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Balança cresce 17,88% no semestre

A corrente de comércio exterior do Amazonas totalizou US$ 8.57 bilhões no primeiro semestre, constituindo uma escalada de 17,88% sobre o patamar do mesmo período do ano passado (US$ 7.27 bilhões). Mas, a soma das exportações e importações tombou 25,15% na passagem de maio (US$ 1.43 bilhão) para junho (US$ 1.22 bilhão), ficando bem distante do pico de janeiro (US$ 1.63 bilhão). Também foi 8,93% inferior ao patamar de 12 meses atrás (US$ 1.12 bilhão). Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e estão no site do Comex Stat.

As exportações somaram US$ 71.09 milhões e desceram 21,57% frente à marca vitaminada de maio (US$ 90.64 milhões), além de encolherem 23,15% diante do dado do mesmo mês de 2023 (US$ 92.07 milhões). Já as importações (US$ 1.15 bilhão), que são predominantes no comércio exterior amazonense, encolheram 14,18% na virada mensal, mas expandiram 11,65% no confronto com o dado de 12 meses atrás (US$ 1.03 bilhão). O acumulado do ano rendeu altas de 13,52%, para as vendas externas (US$ 557.96 milhões), e de 18,14%, para as aquisições no estrangeiro (US$ 8.01 bilhões).

A análise trimestral, que é usada para captar tendências, indica que, passada a recuperação pós-vazante histórica, o movimento de fortalecimento de estoques para fazer frente a uma nova crise hídrica vem perdendo força. As compras dos agentes econômicos do Estado no mercado estrangeiro somaram US$ 3.84 bilhões no trimestre encerrado em junho de 2024, 7,91% a menos do que no acumulado de janeiro a março deste ano (US$ 4.17 bilhões). A mesma comparação confirmou recuo de 6,07% nas vendas externas do Estado, com US$ 270.24 milhões contra US$ 287.71 milhões.

Insumos e manufaturados

Dominado por insumos para o PIM, o ranking de importações também teve combustíveis e manufaturados prontos, em junho. A lista foi encabeçada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 244.29 milhões); discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 97.45 milhões); e óleos de petróleo” (US$ 97.24 milhões). Com 564 registros, a pauta incluiu também polímeros de etileno (US$ 78.62 milhões); partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 52.63 milhões); “hidrocarbonetos cíclicos” (US$ 38.30 milhões); máquinas e aparelhos de ar condicionado (US$ 34.99 milhões); celulares (US$ 34.29 milhões); e partes e peças para áudio e vídeo (US$ 8.70 milhões).

Em junho, a China (US$ 440.77 milhões) renovou sua liderança entre os maiores fornecedores para o PIM, superando o resultado de um ano atrás (US$ 407.21 milhões) em 8,24%. As demais colocações foram ocupadas por Estados Unidos (US$ 115.27 milhões), Rússia (US$ 96.97 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 86.42 milhões), Vietnã (US$ 83.45 milhões), Coreia do Sul (US$ 78.57 milhões), Japão (US$ 46.25 milhões), Índia (US$ 30.69 milhões), Tailândia (US$ 24.95 milhões) e Indonésia (US$ 20.54 milhões), entre as 94 nações que venderam produtos ao Estado, no mês passado. 

Do lado das exportações, as preparações alimentícias/concentrados (US$ 16.49 milhões) voltaram a o topo do pódio. Mas, as motocicletas (US$ 7.40 milhões) ficaram apenas em quarto lugar, perdendo por uma margem para ouro (US$ 16.38 milhões) e ferro-ligas/nióbio (US$ 8.23 milhões), em meio a um rol de 382 itens. “Outras máquinas e aparelhos para escritórios”, como dispensadores automáticos de papel moeda (US$ 2.41 milhões) surgem logo em seguida, mas os próximos manufaturados do PIM aparecem somente na nona, 15ª 16ª colocações em diante: celulares (US$ 1.11 milhão), barbeadores (US$ 691.107) e canetas (US$ 646.905), entre outros.

A Alemanha (US$ 16.39 milhões) retomou sua liderança entre os destinos das exportações amazonenses, em junho, graças quase que exclusivamente à compra de ouro. Foi secundada pela China (US$ 11.13 milhões) – que comprou prioritariamente ferro-ligas/nióbio. Na sequência, entre os 69 países que compraram produtos do Estado, vieram EUA (US$ 6.78 milhões) e Venezuela (US$ 6.39 milhões) – cujas transações foram dominadas por alimentos e medicamentos, não necessariamente fabricados localmente. Bolívia (US$ 6.04 milhões), Argentina (US$ 4.24 milhões) e Colômbia (US$ 3.64 milhões), entre outros, por outro lado, se destacaram pela aquisição de manufaturados do Polo Industrial de Manaus.

“Mudança de expectativa”

Na análise do diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam, e professor da Ufam, Augusto Cesar Barreto Rocha, os números podem indicar uma possível mudança de expectativas na indústria incentivada, diante de uma conjuntura de avanço do dólar e freio no corte dos juros, assim como a escalada nos preços dos fretes. Até então, o especialista trabalhava com um cenário de possível reversão do comércio exterior amazonense somente a partir de setembro, por conta da seca.

“O que mais me chamou a atenção foi a redução da importação, que me parece um pouco cedo para acontecer, frente ao fluxo dos mercados e preparações da seca potencial. Fiquei com a impressão de um cenário de incerteza. As expectativas não parecem boas e por isso há uma contenção nas importações. Teremos que ver se o mercado continuará positivo. Com os estoques abastecidos, as empresas devem lidar com o preço para regular a relação da oferta com a demanda, e também com a questão cambial, que pode estar ganhando novo patamar de importância”, ponderou.

Augusto Cesar Barreto Rocha também destaca outros dados apresentados pelo levantamento. “A questão dos metais preciosos pode ter vinculação com a indústria de semicondutores, que demanda este tipo de metal em alguns segmentos. Ou mesmo do mercado tradicional de objetos de luxo. Já o setor de petróleo e combustível é um caso à parte, e precisa ter sua análise mais conectada com a dinâmica global, local e regional, com as flutuações de oferta e demanda específicas”, conjecturou.

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, ressaltou que os dados de importações seguem “dentro do esperado”. Na análise do especialista, os números indicam aumento na quantidade de vendas de componentes do PIM, oriundas da China e demais fornecedores asiáticos. 

“Nas exportações, há uma ascendência do ouro, em volume que tem surpreendido. É um produto que tem se tornado muito atrativo para o mercado internacional, principalmente a Europa. Com relação, aos manufaturados do PIM, há a pulverização dos concentrados para os demais países da América Latina. Ainda não temos motivos para preocupações. Acredito que o comércio exterior tende a crescer em 2024, por conta da abertura de novos mercados”, finalizou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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