4 de dezembro de 2021

Baque severo no setor de serviços faz recuperação ser demorada

Os anos de crise foram severos para o setor de serviços do Amazonas. Embora tenha criado mais empresas entre 2015 e 2017, o Estado perdeu receita e pessoal, além de sofrer queda na sua participação proporcional na região Norte. A conclusão vem da análise dos dados da PAS (Pesquisa Anual de Serviços), divulgada nesta quarta (28), pelo IBGE. 

O número de empresas no Amazonas subiu 17,27% entre 2015 (5.820) e 2017 (6.825), bem acima da média nacional (+0,33%). Diferente do Brasil, o crescimento na quantidade de estabelecimentos no Estado foi contínuo no período, ao passo que o país sofreu uma queda entre 2016 e 2017, após a alta em relação ao ano anterior.

A receita bruta das empresas amazonenses caiu 3,62% entre 2015 (R$ 16,57 bilhões) e 2016 (R$ 15,97 bilhões), tendo conseguido alguma recuperação em 2017 (R$ 16,73 bilhões), ao avançar 4,76% sobre o ano anterior. O desempenho foi inferior ao do Brasil, cujo faturamento avançou sem parar, no triênio: R$ 1,58 trilhão (2016), R$ 1,63 trilhão (2016) e R$ 1,69 trilhão.

E o total de trabalhadores no Amazonas, que era de 125.718 em 2015, recuou 6,23% em 2016 (117.881). Avançou 6,35% em 2017 (125.373), embora sem conseguir chegar ao patamar anterior. Na média brasileira, por outro lado, o setor de serviços amargou uma queda continua nesse intervalo de tempo.

A redução dos quadros não se refletiu da mesma forma nos salários, retiradas e outras remunerações dos serviços no Amazonas. Houve retração de 3,26% em um primeiro momento – de R$ 2,76 bilhões (2015) para R$ 2,67 bilhões (2016) – e recuperação no segundo, com alta de 4,12% em 2017 (R$ 2,78 bilhões). O Brasil também não experimentou quedas neste caso.

Levando em conta um intervalo maior de tempo, a região Sudeste perdeu participação, ao passo que outras regiões brasileiras, como o Norte, ganharam. O Amazonas (36,3%) e o Pará (37%), por outro lado, seguiram concentrando a receita bruta regional. Isso não impediu que o Amazonas perdesse 3,6 pontos percentuais em dez anos, em detrimento de Tocantins ganhou (+2,4 p.p.). 

“Você espera sempre desconcentração regional. As pessoas e as empresas estão sempre se deslocando em direção a Estados e regiões onde os fatores de produção são mais favoráveis, mais baratos”, avaliou a gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Synthia Santana, em entrevista à Agência Brasil.

Verticalização forçada

No corte por segmentos, apenas os serviços de manutenção e reparação e as atividades culturais, recreativas e esportivas, bem como as divisões de outros transportes e de correio e atividades de entrega sofreram baixa na quantidade de empresas entre 2015 e 2017, no Amazonas.

No mesmo período, os melhores desempenhos de receita bruta e pessoal ocupado nas empresas do setor no Estado vieram dos serviços prestados às empresas, atividades de ensino continuado e atividades imobiliárias. Os piores resultados ficaram nos serviços de transporte rodoviário, serviços de alojamento e alimentação.

O presidente do Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Manaus), Aldo Oliveira, conta que, no início de 2015, o segmento teve queda significativa na frota em circulação, que se manteve estável no ano seguinte, para sofrer novo abalo em 2017, em virtude da flutuação da demanda no PIM.

“As fábricas ficaram segurando o efetivo para não demitir e ter custos trabalhistas. Algumas até reduziram a terceirização para manter o pessoal ocupado, esperando aquecimento. Seguimos 2018 com alguma estabilidade e entramos em 2019 com um aquecimento vindo do polo de duas rodas, mas com pouca demanda nos outros segmentos. Esperamos um 2020 melhor, porque este ano está perdido”, lamentou.

Retomada e informalidade

Na mesma linha, o presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seccional Amazonas), Fabio Cunha, lembra que, em um panorama de crise, uma das primeiras coisas que o consumidor acaba cortando é o gasto com alimentação fora de casa, reduzindo o número de saídas semanais a restaurantes ou procurando estabelecimentos mais baratos.

“Muitos estabelecimentos bons, que pagavam seus impostos, atendiam as boas normas de manipulação de alimentos e cumpriam normas trabalhistas acabaram fechando. E a informalidade aumentou. Hoje, quem passa pelo Centro vê a guerra do prato de comida por R$ 10. Essa conta não fecha para os custos das empresas que trabalham na legalidade”, desabafou.

O dirigente avalia, contudo, que após os anos mais agudos da crise, o quadro atual é de ensaio de retomada. “As perspectivas são boas. Já vimos alguma recuperação, principalmente na virada do semestre. Parece que o consumidor está mais confiante com as mudanças na economia. Mas, ainda estamos longe do patamar em que estávamos antes da crise”, arrematou.

 

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