Balança comercial do Amazonas mostra agora paralisia econômica

A crise do Covid-19 derrubou a corrente de comércio exterior do Amazonas, em abril. O retrocesso das exportações só não impactou no acumulado. As importações, por outro lado, andaram para trás em todas as comparações, em virtude da paralisia econômica. A conclusão vem da análise dos dados do governo federal, disponibilizados pelo portal Comex Stat, nesta sexta (8).

As vendas externas do Amazonas em abril (US$ 45.45 milhões) encolheram 31,77% em relação às de março (US$ 66.61 milhões) e praticamente empataram com o registro de exatos 12 meses atrás (US$ 45.39 milhões), com uma diferença de apenas 0,13%. O quadrimestre (US$ 234.77 milhões) ainda conseguiu sustentar uma alta de 5,79% frente ao patamar alcançado no mesmo período de 2019 (US$ 221.91 milhões).

A contabilidade das aquisições do Estado no estrangeiro não passou dos US$ 686.18 milhões em abril de 2020, correspondendo a um decréscimo de 21,76% frente ao registrado em março de 2020 (US$ 877 milhões). O resultado também foi 21,15% pior do que o obtido em abril de 2019 (US$ 870.29 milhões). No acumulado, os valores caíram 3,21%, de US$ 3.43 bilhão (2019) para US$ 3.32 bilhão (2020). 

Em abril, as importações do Amazonas no estrangeiro foram encabeçadas por partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 133.49 milhões), circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 86.39 milhões), celulares (US$ 55.55 milhões), platina (US$ 37.53 milhões), e partes e acessórios para veículos (US$ 16.46 milhões). Todos sofreram quedas significativas em relação a 12 meses atrás.

A China voltou a encabeçar a lista de países fornecedores para o Estado, no mês passado, com US$ 300.95 milhões (2020) contra US$ 296.04 milhões. Na sequência, vieram Estados Unidos (US$ 65.80 milhões), Coreia do Sul (US$ 45.82 milhões), Vietnã (US$ 45.24 milhões) e Taiwan (US$ 37.25 milhões) – todos com números abaixo da marca de abril do ano anterior.

“A queda das importações sinaliza que a produção encolheu. As fábricas do PIM que não suspenderam suas operações, trabalham com 50% de sua capacidade, ou menos. A maior parte do que produzimos vai para o mercado brasileiro, que não está assimilando bens de consumo nesse período. E a situação tende a piorar”, analisou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, em conversa com o Jornal do Commercio. 

Manufaturados em queda

A lista de exportações do Estado foi encabeçada, como de hábito, pelas preparações alimentícias/concentrados (US$ 11.24 milhões), sendo seguida por ferro-ligas (US$ 5.58 milhões). Motocicletas (US$ 4.96 milhões) recuaram da segunda para terceira posição. Na sequência vieram óleo de soja (US$ 3.53 milhões) e aparelhos de barbear (US$ 2.63 milhões). Os manufaturados do PIM perderam espaço no confronto com 2019, enquanto os demais itens avançaram.

Venezuela (US$ 11.28 milhões) e Colômbia (US$ 7.17 milhões) voltaram a liderar a lista de destinos das vendas externas amazonenses – a primeira com crescimento exponencial e a segunda, com queda considerável. A China (US$ 6.68 milhões) veio em seguida, com expansão sobre 2019. A Argentina (US$ 4.66 milhões) caiu da terceira para a quarta posição, sendo sucedida pela Bolívia (US$ 2.77 milhões) – sendo que ambas reduziram suas compras em relação a 12 meses atrás.

“Tivemos um primeiro trimestre com números bem compatíveis para o período, neste ano. As coisas pioraram mesmo foi em abril, como mostram os números. O agronegócio salvou as exportações brasileiras e algo parecido aconteceu por aqui com a Venezuela, que continuou comprando muito por aqui. Pena que os produtos adquiridos por eles não sejam produzidos no Amazonas. Já a Argentina diminuiu ainda mais sua participação”, ponderou Marcelo Lima.

Retrocesso e retomada

De acordo com o gerente executivo do CIN, os efeitos da pandemia do Covid-19 devem se refletir com mais força nos próximos meses, com retrocesso nas estatísticas de importações e de exportações do Estado, em razão do enfraquecimento da demanda, do fechamento dos negócios decorrente das medidas de contenção ao Covid-19 e da queda de confiança dos agentes econômicos.  

“A emissão de certificados de origem está caindo muito. Normalmente, temos mais de cem, mas abril registrou menos de 50, com apenas dois ou três exportadores. Com o parque fabril do PIM trabalhando em baixa atividade, a tendência é que as importações também sejam menores. Estão dizendo que a recuperação só vem em 2021, mas acredito que podemos ter alguma melhora neste ano. As medidas do governo devem dar um paliativo e o povo está ansioso para que isso acabe”, finalizou. 

Fonte: Marco Dassori

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