Bens de consumo retrocedem

Do nosso ponto de vista, maior gravidade do que a queda em bens de capital registrada em julho foi o retrocesso em bens de consumo semiduráveis e não-duráveis, um segmento que vinha em uma trajetória de franca expansão, porém com uma taxa de crescimento acumulada ainda muito abaixo dos demais segmentos. A variação relativamente a julho do ano passado foi de 3,0%, a menor dentre as categorias de uso. Na comparação com o mês anterior com ajuste sazonal, a queda alcançou -3,3%, interrompendo uma série de três meses seguidos de crescimento, no qual alguns setores que vinham tendo desempenho muito negativo pareciam mostrar sintomas de retorno ao crescimento.
Eram os casos da produção para bens de consumo das indústrias têxtil, vestuário e couros e calçados, os quais, no entanto, parecem não ter sustentado a recuperação, de forma que suas taxas recuaram fortemente em julho, excetuando-se a indústria têxtil.
No caso de vestuário, o crescimento de 13,8% em junho com relação ao mesmo mês de 2006 cedeu lugar a uma expansão de 8,1% em julho. Em couros e calçados cuja majoração fora de 2,8% em junho, no mês seguinte não passou de 1,3%. Também não conservou a evolução do mês anterior os setores da indústria farmacêutica, de sabões, detergentes e artigos de perfumaria e a indústria de bebidas. Se agregarmos a esses resultados o recuo no setor de alimentos (-2,5% na comparação com o mês anterior com ajuste sazonal) pode-se concluir que foi generalizado a desaceleração no segmento de semiduráveis e não-duráveis, fato que deve ser acompanhado com cuidado, porque pode estar representando uma menor evolução do rendimento real da população e, portanto, de sua capacidade de consumo corrente.
Do lado do único destaque positivo, qual seja o segmento de bens de consumo duráveis, a ressalva que deve ser feita diz respeito à enorme dependência de seu desempenho com relação às condições do crédito e em particular com o grande crescimento que vêm ocorrendo nos financiamentos bancários. Se pelo efeito de uma reversão de expectativas o crédito vier a ser contraído no Brasil, a exemplo do que vem ocorrendo em outros países em função da crise internacional, corre-se o risco de interrupção do forte aumento em determinados ramos que vêm puxando o crescimento de bens duráveis, como são os casos de móveis, veículos automotores e produtos da chamada “linha branca”, que tiveram aumento de produção em julho último com relação a julho de 2006 de 28,6% no primeiro caso, 19,9% no segundo e 11,2% no terceiro.

Categorias de Uso

No mês de julho, somente a categoria de Bens de Consumo Duráveis registrou aumento do nível de produção na passagem junho/julho, descontados os efeitos sazonais, ao assinalar expansão de 0,8%, a 3ª alta após os desempenhos de maio (1,6%) e de junho (2,5%). Na comparação mensal (julho de 2007 contra julho de 2006), a categoria, que é fortemente determinada pelo nível de crédito disponibilizado ao consumo, registrou crescimento de 15,1%, enquanto que no acumulado no ano houve ampliação de 5,9%. No acumulado dos últimos doze meses, o aumento da produção industrial desse segmento foi de 5,4%, comparativamente ao resultado de 4,3% de junho último.
A categoria de Bens Intermediários, composta por segmentos produtores de insumos industriais, apresentou recuo de 0,2% entre julho e o mês anterior, na série com ajustamento sazonal, interrompendo uma seqüência de dois aumentos consecutivos nessa comparação (0,8% em maio e 0,7% em junho). Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o nível de atividade cresceu 4,7%; desde junho de 2006 (-0,4%) não se observa retração nessa comparação. No acumulado no ano, houve ampliação de 4,2% da produção, ao passo que no acumulado nos últimos doze meses essa variação foi positiva em 3,4%.
O setor de Bens de Capital, responsável pela produção de máquinas e equipamentos, foi a categoria de uso com a 2ª pior performance de julho na comparação mês/mês anterior. Nesse mês, a produção desse segmento apontou d

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