14 de abril de 2021

BB cobrava ‘pedágio’ em ações pelo PT

Depoimento de Valério diz que ex-presidente do Banco arrecadava 2% dos contratos para o partido

O empresário Marcos Valério, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão , afirmou em depoimento prestado em 24 de setembro à PGR (Procuradoria-Geral da República), que dirigentes do Banco do Brasil estipularam, a partir de 2003, uma espécie de “pedágio” às agências de publicidade que prestavam serviços para a instituição financeira pública: 2% de todos os contratos eram enviados para o caixa do PT. As informações foram publicadas na edição dessa quarta-feira (12) no jornal O Estado de S. Paulo.
Neste mesmo depoimento, Marcos Valério, operador do mensalão segundo o Supremo, disse que o esquema pagou despesas pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva e que o ex-presidente autorizou os empréstimos ao PT.
Valério, que na ocasião do depoimento já havia sido condenado no STF a mais de 40 anos de prisão, decidiu prestar o depoimento buscando, em troca, proteção e redução da pena.
De acordo com a reportagem, os repasses do Banco do Brasil às cinco agências de publicidade com as quais mantinha contrato superaram R$ 400 milhões – uma delas era a DNA Propaganda, de Valério.
Ou seja, segundo o empresário disse à PGR em setembro, os desvios dos cofres públicos que abasteceram o mensalão podem ter sido maiores do que os que levaram o STF a condenar Valério e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.
Segundo concluiu a Corte no julgamento que está prestes a se encerrar, R$ 2,9 milhões foram desviados do contrato da DNA com o Banco do Brasil para o mensalão. Outros R$ 74 milhões foram desviados do contrato da DNA com o Fundo Visanet, do qual o BB fazia parte.
Segundo Valério disse no depoimento, o suposto esquema de desvio de dinheiro público que teria de ir para a publicidade foi criado por Pizzolato e Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil, que integra a estrutura do Banco do Brasil.
Pizzolato, já condenado pelo STF por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro no julgamento do mensalão, negou que tenha cobrado “pedágio” das agências de publicidade. “Com certeza é impossível ele ter feito uma proposta dessas. Não tem a mínima possibilidade”, afirmou o advogado de Pizzolato, Marthius Lobato.

Lula está indignado

Amigo e ex-chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem que o ex-presidente não teme os desdobramentos das acusações, mas está “profundamente indignado” com as declarações de Marcos Valério, prestadas à Procuradoria-Geral da República.
Para Carvalho, além de Marcos Valério não merecer credibilidade, ele mentiu tanto “nos detalhes quanto no conteúdo mais profundo”.
Em setembro, depois de ter sido condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério afirmou à procuradores que pagou despesas pessoais de Lula em 2003, que esteve no gabinete do então presidente, e que o PT é quem banca os advogados dele.
“Ele [Lula] está sem nenhum medo, apenas profundamente indignado com a atitude desse senhor e impressionado da credibilidade que, de repente, esse que era uma espécie de fábrica de males passa a ser agora tido agora como legitimo e digno acusador. Nós sabemos que não é, infelizmente não é”, disse Carvalho. Os dois se falaram por telefone na manhã de ontem e, na conversa, Lula não escondeu a irritação com as acusações feitas pelo operador do mensalão.
Para o ministro, Lula não deve se dar ao trabalho de responder às denúncias classificadas por ele como “falácia”.

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