BC quer aumentar transparência sobre juros bancários

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou na quinta-feira, que o órgão divulgará, nas próximas semanas, um aperfeiçoamento na metodologia de cálculo dos “spreads” bancários (diferença entre a taxa básica de juros e nos juros cobrados pelos bancos dos clientes).
Henrique Meirelles participou de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento, no Congresso Nacional.
De acordo com o presidente do Banco Central, a intenção é dar mais transparência à composição do “spread” bancário para que o cliente possa saber com exatidão exatamente o que está pagando e aumentar a competição no setor bancário.
“A metodologia permitirá que os consumidores tenham uma maior compreensão da composição dos spreads, saibam o que é imposto, o que é custo administrativo, o que é inadimplência, o que é lucro. É uma parte da competição, a transparência, a informação”, afirmou.

Crédito direcionado

Segundo o presidente, entre as medidas está a divulgação do spread do crédito direcionado, como recursos emprestados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) e do crédito rural. Outra mudança é em relação ao cálculo da inadimplência, que hoje é calculada pelas reservas feitas pelos bancos para compensar o calote e passará a ser feita pelas perdas esperadas e efetivas dos bancos.

Prejuízo compensado

Henrique Meirelles afirmou ainda que o Banco Central registrou lucro de R$ 1,62 bilhão em julho e agosto. Segundo Meirelles, o resultado dos dois primeiros meses do segundo semestre compensa o prejuízo registrado no primeiro, quando o Banco Central teve resultado negativo de R$ 941,6 milhões.
Na época, explicou Meirelles, o Banco Central atribuiu o resultado negativo às operações feitas a partir do mês de abril para enxugar o excesso de dinheiro na economia brasileira, após o arrefecimento da crise financeira.

Imposto de renda na poupança

Meirelles disse que concorda com o projeto da cobrança de Imposto de Renda de poupanças acima de R$ 50 mil, mas que sua aprovaçao é uma prerrogativa do Congresso Nacional.
“A taxa real de juros do Brasil está caindo. Isso gera alguns ajustes na sociedade brasileira”, afirmou.
No projeto que deverá ser enviado até o fim da semana, haverá apenas uma alíquota de 22,5% que será aplicada no rendimento do valor que exceder o limite de R$ 50 mil.
Dessa forma, um poupador que tem R$ 60 mil na caderneta, por exemplo, pagará 22,5% de IR sobre o rendimento dos R$ 10 mil que ultrapassam o limite estabelecido na lei.
A cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos foi anunciada em maio deste ano, mas até agora o texto não chegou ao Congresso. Para que o imposto possa ser cobrado no ano que vem, tem que ser aprovado até dezembro pelo Legislativo.
A taxação foi a maneira encontrada pelo governo para enfrentar o problema criado com a queda nas taxas de juros. Como o rendimento da caderneta é, por lei, 6,17% ao ano mais TR, a redução na taxa Selic faz com que as outras aplicações passem a render menos do que a caderneta, o que estimula a saída de dinheiro de fundos de investimento para a poupança.

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