“Bioeconomia já é o mais novo polo da ZFM”, diz Idesam

“Nós não podemos ficar dependendo de uma única cesta de alternativas de desenvolvimento, sobretudo quando ela depende de vontades políticas”. A frase é do presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Wilson Périco, ao recomendar a mobilização da indústria e setor público de esforços e investimentos na direção de novas matrizes econômicas. E é isso que tem feito a Suframa ao escalar o IDESAM, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, uma instituição qualificada que, há quase duas décadas, entendeu essa recomendação e tem muito o que relatar na consolidação da matriz bioeconômica no Amazonas. É o que conta Carlos Gabriel Khoury, do Comitê Gestor da instituição e responsável pelo Programa Prioritário de Bioeconomia da Suframa. Confira.

1. Follow-Up: Figuras públicas de famílias empreendedoras, como o empresário Denis Minev e a ex-superintendente da Suframa e empresária Rebeca Garcia, estão sugerindo às empresas que pretendem investir seus recursos de P&D&I para adotar o IDESAM, dentro do PPBIO, Programa Prioritário de Bioeconomia da Suframa. Como é que funciona isso?

Carlos Gabriel Khoury: O PPbio é um instrumento inovador e simplificado para empresas do PIM e outros interessados investirem na agenda da Bioeconomia da Amazônia, sem ônus de gestão ou glosa. Empresas podem optar por diversificar seus os investimentos ou buscar em ICTs Institutos de Ciência e Tecnologia, ou startups,  biosoluções para sua linha de produção. Sem risco de glosa e com o suporte técnico do IDESAM e das ICTs parceiras. O IDESAM atua em projetos e parcerias da economia sustentável, desde 2004, tendo construído um portfólio robusto de resultados na diversificação/fortalecimento socioeconômico e ambiental das populações ribeirinhas da Amazônia. Um de seus programas, em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, é o PPA, Parceiros pela Amazônia, para a construção de iniciativas e empreendimento sustentáveis na região.

2. FUP: Depois de quase 20 anos da construção do Centro de Biotecnologia da Amazônia em que, entidades da indústria como o CIEAM e a FIEAM, Centro e Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, passaram a recomendar a adoção de um novo polo industrial em Manaus de Bioeconomia para diversificar o desenvolvimento regional, parece que o Brasil e as empresas da ZFM acordaram para essa alternativa de negócios. O que você̂ pensa a respeito?

C.G.K.: Estamos em momento de evolução de diferentes legislações e aprendizados na Amazônia, que tem gerado uma confluência promissora: i. os projetos pilotos na Amazônia amadureceram preparando melhor comunidades para o mercado e criando destacando o papel dos negócios de impacto social e ambiental positivos; ii. a lei de Inovação regulamentou como as Universidades e Centros de Pesquisa podem interagir com as empresas, teve seus fundamentos finais, recentes; iii. A Lei de acesso aos recursos genéticos e conhecimento tradicional também evoluiu; e por fim, iiii. A SUFRAMA abriu o caminho simplificado para as empresas do PIM diversificar seus investimentos sem risco de glosa, pelo Programa Prioritário de Bioeconomia, no qual IDESAM foi declarado vencedor do Edital, no final de 2018, passando a operar somente em março de 2019.

3. FUP: Alguns resultados na área de beneficiamento de insumos regionais estão sinalizando caminhos promissores. Quais são as novidades dessas startups da floresta?

C.G.K.: A atenção tem sido dada não somente em gerar produtos da floresta, mas também para gerar soluções em formato de negócios para atender todos os elos da cadeia. Assim, uma solução desenvolvida passar a estar disponível para atender todo o ecossistema produtivo da Amazônia. Isso significa atender a realidade local com inovação tecnológica e reconhecimento do papel das comunidades. Atualmente, o PPBio já tem 1 projeto concluído e outros 3 projetos em andamento, nas áreas de tecnologia, biocosméticos e agricultura.

4. FUP: Continuaremos a exportar extratos e produtos do extrativismo para beneficiamento no sudeste do Brasil ou no exterior?

C.G.K.: A Bioeconomia da Amazônia tem condição de atender diferentes mercados, seja atender as indústrias do PIM, ou exportar produtos e soluções baseadas na biodiversidade amazônica. As soluções locais começam a gerar renda com produtos de alto valor agregado, gerados localmente, como os produtos da empresa, uma startup de cosméticos, a Biozer, ou o óleo de breu destilado pelas Comunidades na RDS do Uatumã e comercializado por mais de R$1.000 o quilo, recurso que fica na floresta, com as Comunidades.

5. FUP: E com toda essa mobilização e parcerias, quais os resultados esperados?

C.G.K.: Nosso conselheiro Denis Minev costuma apontar três gargalos desafiadores para lograr bons resultados. O primeiro deles é a geração de recursos humanos aptos a inovar soluções tecnológicas para velhos problemas. Temos a UEA, mantida pela indústria, com quem temos que trabalhar para preparar empreendedores. O segundo desafio é infraestrutura de energia alternativa, de transportes adequados e rápidos e a comunicação de dados e voz. Aí o poder público tem que jogar pesado. E, finalmente, uma mudança de atitudes em relação a novos empreendimentos, isto é, maior flexibilidade da burocracia que prioriza o “vamos fazer juntos”.  O desafio não é simples, mas o momento é bom e nos exige mais próximos. E quanto mais integrado estiverem as agendas de promoção da Bioeconomia maiores as chances de vermos esta agenda definitivamente se estabelecer na Amazônia: bionegócios crescendo, envolvimento do setor privado, e agendas de governo. Nossa meta é colaborar na interiorização do desenvolvimento com empreendedorismo de bons resultados, afinal, há séculos já se faz economia na floresta. Agora, queremos focar esforços na perspectiva de fazer da Bioeconomia, cada vez mais, o mais novo polo da Zona Franca de Manaus.   

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

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