Bancos internacionais veem dólar a R$ 4,50 sustentado por commodities

Os principais bancos globais apostam em uma valorização do real ainda mais acentuada nos próximos meses e consideram a moeda cotada a R$ 4,50 por dólar um valor “conservador”. A divisa dos EUA fechou esta quinta (24) cotada a R$ 4,9050 -ou seja, ainda haveria espaço para uma desvalorização de 8%.

Em suas previsões, o Brasil caminha para ter o melhor resultado em suas contas externas desde o biênio 2003/2004 -o que favorece a apreciação do real.

Em novo relatório divulgado nesta quinta, o IIF (Institute of International Finance), que reúne 450 bancos e fundos de investimentos de 70 países, sustenta que a valorização das commodities exportadas pelo Brasil é de tal proporção que afasta até o temor de descontrole das contas públicas. Nesse cenário, o governo também tende a arrecadar mais com a atividade em geral e os negócios de exportadores.

O IIF afirma que diferentes narrativas vinham empurrando o real para baixo até recentemente. Primeiro, o fato de a pandemia da Covid-19 ter derrubado os preços e a demanda por matérias-primas no mundo todo, diminuindo a entrada de dólares no Brasil.

Depois, quando as commodities começaram a se recuperar, era a frágil situação fiscal brasileira -e a necessidade de mais gastos para estimular a economia- o motivo para as incertezas e a fraqueza do real.

“Somos céticos em relação a essas narrativas. O aumento dos preços das commodities desde o anúncio das vacinas contra a Covid, em novembro, foi considerável, elevando substancialmente os termos de troca [a favor do Brasil]”, afirma o relatório.

“Como resultado, qualquer prêmio de risco [no câmbio] relacionado ao estímulo fiscal teria que ser irrealisticamente grande para justificar os níveis atuais [de desvalorização] do real brasileiro. Vemos como conservador um valor de R$ 4,50”, diz o IIF, sugerindo que a moeda pode ser cotada abaixo disso.

Termos de troca é como se define a relação entre os preços das exportações de um país e das importações que realiza. Quando há melhora nos termos de troca, ocorre um aumento da renda real, o que permite aos agentes econômicos, por exemplo, importar mais produtos com o mesmo valor de suas exportações.

No ciclo de commodities anterior, a partir de 2003/2004, foram os termos de troca que impulsionaram o aumento da renda real do Brasil e a realização, pelo setor privado, de mais investimentos a partir de máquinas e equipamentos importados, por exemplo.

O IIF projeta que o Brasil poderá alcançar nos próximos meses um superávit em conta-corrente (nas transações com o resto do mundo) equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em razão da alta das commodities e da melhora nos termos de troca.

“A combinação de elevados termos de troca e um real deprimido [barato em relação ao dólar] está impulsionando o resultado da conta-corrente do Brasil, que em abril registrou superávit recorde”, afirma o IIF.

Na prática, isso significa que mais dólares devem entrar no país -daí a previsão de queda do ante o real.

Fonte: Folhapress
Foto/Destaque: Divulgação

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