16 de abril de 2021

Avaliação do consumidor brasileiro é a melhor em 5 anos

Pela segunda vez consecutiva, a confiança do consumidor atingiu em setembro o maior nível da série histórica do ICC (Índice de Confiança do Consumidor) iniciada em setembro de 2005, segundo o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloísio Campelo

Pela segunda vez consecutiva, a confiança do consumidor atingiu em setembro o maior nível da série histórica do ICC (Índice de Confiança do Consumidor) iniciada em setembro de 2005, segundo o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Aloísio Campelo. O ICC subiu 0,7% em setembro em relação a agosto e, com o resultado, o desempenho do indicador, que é calculado com base em uma escala de pontuação entre 0 e 200 pontos (sendo que, quando mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor), foi de 120,8 pontos para 121,7 pontos, de agosto para setembro. “O consumidor tem avaliado muito bem a economia. Sobre o mercado de trabalho e sobre a situação da economia em geral, o consumidor nunca teve uma avaliação tão favorável, desde 2005”, comentou o economista
Segundo a FGV, o percentual de consumidores no total de entrevistados que avaliam a situação econômica atual como boa aumentou de 28,1% para 33,6% de agosto para setembro. Já dos que a consideram ruim caiu de 22,6% para 21,2%, no mesmo período, mas houve uma piora nas perspectivas para a economia nos próximos meses. A parcela de consumidores no total de pesquisados que projetam melhora no cenário, nos seis meses seguintes, caiu de 28,4% para 26,5% de agosto para setembro; já a dos que preveem piora subiu de 10,7% para 11,3%, no mesmo período.
Um dos fatores que mais ajuda a formar o cenário positivo atual é a avaliação do brasileiro quanto ao mercado de trabalho. Campelo observou que o mercado de trabalho tem apresentado resultados favoráveis nos últimos meses. No entanto, este ano também contou com mais uma influência benéfica: o período eleitoral, que gerou mais empregos temporários. Isso eleva a renda do consumidor, de uma maneira geral, o que conduz a uma melhora no humor do brasileiro. Além disso, o economista destacou que a inflação, de maneira geral, não mais assusta tanto o consumidor como no passado, com exceção do brasileiro de baixa renda, que agora sofre mais com a alta nos preços dos alimentos. Mas mesmo isso não influenciou muito o resultado geral do ICC, pois a inflação há meses mostra trajetória comportada e os preços dos alimentos só começaram a subir recentemente. Tanto que a projeção de inflação do consumidor para os próximos 12 meses, pesquisada pela Sondagem das Expectativas do Consumidor (usada para cálculo do ICC) caiu de 6,2% para 6,0% de agosto para setembro, a menor estimativa desde março de 2008 (5,9%).
Na prática, a conjuntura econômica atual ajudou a formar uma mentalidade de confiança na cabeça do consumidor quanto ao cenário da economia local. Com isso, a avaliação sobre o momento presente da economia, no âmbito do ICC, está melhorando por seis meses consecutivos. Porém, as expectativas do consumidor brasileiro caíram em setembro. Campelo afirmou que as eleições não tiveram nenhuma influência neste resultado. “É natural que as expectativas, que estavam em um patamar muito elevado, comecem a decair um pouco. É mais uma acomodação. O patamar da confiança quanto ao futuro da economia arrefeceu, nos últimos meses mas continua acima da média histórica”, avaliou. Ele acrescentou que as expectativas para as finanças familiares continuam positivas para os próximos meses. Campelo comentou também que as expectativas de compras de bens duráveis ficaram relativamente estáveis em setembro. Embora a fatia de consumidores entrevistados que pretendem comprar mais bens duráveis nos próximos meses tenha caído de 16,5% para 15,0% de agosto para setembro.

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