Basta de modelos que só colocaram centavos no bolso

Semana passada, a imprensa local e nacional divulgou amplamente a captação de recursos externos para manter a floresta preservada. Isso não é novidade, pois sempre recebemos recursos internacionais com esse objetivo. O Amazonas sempre recebeu recursos externos para manter a floresta em pé, e conseguiu, temos 97% preservada. O que não conseguimos foi manter o habitante dessa floresta em pé, não conseguimos evitar o esvaziamento, o empobrecimento e o avanço das drogas, desnutrição e da violência no interior do estado. Em síntese, o recurso aplicado até hoje não conseguiu evitar que metade da população, segundo dados do IBGE, ficasse na linha da pobreza, sem ter o que comer diariamente.

Acertamos no ambiental, erramos na geração de emprego e renda, na interiorização do desenvolvimento. Até na capital temos 600 mil pessoas na linha de pobreza. Mantivemos a floresta em pé, mas não temos sequer uma cadeia produtiva da sociobiodiversidade rodando 100%, todas com problemas, e a maioria com os produtores recebendo abaixo do custo de produção. É lógico que é bom e justo captar mais recursos, principalmente de países que já desmataram e que precisam da nossa floresta para sobreviver, mas não podemos repetir os modelos de geração de renda implementados nos últimos anos, pois levou nosso estado ao caos social e econômico no interior e na capital.

É nossa obrigação fazer diferente, pois tudo que foi feito até hoje não deu certo. Já chega de intermediários para operar esses milhões do exterior. Defendo que parte desses recursos externos deve que ir direto para o CPF de quem preservou os 97% da floresta, direto na conta dele. Já chega de repassar esses recursos financeiros para entidades que só pensam em realizar mais encontros, seminários, simpósios, congressos, comissões, grupos de trabalho, viagens e por aí vai. 

É só governador determinar o resgate das ATAS

É só o governador Wilson Lima pedir para resgatar todas as ATAS dos encontros dos últimos dez anos. Tá tudo lá registrado o que nosso caboclo precisa em todas as áreas. Principalmente as ATAS dos encontros do Conselho Estadual de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais (CDSPCT). Tá tudo lá, não precisa de novos encontros, não precisa inventar mais nada. É executar! Lembro, inclusive, que a  expressiva maioria das demandas de todos esses encontros era direcionada ao  nosso IDAM.  Então, que a outra parte desses novos recursos seja direcionada para fortalecer o quadro técnico do IDAM, ADAF e do IPAAM para agilizar o licenciamento ambiental. Repito, parte desses novos recursos tem que ir direto para a conta de quem realmente preservou a floresta, direto no CPF dele, sem intermediários.

A outra parte, para fortalecer o IDAM, ADAF e IPAAM. Só assim o Amazonas vai ter avanços significativos na soberania e na segurança alimentar e nutricional. O governador Wilson Lima tem que ouvir quem realmente entende de geração de emprego de renda. Já chega de enrolação com o nosso caboclo. Já chega de modelos que só colocaram centavos no bolso de quem preservou a floresta em pé.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] 

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