Baixo estoque de milho pode parar programa da Conab no Brasil

O site da Conab aponta para um baixo estoque público de milho no Brasil o que é preocupante para os pequenos e médios criadores rurais do Brasil. Esse estoque é de 195 mil toneladas, das quais, 89,9% em Mato Grosso (176 mil toneladas).

Portanto, um estoque público baixíssimo que coloca em risco a continuidade do Programa de Vendas em Balcão em todo o Brasil, mas com maiores prejuízos aos estados do Norte e Nordeste.

Não sei se o governo federal, por meio do Ministério da Agricultura – MAPA, já vem articulando uma recomposição desse estoque de milho, mas sei que não é coisa simples de se fazer. Abaixo, alguns pontos que reforçam a minha preocupação com os pequenos e médios criadores rurais que dependem do Programa de Vendas em Balcão para produzir, vender, empregar e gerar renda.

  • Em janeiro de 2019, o estoque público de milho era de quase 800 mil toneladas;
  • Agora, em junho, esse estoque é de 195 mil toneladas;
  • Das 195 mil toneladas, 89,9% está em Mato Grosso, origem das remoções para o Norte e Nordeste;
  • Em 2018, o programa Vendas em Balcão comercializou 268 mil toneladas;
  • Em 2019, o programa Vendas em Balcão comercializou 135 mil toneladas;
  • Em síntese, temos estoque para somente mais um ano, podendo nem chegar a isso, se as vendas forem iguais ao ano de 2018.

Entendo que isso deva ser pauta para o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável – CEDRS, assim como para nossa bancada federal. Aliás, todas as bancadas do Norte e Nordeste, pois nessas regiões estão os estados que dependem, e muito, desse programa.

É um alerta que faço, não somente com discurso, mas apresentando dados do próprio governo federal. Vi no site do MAPA o reajuste para a próxima safra no preço mínimo do milho em Mato Grosso, maior estado produtor, em torno de 13,01%.

Quem sabe pode estar aí uma chance do governo federal tentar recompor seu estoque público de milho para ajudar, principalmente, os pequenos e médios criadores de estados que ainda não tem produção para atender a demanda interna, inclusive o nosso Amazonas. Mas é só especulação, o certo mesmo é que o estoque está muito baixo e pode parar o programa “Vendas em Balcão” em pouco tempo. Acredito, também, que o não retorno do tão necessário subsídio ao preço do milho esteja ligado ao baixo estoque.

Ia esquecendo, muitos anos atrás, ainda no governo FHC, o estoque de milho público também ficou muito baixo. Sabem o que aconteceu? O estado de Mato Grosso, dono do estoque, como acontece hoje, segurou o milho, não queria fazer remoções para os estados, para atender somente os seus criadores rurais. Foi uma luta para conseguir liberar uma parte ao Amazonas. O hoje prefeito Artur, naquela altura na Casa Civil do FHC, e mais uma vez com o apoio da FAEA, foi quem conseguiu liberar a remoção ao nosso estado.

Tá feito o ALERTA!

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles, servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]

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