BC avalia que inflação ainda expõe economia

O Copom (Comitê de Política Monetária) avalia que “permaneceram elevados os riscos” do cenário inflacionário desde a última reunião do grupo em abril. A avaliação consta da ata do encontro realizado na semana passada e que aumentou a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual, para 10,25% ao ano.
Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, o texto revela que, se não fosse a crise na Europa, a elevação dos juros básicos seria mais expressiva que a realizada pelo comitê na semana passada.
“Duas coisas podem ser retiradas desta ata: a primeira é que, se não fosse a crise externa, a alta não seria de 0,75 ponto, seria de 1 ponto; a segunda é que os 300 pontos base que estão no mercado como ciclo total de alta para a Selic, como mostra a Focus, já não são suficientes até para o Banco Central, para a inflação convergir para o centro da meta em 2011”, destacou o economista. “O cenário está cada vez mais pautado na crise externa, o que indica que, se tivermos uma normalização neste cenário, com as commodities voltando a subir, o Banco Central provavelmente vai acelerar esta elevação dos juros”, opinou.
De acordo com a ata, “a despeito da reversão de parcela substancial dos estímulos introduzidos durante a recente crise financeira internacional, desde a última reunião permaneceram elevados os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas”. Os membros do Copom destacam que, por outro lado, nas últimas semanas “desenvolvimentos externos introduziram certa dose de cautela nas análises sobre o cenário prospectivo”.
Diante da necessidade de atenção no cenário interno e com os desdobramentos do quadro internacional, o documento afirma que “prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que competiria à política monetária agir de forma incisiva para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos”.
O Copom mudou a avaliação quanto ao ritmo da economia brasileira e considera que a demanda doméstica deixou o processo de recuperação e já está em um patamar considerado “robusto”. No documento, os diretores afirmam que “a demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito”.
Na ata de abril, os membros do BC citavam que a demanda se recuperava na época e que o crédito estava passando por uma retomada.

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