Bairro tipicamente amazônico

Cerca de 35% do bairro que hoje conhecemos pelo nome “Redenção” foram originados através de invasão, na zona centro oeste de Manaus, no ano de 1974. Os primeiros moradores desta comunidade cuja primeira rua foi chamada de “Campo Grande”, foram os operários que trabalhavam na construção do Conjunto Ajuricaba e nos Conjuntos que hoje compõem o bairro Planalto. 

O restante da ocupação do bairro foi resultado de loteamentos vendidos pelos antigos proprietários conhecidos na comunidade por Coronel Jorge e membros da Família Coimbra. A Redenção naquela época, ficou conhecida como o “Planeta dos Macacos”, em função da fuga desses animais devido às derrubadas da floresta local.

A pensionista Sebastiana Furtado, 82, moradora do bairro Redenção há 38 anos, afirma que ao chegar ao bairro era só mato, não existiam ruas, só caminhos em terra batida e para sair de casa era preciso colocar sacolas plásticas para proteger os chinelos ou sapatos da lama. “Quando cheguei por aqui era tudo bem complicado, as casas eram bem longe umas das outras. Além de não ter ruas asfaltadas, também não havia água encanada, somente energia elétrica. Pelo menos isso”, afirma a idosa.

A Redenção limita-se com os bairros Planalto, Alvorada, Paz e Tarumã e possui uma das maiores coberturas vegetais da cidade, área protegida que contribui para a manutenção da temperatura da região e reprodução de espécies nativas da fauna e flora.

Neste ano de 2019, o bairro completa 45 anos de existência e sua população atual é de 35.166 habitantes, distribuídos numa superfície de 315.00 hectares, segundo dados do último censo (2010), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A economia do bairro é movimentada por uma vasta atividade comercial que compreende supermercados, mercearias, drogarias, microindústrias e uma feira com localização privilegiada, na avenida principal do bairro, que atende aos moradores e aos comunitários de bairros adjacentes como os vizinhos da Paz e dos conjuntos Ajuricaba e Hileia.

Apesar do desenvolvimento do comércio, os moradores ainda se queixam da falta de saneamento básico, paradas de ônibus, creche, espaço para lazer, segurança pública, agência bancária, lotérica, além da deficiência de semáforos e faixas de sinalização nas vias públicas.

De acordo com a professora Altemires Neves, 54, que mora na Redenção há dez anos, quando precisa fazer pagamentos de contas ou transações bancárias tem que ir a um bairro próximo para fazer uso desses serviços “Nosso bairro não é estruturado, falta melhorar muito. Principalmente quando se precisa de um banco, é preciso ir ao Hileia para obter qualquer serviço desta natureza”, reclama a comunitária.

O bairro dispõe de cerca de nove escolas entre privadas, estaduais e municipais que oferecem oportunidades de escolarização à comunidade. Entre as instituições estão o Centro Educacional Brigido Neto, que atende 137 alunos e oferece educação Infantil e fundamental I, a Escola Estadual Tereza de Jesus Azevedo de Vasconcelos Dias, que atende cerca de 475 alunos, oferecendo educação infantil e fundamental I, dentre outras.

Para ajudar na preservação do meio ambiente, alguns comunitários que moram em torno de um córrego da comunidade, criaram um projeto voltado para a educação ambiental, que além de ajudar no descarte correto de materiais recicláveis, gera renda para as famílias carentes. “No atelier do Projeto RipArt recebemos produtos como garrafas, cds, jornais, lonas e restos de tecidos que, na mão das mais de 20 artesãs do projeto, se transformam em objetos reutilizáveis para decoração ou uso pessoal”, explica a coordenadora Cristina Silva.

A religião predominante no bairro é o catolicismo com cerca de 70% de fiéis que tem como padroeira a santa Nossa Senhora do Carmo. Na paróquia local, as festas religiosas acontecem de maio a dezembro, em que são realizadas procissões, arrais, além de festival de música cristã tendo a participação de compositores e músicos de toda a Manaus.

Curiosidade: O bairro Redenção abriga, há 28 anos, uma comunidade indígena chamada de “I’apyrehyt”, composta por 35 indígenas de diversas etnias entre elas  os Saterês Mawés. São 15 famílias que vivem na localidade e sofrem com a degradação do meio ambiente. “Até pouco tempo não tínhamos água potável para beber devido à poluição das fontes, causada pelas invasões construídas próximas a nossa comunidade”, explica uma das líderes. Há 8 meses o grupo foi beneficiado com uma rede de abastecimento de água. Hidrômetros também foram instalados nas casas da comunidade para que cada família faça o controle do seu consumo.  

INFOGRÁFICO

NOME: Redenção

ÁREA: 

FUNDAÇÃO:  1974

POPULAÇÃO: 35.166 habitantes

ELEITORES: 28.856

CARACTERÍSTICA PECULIAR: Possui uma tribo indígena Sataré Mauwé em seus domínios

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