolida ainda a habilidade, austeridade, seriedade de Getúlio Vargas.

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