6 de maio de 2021

Balança comercial do Amazonas ganha fôlego em março

A corrente de comércio exterior do Amazonas voltou a subir, em março, impulsionada tanto pelas importações, quanto pelas exportações. Em sintonia com o relaxamento das restrições estaduais ao funcionamento da indústria, as aquisições de insumos no estrangeiro voltaram a crescer. As vendas externas foram na mesma direção, mas a participação dos manufaturados do PIM na pauta foi menor. É o que se concluiu a partir dos dados mais recentes disponibilizados pelo governo federal no portal Comex Stat.

Em março, as vendas externas do Estado totalizaram US$ 87.64 milhões e foram 26,74% melhores do que as de fevereiro de 2021 (US$ 69.15 milhões), além de ficarem 31,57% acima do registro de 12 meses atrás (US$ 66.61 milhões). Em paralelo, as importações do Amazonas superaram os US$ 1.09 bilhão no mês passado, correspondendo a um acréscimo de 15,84% frente a fevereiro de 2021 (US$ 945,24 milhões). O confronto com março de 2020 (US$ 877.01 milhões) apontou para um incremento de 24,86% nas compras do Estado no exterior. 

A recuperação se refletiu nos números do comércio exterior do Amazonas, no trimestre, tanto nas vendas, quanto nas compras. As exportações acumularam US$ 221.53 milhões, correspondendo a um aumento de 17,01% sobre o dado do mesmo período do ano passado (US$ 189.32 milhões). Em paralelo, as aquisições do Amazonas no mercado estrangeiro avançaram 12,93%, ao passar de US$ 2.63 bilhões (2020) para US$ 2.97 bilhão (2021), no acumulado dos três primeiros meses de 2021.

Insumos e pandemia

As importações do Amazonas registradas em março foram encabeçadas, como de costume, por insumos para o PIM. Os itens mais comprados foram partes e peças para televisores e decodificadores (mais de US$ 177.46 milhões), circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 173.12 milhões), platina (US$ 72.87milhões), celulares (US$ 62.21 milhões) e polímeros de etileno (US$ 44.51 milhões). Apenas o terceiro e o quarto itens da lista apresentaram números piores do que os de março de 2020. 

A China (US$ 496.15 milhões) voltou a liderar o ranking de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, com alta de 52,37% ante março de 2020 (US$ 325.61 milhões). Os Estados Unidos (US$ 123 milhões) ficaram em segundo lugar, sendo seguidos por Vietnã (US$ 66.97 milhões), Taiwan (US$ 62.43 milhões) e Coreia do Sul (US$ 47.86 milhões), entre outros. Apenas Vietnã e Coreia do Sul retrocederam na variação anual.

O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, considerou que o desempenho da balança comercial amazonense se deu dentro do esperado para o período, apesar da segunda onda. Segundo o especialista, a despeito dos valores crescentes para as compras do Estado, nos três meses iniciais deste ano, estas ocorreram “dentro de um cenário já visto ao longo dos anos”. 

“A China ainda é nosso fornecedor e tivemos um aumento considerável. Até porque, os pedidos de partes e peças não sofreram solução de continuidade, até o fim de 2020, e com escala ascendente em janeiro, fevereiro e março. Mas, é bom lembrar que, em março do ano passado já havia pandemia e o país asiático estava tendo problemas para fornecer componentes”, ponderou.  

Do lado das exportações, o ranking foi encabeçado por preparações alimentícias/concentrados (US$ 15.28 milhões), com retração de 4,86% sobre o desempenho de março de 2020 (US$ 16.06 milhões). Máquinas de escritório (como terminais bancários) ficaram na segunda posição, com US$ 10.33 milhões. Estratos de malte (US$ 10.31 milhões), motocicletas (US$ 9.89 milhões) e óleo de soja (US$ 8.10 milhões), entre outros, vieram na sequência –todos com incrementos na base anual. 

Venezuela e Argentina

A lista incluiu também outros manufaturados do PIM, como barbeadores (quase US$ 2.16 milhões), que ficaram na oitava posição, graças à demanda de países como Argentina (US$ 941.324), Colômbia (US$ 340.043), Equador (US$ 312.090) e França (US$ 169.475). Aparelhos de TV (US$ 1.53 milhões), compareceram na nova colocação do ranking de exportações amazonenses, sendo destinados ao Chile (US$ 356.370), Colômbia (US$ 654.480) e Peru (US$ 218.970), principalmente. Em ambos os casos, contudo, as vendas caíram pela metade, em um ano.

A Venezuela (US$ 37.13 milhões) renovou a liderança entre os destinos das vendas externas amazonenses, com expansão de 61,08% sobre março de 2020 (US$ 23.05 milhões). Argentina (US$ 13.98 milhões), Colômbia (US$ 7.74 milhões), Estados Unidos (US$ 4.89 milhões) e China (US$ 4.69 milhões) ocuparam as posições seguintes –sendo que todos expandiram o volume de compras na comparação com o terceiro mês de 2020.

“O comportamento das exportações não sofreu grande alteração, apesar do momento crítico que passamos. O caso da Venezuela é muito sui generis. Em função da crise de abastecimento por lá, compra apenas produtos alimentícios e de higiene e limpeza, que não são fabricados aqui, mas revendidos por grandes atacadistas locais. A Argentina teve uma performance melhor neste mês, superando a Colômbia, graças às compras de eletrônicos. Já os EUA ultrapassaram a China, em 2020. Bolívia, Alemanha, Paraguai e Suíça também são parceiros importantes”, informou. 

Vacinação e certificados

O gerente executivo do CIN/Fieam reforçou que aguarda que as negociações internacionais do Amazonas sigam trajetória de crescimento gradativo, ao longo dos próximos meses, mediante a consolidação da política de vacinação, e especialmente entre os parceiros tradicionais do Amazonas, na América do Sul e nos Estados Unidos. De acordo com Marcelo Lima, março registrou expansão de 65,33% no número de certificados de origem para exportações no Amazonas –de 150 para 248.

“O número me surpreendeu: só a Recofarma, que costuma responder por 75% da demanda, em média, emitiu 136 certificados. Mas, o aumento veio em decorrência de outras exportadoras, como a NCR Brasil, que fabrica equipamentos para automação, de uma empresa madeireira e da Moto Honda. Acreditamos que os números devem ser ainda melhores, no decorrer do segundo trimestre”, arrematou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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