19 de agosto de 2022
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‘Bancada faz política do quanto pior melhor’

MARCELO PERES

Face: @marcelo.peres   Twitter: @JCommercio

O deputado estadual Fausto Jr (UB) ficou sob os holofotes da mídia nacional ao participar da CPI da Pandemia no Senado. Foi um dos personagens convocados pelos senadores para falar sobre a mais grave crise sanitária que atingiu o Amazonas, motivando as investigações das medidas de enfrentamento à Covid-19 por parte do governo federal.

O parlamentar também presidiu a CPI da Saúde na Assembleia Legislativa, culminando com a prisão e indiciamento de suspeitos. Agora, ele parte para o seu maior desafio como pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal, onde pretende lutar em defesa da ZFM (Zona Franca de Manaus) e ser um representante legítimo das expectativas da população amazonense.

Fausto Jr é egresso da nova geração de políticos que têm, hoje, como maiores lideranças o prefeito David Almeida (Avante) e o atual governador Wilson Lima (UB). Ele critica os grandes caciques do Amazonas. Para o deputado, esses representantes pouco fizeram para melhorar a vida das pessoas na região, recorrendo a estratégias que só ludibriam o povo, sem dar a contrapartida na geração de mais benefícios.

O parlamentar também é um crítico contumaz dos atuais deputados federais e senadores que representam o Estado no Congresso Nacional. “A nossa atual bancada faz a política do quanto pior melhor”, afirma o deputado, referindo-se a um jogo de interesses predominante, mantendo feudos que só se interessam em permanecer no cargo, desfrutando de foro privilegiado.

“Não existe hoje mais lugar para essa política. Acredito que haverá uma grande renovação na nossa bancada federal nas próximas eleições”, acrescenta. “As pessoas estão mais conscientes e estão de olho nos políticos que só aparecem nos momentos de eleições”, afirma.

Fausto Jr aborda outros temas nacionais. Ele comunga das mesmas propostas do presidente Jair Bolsonaro (PL) que, segundo avalia, vive sob um fogo cruzado constante de uma oposição que só quer denegrir a imagem do governo. O parlamentar aponta ainda uma espécie de terrorismo em torno dos decretos presidenciais que reduziram o IPI. E considera que são medidas benéficas porque permitem a aquisição de produtos mais baratos Brasil afora.

“Outras regiões também precisam desfrutar desses benefícios. Esses decretos têm data para acabar. E jamais irão culminar na fuga de empresas que operam há mais de 30 anos na região”, avalia.

Fausto Jr participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – É o seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa. E agora está postulando um outro cargo. Percebe alguma diferença entre os bastidores da eleição deste ano em relação à anterior?

Fausto Jr. – Observamos que permanece a insatisfação da população com a velha política. Tenho certeza que o povo tem mais consciência. Então, eu me incluo nessa leva de novos políticos.

A gente tem trabalho para mostrar. A população vê que somos capazes de fazer. No decorrer da minha atuação parlamentar, continuo defendendo, pleiteando um cargo como deputado federal, fazendo o que a gente já faz na Assembleia. A gente percebe que existe essa necessidade.

JC – Em que momento ocorreu essa decisão de pleitear uma vaga na Câmara Federal?

FJ – Fiz um mandato sem aspirações por cargo, sem apego ao poder, não fazendo da política uma profissão. Enxergo a política como um propósito, uma missão.

Nesses quatro anos, procurei fazer o melhor mandato possível. O povo confiou em mim, acreditou no meu projeto, e essas pessoas merecem uma boa atuação de minha parte, acreditando em políticos mais jovens.

Tenho certeza que meu sucesso tem inspirado outros jovens a dar o seu melhor, entregando, dessa forma, algo diferente para a sociedade.

Hoje, lamentavelmente não se vê uma boa atuação da nossa bancada federal. Vemos uma bancada fazendo aquela política do quanto pior melhor, apenas apontando o dedo, sem encontrar nenhuma solução para os problemas.

