14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

BC manterá trajetória de queda da Selic apesar da agitação no mercado

Apesar do pânico no mercado causado pela crise de liquidez nos financiamentos de hipotecas nos EUA,o Copom deverá reduzir os juros, hoje em 11,5%, em 0,5 ponto percentual.

A situação de terror que reina nos mercados causado pela crise no setor imobiliários dos Estados Unidos, fez ontem o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) derreter até 9% no período da manhã e o dólar disparar acima de R$ 2. Mesmo assim, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deverá reduzir os juros, hoje em 11,5% ao ano, em 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro. O real deverá também se valorizar em relação ao dólar até o fim do ano, em decorrência dos fundamentos da economia brasileira. Essas são as expectativas de alguns economistas entrevistados pela Agência Estado.
Diferentemente das crises de 1998 e 2002, quando o Copom interrompeu o ciclo de cortes da Selic e passou a elevá-la em outubro daquele ano (de 18% para 21%), atingindo 26,50% em fevereiro de 2003, o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil Alexandre Lintz, acredita que a redução da Selic será mantida, mas terá uma desaceleração. “O BC deve agir agora da mesma forma com que atuou durante a turbulência de maio do ano passado”, comparou.
Na ocasião, apesar da volatilidade, os diretores do BC mantiveram o ritmo de corte da Selic em 0,50 ponto porcentual no dia 31, com a taxa cedendo de 15,75% para 15,25% ao ano. “Mas quem achar que o BC vai puxar os juros por causa desta crise, vai quebrar a cara”, afirmou.
Sua aposta agora é em queda de 0,25 ponto porcentual. Isso mas em função de fatores domésticos que pela turbulência internacional. Para ele, os diretores do BC prezam muito a capacidade do mercado de prever seus próximos passos. “E o mercado futuro já coloca hoje uma probabilidade de estabilidade de cortes no futuro”, disse.
O economista da equipe de América Latina do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, também aposta que o Copom reduza o ritmo de corte para 0,25 ponto porcentual. “Veremos a continuação da volatilidade externa no curto prazo, mas a tendência é favorável”.
Na opinião do estrategista do BNP Paribas, os fundamentos macroeconômicos seguem mais positivos hoje do que na ocasião das crises anteriores. Ele citou como exemplos a forte estrutura cambial atual, o superávit em conta corrente e a melhora do perfil da dívida. “Hoje o setor público tem US$ 121 bilhões, incluindo as contas do Tesouro, do BC, dos ativos e subtraindo-se os passivos”, considerou. Isso, de acordo com ele, significa que o País teve um ganho financeiro aproximado de R$ 20 bilhões – ou US$ 11 bilhões – nos últimos dias em função da valorização cambial de 10%. “Isso representa 1% do PIB e deve levar a relação dívida/PIB para baixo”, argumentou. “Estas coisas não eram assim no passado e agora é a hora de colher os frutos de tudo o que foi feito até então”, continuou. O risco maior para o Brasil, atualmente, é o de a economia mundial passar por um processo de desaceleração e de aumento de inflação. “Mas este cenário, por enquanto, me parece extremamente impossível”, considerou, acrescentando que países da Ásia e da América Latina vêm ganhando o espaço de carro-chefe da economia, que até então era apenas dos Estados Unidos.

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