Bicicleta brasileira é a mais cara do mundo

Alta carga tributária e restrição à importação de peças elevam o preço do produto oferecido ao usuário local; atualmente o país é responsável pela produção de 7 milhões de bicicletas/ano, mas com capacidade 50% maior
O culto à “magrela” no Brasil tem um obstáculo econômico para se manter na pauta do dia: a incongruência entre as políticas públicas para o incentivo ao uso da bicicleta e a política tributária, que onera o setor.
Enquanto em países como Estados Unidos e Colômbia a carga de impostos sobre a bicicleta é zero, aqui no Brasil ela equivale a 40% do valor final do produto. “A bicicleta brasileira é a mais tributada do mundo”, comenta o presidente da Abradibi (Associação Brasileira da Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Bicicletas, Peças e Acessórios), Tarciano Araújo.
Produto caro – A mobilidade urbana está na pauta do dia e mobiliza prefeituras e adeptos da bicicleta em torno da expansão de sistemas cicloviários. Mas esse movimento ainda não estimulou a cadeia produtiva de bicicletas no país, formada por dezenas de montadoras e distribuidoras, além de milhares de varejistas.
“O excesso de impostos e o recente movimento do governo federal para restringir a importação de peças impedem o setor de crescer. Se não houver mudança nesse quadro, as montadoras brasileiras não vão se beneficiar da demanda por novas bicicletas”, avalia o presidente da Abradibi.
O protecionismo à indústria nacional é a preocupação da entidade. Como todos os países que produzem bicicletas de baixo valor agregado, a produção brasileira depende de peças vindas principalmente da China e Índia. Hoje, as alíquotas de importação de importantes componentes das bicicletas, como pneus e câmaras gira em torno de 25 e 35%, o que encarece o produto final e dificulta a intenção de promover a expansão do uso da bicicleta como modo de transporte. “A importação em nosso setor é necessária para promover a absorção de tecnologia e a obtenção de insumos menos onerosos e mais eficientes”, afirma Araújo.
“Precisamos ter um preço mais acessível para os trabalhadores e estudantes. A redução do valor das bicicletas é uma das condições fundamentais para permitir o uso do veículo voltado à locomoção para o trabalho e para a escola”, completa o presidente da Abradibi.

Mercado

O mercado é responsável pela produção de 7 milhões de bicicletas/ano, mas com capacidade de produção 50% maior.
Entre os cerca de 22 associados da Abradibi, fabricantes de bicicletas, distribuidores e atacadistas, o faturamento foi de R$ 2 bilhões em 2012.
A entidade estima que o mercado potencial do país gira em torno de 9 a 10 milhões de unidades/ano. “Com uma política competitiva de tributos, poderíamos até nos posicionar como pólo exportador de bicicletas”, avalia o presidente da Abradibi.
Hoje, a exportação brasileira é bastante tímida, diante do desempenho do mercado chinês, que exporta cerca de 60 milhões de bicicletas/ano (80% das exportações mundiais).

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