Tem sido assim com a Zona Franca de Manaus e com diversos outros temas, principalmente em relação ao nosso coordenador Omar Aziz. Ele está torcendo pelo fracasso do Brasil, para que ele, então, possa se reeleger, o ex-presidente Lula também.

Mas ele (Omar Aziz) não percebe que o fracasso do Brasil é também o fracasso da população, o sofrimento do povo. E a gente tem que exatamente combater esse momento. Não podemos mais aceitar políticos na bancada federal que visam sua reeleição para garantir o seu foro privilegiado.

Político que está sujo na justiça tem que primeiro se resolver na justiça para ter credibilidade e voltar a ocupar o cargo. Então, é contra isso que nós colocamos à disposição da população.

JC – Quais suas bandeiras de luta?

FJ – Tenho duas bandeiras que podem muito bem resumir o meu caráter. A família e a geração de empregos. São dois temas que defenderei de forma intransigente. Nada é mais sagrado você ter o direito de dar uma boa criação para seus filhos.

O papel da família pertence à família, não pertence ao Estado. Sou pai, e jamais me sentiria confortável se esses temas fossem tratados por outras pessoas.

Precisamos criar condições para a geração de empregos. Durante o meu mandato, fui um ferrenho defensor do fim do monopólio do gás natural em nosso Estado. Graças a isso, conseguimos aprovar um projeto de emenda constitucional que garantiu a implantação da empresa Eneva nos municípios de Silves e Itapiranga, gerando milhares de empregos.

Sou um ferrenho defensor da exploração de potássio nos municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte. Será uma grande alternativa. E ainda defendo a ZFM. A população muito nos cobra e também a bancada federal.

Muito se falou de ataques à ZFM, mas quase nada se apontou de soluções, por parte da nossa bancada federal, para fortalecer o projeto e torná-lo independente.

Não sou a favor de criarmos um modelo que substitua a Zona Franca, enxergo a ZFM como um modelo de sucesso. Mas não podemos também só ter essa atividade, precisamos defender outros modelos que venham a desenvolver principalmente o interior do Amazonas.

Sou radicalmente contra a exploração mineral irregular. Precisamos enxergar a viabilidade para que empresas possam se instalar no interior, respeitando as leis ambientais e gerando empregos e renda.

JC – O que o sr. pensa sobre a BR-319?

FJ – Precisamos fazer investigações. Houve todo tipo de diálogo. Eu mesmo participei de audiências públicas promovidas pelo Dnit e o Ibama, que aconteceram em Manaus e em alguns municípios, no entorno da BR-319.

Mas há uma morosidade muito grande. Precisamos , juntamente com a justiça, o Ministério Público e o governo federal, encontrar uma maneira definitiva para que a gente possa destravar a BR-319.

Vimos que o ex-ministro Tarcísio Freitas e o presidente Bolsonaro já incluíram no orçamento federal a recuperação da BR-319, mas isso está travado por questões ambientais e impasses judiciais.

Precisamos inclusive fazer uma CPI para investigar a influência que sabemos que existe por parte dos terminais portuários para que não seja recuperada a BR-319.

Há relatos de que existem explosões ao longo da BR-319 com esses interesses. É o grande papel do legislativo fazer a mediação entre os poderes para solucionarmos os problemas.

JC – Nesta eleição, fala-se das dificuldades que teremos em relação à concorrência para deputado federal. Estima-se que será um dos pleitos mais concorridos. Praticamente, observamos que feudos se repetem no cargo. Como avalia o cenário para a disputa deste ano? Acredita que há espaço para renovação?

FJ – Acredito que não existem mais feudos na política. E nem donos dos votos. O dono do voto é o povo, sem dúvida. Graças a isso, temos Bolsonaro na Presidência da República, o governador Wilson Lima, que são dois exemplos.

