15 de abril de 2021

Bioeconomia: um conceito em construção? Parte 1

Divulgação

Recentemente, organizei uma atividade extracurricular especial em plataforma on line, pela UFAM,  na temática Bioeconomia e cadeia de   valor. A procura pela mesma foi bastante expressiva, considerando que atualmente na Amazônia é preciso profissionais que compreendam como é a construção e mapeamento de uma cadeia de valor de modo a consolidar uma bioeconomia local e propor a articulação entre os promotores, operadores e reguladores dessas cadeias e até mesmo aqueles que de uma forma ou de outra têm um compromisso com a mesma.

Nesse desafio convidei alguns colegas profissionais para a participação nessa atividade, e de forma curiosa nos deparamos com a enorme diversificação de conceitos e experiências em torno da Bioeconomia, que merece, sem dúvida, uma reflexão do que queremos construir localmente. Por exemplo, para o conselho Alemão de bioeconomia, é conceituada como a produção e utilização de recursos biológicos (incluindo conhecimento) para fornecer produtos, processos e serviços em todos os setores do comércio e da indústria, no âmbito de uma economia sustentável, já para a comissão de pesquisa e inovação da comissão Europeia, a bioeconomia compreende as partes da economia que utilizam recursos biológicos renováveis ​​da terra e do mar – como culturas, florestas, peixes, animais e microrganismos – para produzir alimentos, materiais e energia.

Para o Prof. Joberto Freitas,  “se pensarmos em escala internacional em  Bioeconomia da floresta, por exemplo, a Parceria colaborativa sobre florestas (Collaborative Partnership on Forests), que trata-se de um arranjo voluntário entre 15 organizações internacionais e secretariados com programas sobre florestas, que compartilham suas experiências para produzir benefícios em torno de questões florestais bastantes diversificadas, creio que não seja ainda um concenso o conceito de bioeconomia”.

Nessa mesma linha,  Kleinschmit, em Forest based Bioconomy, comenta que existem várias abordagens, que de uma certa forma são, em alguns pontos, similares conceitualmente na França, Finlândia e Alemanha: um importante recurso natural para bioeconomia, oportunidade de manejo sustentável e por ter um papel importante no sequestro de carbono.

Em termos de Brasil, os conceitos são distintos também, entre outros, para o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBD), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ministério do meio ambiente (MMA), enfim, guardada as proporções há distinções sobre o que é Bioeconomia.

Diante disso, em particular para a Amazônia, qual a Bioeconomia que nos referimos [?], considerando que é uma abordagem aberta e inovadora que envolve a colaboração de diferentes partes interessadas, promove diálogo e a cooperação em escala global; pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE); carece de financiamento; ainda existem poucas iniciativas locais; pode diminuir a dependência de recursos fósseis; pode colaborar na reestruturação da produção de energia e alimentos; está fortemente ligada a gestão dos recursos naturais; promove pesquisas por meio de disciplinas e fronteiras; apresenta potencial para geração de emprego em ambientes urbanos e rurais, ou seja, tudo interfaces da bioeconomia.

*Sérgio Gonçalves é doutor em Ciências do Ambiente /  Economia Ambiental – Universidade Federal do Amazonas

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