Balança tem superavit de US$ 4,527 bi

Balança comercial apresentou o maior superavit do ano em junho, de US$ 4,527 bilhões

A balança comercial brasileira apresentou o maior superavit do ano em junho, de US$ 4,527 bilhões, refletindo uma melhora do desempenho das exportações. Com o saldo de junho, o país fechou o semestre com um superavit comercial, de US$ 2,222 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
No mês, as vendas externas somaram US$ 19,628 bilhões, maior valor do ano. O resultado ainda é inferior ao mesmo período do ano passado (-8,7%), mas a diferença diminuiu -em maio, as exportações encolheram 15% na comparação anual.
O fluxo este mês foi reforçado pela exportação “artificial” de uma plataforma de petróleo, na primeira semana do mês, no valor de US$ 690 milhões. Trata-se de uma operação legal mas estritamente contábil em que uma empresa, para obter vantagens fiscais, registra a exportação da plataforma, mas o equipamento não deixa o país.
As importações seguiram em queda em junho, refletindo a fraca demanda doméstica em meio à retração econômica. No mês, o recuo foi de 20,6% na comparação com o mesmo período de 2014. No semestre, a queda acumulada foi de 18,5%.
Na semana passada, o ministro Armando Monteiro disse que o país deve fechar o ano com um superavit comercial de US$ 5 bilhões a US$ 8 bilhões.

Avaliação
O diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fábio Silveira, avaliou nesta quarta-feira (1°) que o saldo da balança comercial brasileira pode chegar a US$ 10 bilhões em 2015 após o superavit de US$ 2,222 bilhões no acumulado do primeiro semestre e ainda do saldo positivo de US$ 4,527 bilhões em junho.
Com isso, a consultoria irá rever, segundo ele, as projeções de um saldo positivo para este ano entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. No entanto, para o economista, o superavit de 2015 será puxado mais pela retração nas importações ocorrida pelo enfraquecimento da economia brasileira do que pela melhora nas exportações.
“O resultado da balança comercial é bom, mas não é nobre, porque se faz às custas de uma contração do nível de atividade doméstico, com menos importação. Houve uma queda nas importações em setores de bens de capital e de produtos de bens de consumo porque a economia está mergulhando”, disse. “Por outro lado, um pedaço dessa redução de importação ocorreu também porque o Brasil produziu mais petróleo. Resta saber se esse crescimento na produção de petróleo será sustentável”, completou Silveira.
Apesar de considerar surpreendente o desempenho da balança comercial em junho, Silveira avaliou ainda ser cedo para falar em uma arrancada na economia a partir do setor externo. “O processo de recuperação de uma economia como a brasileira tem de começar pelo setor externo, mas é preciso ver como será o desempenho em julho e nos meses seguintes. Além disso, se consolidada, a melhora no setor externo só trará benefícios para economia daqui a um ano, no segundo semestre de 2016”, explicou
Caso o desempenho da balança siga positivo e sustentável nos próximos meses, o caminho de recuperação da economia a partir do setor externo começará, segundo o diretor de pesquisa econômica da GO Associados, pelo sobra de dólares e a consequente redução no risco cambial e do risco país. “Isso acalmaria o setor externo, haveria um horizonte maior de estabilização de câmbio e a inflação cederia lá na frente”, concluiu.

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