Se avaliarmos do ponto de vista histórico, são duas pessoas que não foram apadrinhadas e agora ocupam esses cargos, respectivamente.

Em 2018, a população deixou claro um recado de que não existe dono de voto, de cargos, e que tudo realmente é uma questão da vontade popular.

Creio que nesta eleição nós vamos definitivamente romper com uma política com a qual a população já está cansada.

Uma política que se estagnou, não tem falado a linguagem do povo. Não temos dúvida que haverá uma renovação expressiva na nossa  bancada federal. Quem tem medo do povo não vai pra urna.

JC – A maioria dos nossos municípios depende do setor primário, mas se enfrenta a gangorra dos licenciamentos ambientais, como a piscicultura, envolvendo a lâmina d´água. Caso eleito, o sr. visualiza alguma forma para desenvolver o interior do Estado?

FJ – Quando se esbarra nas licenças ambientais, você vai estar obrigando as pessoas a trabalharem na informalidade. A população do interior nasceu e se criou fazendo essas atividades.

Então, precisamos primeiramente separar o produtor que atua na sua subsistência daquele que vai desmatar grandes áreas de terra, trazendo danos para a floresta amazônica.

Fazendo essa separação, poderíamos fazer uma política de incentivos. Hoje, o grande desafio do produtor rural é poder vender a sua produção. Precisamos fazer com que haja menos dependência das prefeituras. E dar dignidade às pessoas. O Auxílio Brasil vem numa hora muito boa  porque estamos em um processo de pós-pandemia.

Podemos explorar ouro no Madeira, de forma regulamentada, como se faz em Itaituba e no Canadá, atraindo novos investimentos. Precisamos qualificar as pessoas e transformar a vida delas.

JC – O sr. foi relator da CPI da Saúde na Assembleia. E falou que de alguma forma sua participação no Congresso estimulou a buscar essa representação no âmbito federal. Qual foi esse aprendizado num momento em que o mundo todo ficou tocado com a pandemia?

FJ – Durante a minha relatoria na CPI da Assembleia, tive oportunidade de visitar todas as unidades de saúde e enxergar os problemas que governos anteriores passaram para o governo atual.

É impossível, depois de dez anos, se fazer uma saúde de forma errada. O governador Wilson Lima recebeu o governo com mais de 90% dos leitos de UTI ocupados. Ali, você já percebia que a saúde já estava à beira do colapso graças à corrupção e à má gestão de governos passados.

E enfrentamos esse problema de forma muito firme. Com a CPI, apesar do pouco espaço de tempo, fizemos uma investigação minuciosa daquilo que aconteceu. E entregamos um relatório, não somente punindo as pessoas que realmente vieram a cometer alguma irregularidade, sugerimos o indiciamento de 50 pessoas.

E destas 14 foram presas. E as outras ainda estão sendo alvos de investigação por parte do Ministério Público e dos demais órgãos de controle.

O grande legado da CPI foi o lado pedagógico das recomendações para que a saúde viesse a funcionar. A recomendação mais importante é o fim de se fazer a questão dos processos indenizatórios.

Hoje, temos conhecimento de que a Secretaria de Saúde está preparando uma licitação em lotes que vai contemplar todos os serviços prestados no setor. Quando você tem um serviço licitado, o fornecedor tem mais garantias de que vai receber.

Então, a minha experiência é de muita gratidão porque nós pudemos contribuir para que problemas que se arrastavam por muitos anos encontraram seu fim neste mandato, entregando o Amazonas de uma forma melhor.

JC – Na Assembleia, o sr. defendeu a realização de eventos para desenvolver o interior. Realmente, é um caminho?

FJ – Mesmo quem não goste desses festivais, eu que venho de uma criação evangélica, precisamos reconhecer a movimentação econômica gerada nos municípios. Não me refiro somente ao Festival de Parintins.

