Barros assumiu conversa com mercados após Renda Cidadã, não Guedes

Enquanto o Renda Cidadã derrubou a bolsa na segunda-feira, 28, com a incerteza sobre a fonte dos recursos, quem vem assumindo as conversas com agentes do mercado financeiro sobre o impacto do programa são líderes políticos do governo, e não o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Na tarde de ontem, após o anúncio, a derradeira tarefa de conversar com agentes do mercado coube ao líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), que vinha participando ativamente das negociações sobre o programa. Barros liderou ontem uma videoconferência com dezenas de participantes do mercado para dar explicações sobre os recursos do Renda Cidadã.

O plano do governo é usar dinheiro de precatórios e do Fundeb, fundo de educação renovado neste ano. Mas, para os economistas ouvidos pela EXAME, o governo está propondo um “calote”.

O uso do Fundeb também foi criticado tanto por ser uma tentativa de burlar o teto de gastos (já que o fundo não está no teto) quanto por tirar recursos da educação. O governo já havia tentado garantir parte da PEC do Fundeb para o antigo Renda Brasil, mas a medida não passou no Congresso à época.

O Ibovespa fechou em queda de 2,41% ontem, na contramão das bolsas internacionais, que subiram. Levantamento da consultoria Economática obtido pela EXAME mostra ainda que o risco fiscal tirou quase 440 bilhões de reais da bolsa brasileira em dois meses.

Vendido na campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018 como o “posto Ipiranga” da Economia, Guedes era outrora o principal responsável por essa tarefa de passar confiança ao mercado financeiro, empresários e outros agentes econômicos. Mas, nas últimas semanas, o governo tem dado sinais públicos de que a força do ministro diminuiu.

Um vídeo que viralizou nas redes sociais na última semana mostra Guedes sendo tirado de perto de um microfone pelo próprio Barros e pelo general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo. Guedes falava, na ocasião, sobre tributos e sobre o auxílio emergencial. Já longe do microfone, o ministro da Economia ainda se voltou aos jornalistas e disse “agora tem articulação política”, apontando para o ministro Ramos.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email