Bancada amazonense pede por vacinação em massa no AM

Diante da resiliência das estatísticas de contaminações, internações hospitalares e mortes por covid-19 em Manaus e nos municípios do interior, a bancada federal do Amazonas no Congresso reforçou, nesta semana, o apelo ao governo federal para que o Estado receba mais vacinas para promover uma imunização em massa – especialmente na capital – para evitar uma proliferação da nova cepa do vírus pelo restante do país.   

O esforço pode ter recebido sinalização positiva nesta quinta (11), quando o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, disse que a vacinação de pessoas com mais de 50 anos de idade será antecipada em Manaus. O comentário foi feito, durante sessão do Senado para cobrar esclarecimentos ao Planalto sobre o processo de vacinação e as demais medidas federais contra a pandemia. O ministro garantiu que nenhum Estado sairá perdendo e que tudo será feito na “primeira pernada”, mas não adiantou datas ou concedeu maiores informações sobre o planejamento ou de onde as vacinas de fato vão sair.

Durante a sessão, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) cobrou do ministro a constituição de uma força-tarefa para vacinação em massa no Estado. “É preciso fazer mais, de forma objetiva e prática. A única resposta que temos, ministro, é se Vossa Excelência, as Forças Armadas, o Estado e o município se mobilizarem para essa vacinação”, reforçou. Na semana passada, o parlamentar já havia apresentado um Projeto de Indicação no Senado para encaminhamento urgente de 1 milhão de doses de vacinas para o Estado. 

Braga também discordou do ministro, ao salientar que a crise sanitária no Amazonas está longe de ser resolvida. “Não está tudo bem. Não está tudo certo. E não foi feito tudo que poderia ser feito”, afirmou. O político também lembrou ao titular da Saúde que já havia previsto, em reunião entre ambos, ocorrida em dezembro de 2020, que o Estado iria enfrentar uma “onda muito grave”. Alertou ainda que o Amazonas ainda não saiu da crise do oxigênio, especialmente no interior, e estimou que os números de mortes por covid-19 no Estado devem ser mais elevados do que as estatísticas permitem perceber, já que “tem gente morrendo sem passar por hospital”.

“Tragédia sanitária”

Em discurso na sessão plenária da Câmara, também na quinta (11), o deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) defendeu a vacinação em massa como medida mais efetiva de combate ao coronavírus no Amazonas – e especialmente em Manaus. O político reforçou que a nova cepa da doença, identificada no Amazonas, e responsável por grande parte dos infectados, pode ser levada a todo país, caso não haja controle efetivo da pandemia no Estado. 

“A vacinação vai dificultar o vírus de se proliferar no restante do país. Não podemos ser presunçosos e achar que o problema está só em Manaus. O problema vai se alastrar para o restante do país, se a gente não agir hoje. O cientista que previu o colapso em Manaus, em agosto de 2020, disse que precisamos vacinar em torno de 80% da população do Amazonas para evitar uma tragédia sanitária e econômica na nossa nação. O Brasil precisa se mobilizar”, defendeu, pedindo ajuda aos demais deputados para acionarem o Ministério da Saúde para solicitar a vacinação em massa no Estado. 

Mutirão pela vacina

Outros representantes do Amazonas no Congresso já haviam empreendido esforços para sensibilizar o Executivo federal em torno da necessidade estratégica de priorizar o Amazonas e conter a segunda onda no Estado, com vacinações em massa. Na quarta (10), o vice-presidente da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) pediu a Pazuello o envio de cerca de 1 milhão de vacinas, para imunizar a população de Manaus com mais de 18 anos. 

“Meu grito de socorro se justifica porque o meu Estado vive a maior tragédia de sua história, em que milhares de amazonenses morrem de covid pela falta de oxigênio e de um atendimento adequado. Como não temos como vacinar com celeridade todo o país, preservamos vidas dos amazonenses e dos brasileiros. Isso porque a imunização em massa serviria como uma barreira sanitária, evitando que essa nova cepa do vírus, mais contagiosa, se espalhe por todos os estados brasileiros”, declarou. 

Ramos diz que, diante do drama que persiste no Amazonas, é preciso unir esforços para conter a nova cepa do vírus em um mutirão de vacinação, que envolva os governos federal e estadual, prefeituras, Vigilância Sanitária e o Exército Brasileiro. Defendeu ainda que as pessoas que tiveram contato com os pacientes do Amazonas removidos para tratamento em outros Estados também devem ter prioridade na vacinação. “Faço esse apelo, também aos governadores, para que entendam que o que proponho não é a proteção única e exclusiva da população do meu Estado, mas uma medida de proteção ao Brasil”, reafirmou.

Emenda parlamentar

Também preocupado com a crise sanitária no Estado, o deputado federal José Ricardo (PT-AM) enviou expediente, nesta sexta (12), ao coordenador da bancada federal do Amazonas, senador Omar Aziz (PSD), solicitando que os parlamentares façam aquisição, por meio de emenda parlamentar, de 1,5 milhão de doses de vacinas contra a covid-19 para ampliar a imunização aos amazonenses. No documento, ele propõe a realização urgente de uma reunião entre os membros da bancada para discutir esse assunto.

Em outro documento enviado à coordenação da bancada, o político solicita a realização de uma reunião conjunta da bancada federal, parlamento estadual, governo do Estado, AAM (Associação Amazonense de Municípios) e representação da Câmara de Vereadores do Amazonas, para buscar estratégias conjuntas de enfrentamento à pandemia de covid-19 no Estado, no que diz respeito à aquisição de vacinas e a ações voltadas para estruturação da rede de saúde pública, bem como a recuperação da economia.

A velocidade a vacinação no Estado também é motivo de preocupações. A estimativa é que, até esta quarta (10), apenas 4% da população do Estado –  estimada pelo IBGE em mais de 4,2 milhões de pessoas – já havia sido imunizada, com pouco mais de 172 mil doses de vacinas contra covid-19, conforme dados da FVS (Fundação de Vigilância e Saúde). “Se continuar assim, iremos demorar quatro anos para vacinar em massa, e a situação requer urgência”, arrematou, acrescentando que já enviou Indicação ao Ministério da Saúde para que 70% da população do Estado seja imunizada.

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email