Praticamente, todos os municípios têm o seu festival. As prefeituras se preparam o ano inteiro para fomentar o turismo. É um momento muito importante. Toda a economia das cidades está sendo estimulada.

Estamos vendo uma campanha nacional de tentar brecar essas festas. Defendo que o município realize a festa se tiver condições.

Defendemos que os municípios não usem verbas parlamentares para fazer as festas. Para cada 1 real que se gaste com esses festejos, há um retorno de 3 a 4 reais. A população ganha com isso. Todos só enxergam os gastos, mas não veem o retorno

JC – O Amazonas é um Estado continental, de complexidades logísticas. Como o deputado Fausto Jr. faz para ser, realmente, representante dos municípios, favorecendo as populações?

FJ – Hoje, as redes sociais são uma ferramenta muito grande. Conseguimos falar praticamente com as pessoas no Amazonas inteiro.

Mas não é suficiente somente pelas redes sociais. Precisa trabalhar os quatro anos de mandato para mostrar os resultados. Na campanha de 2018, ouvi muitas pessoas reclamarem de que o político só aparece nos momentos de eleição.

Esse é o político que fez da política a sua profissão. A política tem que ser vista como um propósito, quase como um sacerdócio. Visitei mais de 40 municípios durante o meu mandato. E muitos problemas que eu resolvi foram os que eu mesmo vi conversando com as pessoas.

JC – Nessa época de campanha, o contato com a população fica mais intenso. O que o sr. tem mais ouvido nesses encontros?

FR – Em primeiro lugar, empregos. Não existe política social melhor que dar empregos à população. Precisamos dar condições necessárias para que isso aconteça.

No próximo ano, vamos discutir a reforma Tributária, e iremos ter realmente uma noção como  será a questão em relação à ZFM e também sobre a nossa competitividade. E ainda sobre os empregos que são gerados aqui.

Precisamos de pessoas que acreditem no melhor do Brasil, independente de quem esteja no cargo de presidente da República, de projeto e interesses políticos. Vamos fazer uma política republicana.

Precisamos ter pessoas republicanas na nossa bancada federal, pessoas de bem. Esse é um grande desafio que a gente enxerga.

JC – O sr. falou sobre a reforma Tributária. O governo federal tem olhado a ZFM com vários problemas, colocando inclusive empecilhos, com decretos presidenciais. Reeleito Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes continua. Será que iremos vivenciar novamente esses sobressaltos? E o que pretende fazer?

FJ – O importante é fazer um balanço do que foi a Zona Franca de Manaus nos últimos quatro anos. A ZFM cresceu cerca de 20% no último governo. E existe, sim, um terrorismo proporcionado por muita polêmica, na minha opinião, por parte da bancada federal, que são oposição declarada ao presidente Bolsonaro, para prejudicar a sua gestão no governo federal.

No primeiro governo da presidente Dilma Rousseff, houve também um decreto direcionado ao IPI. E eram os mesmos parlamentares que enxergam agora isso como um juízo final da Zona Franca.

A gente não pode generalizar um decreto que tem prazo para terminar. O decreto foi positivo porque barateou muitos produtos Brasil afora. Foi negativo para a Zona Franca? Foi. Mas isso não foi suficiente, durante três meses, para afetar empresas que têm operações há mais de 30 anos aqui.

Sou defensor do modelo ZFM. Acredito que o Amazonas tem 90% de sua floresta preservada graças ao modelo. Segundo a FGV, para cada 1 real renunciado em impostos na Zona Franca, tem um retorno de 1 real e 30 centavos.

Essa não é a opinião do deputado Fausto Jr. É fruto de um estudo de administração de uma instituição mais séria no Brasil.

Acredito que esse modelo tem que ser difundido em outros Estados, inclusive. E que se preserve os benefícios daqui.

Dessa forma, permitiremos que o Brasil se desenvolva de forma mais igual. Pretendo ir até Brasília defender os benefícios fiscais, mas vou também propor a geração de outras alternativas econômicas.

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