Aumento no preço da gasolina impacta motoristas de apps

Os recentes aumentos no preço da gasolina trouxe impactos ainda maiores para os motoristas de apps. A queda no lucro devido ao reajuste do combustível fez aumentar o número de devoluções dos veículos de 30% para mais de 45%. Entre janeiro e fevereiro deste ano, os rendimentos registraram quedas no rendimento semanal de até 38%. 

Segundo o representante da Ameap-AM (Associação de Motoristas por Aplicativo de Manaus), Alexandre Matias, os motoristas precisaram dobrar as horas trabalhadas, de 12 a 16 horas por dia, para terem o mesmo rendimento de antes com 6 horas de trabalho. “Estamos mais horas na rua. O que recomendamos é que ao invés de ficar rondando pela cidade sem passageiros, ele pare e aguarde outra viagem. E já existe reclamação de usuários sobre a falta de motoristas. Mas é impossível se deslocar para lugares de maior demanda com a alta em mais de 40% no preço da gasolina”. 

Para completar, ainda existem as despesas mensais com aluguel e manutenção do veículo como troca de óleo, pneu que fura, lavagem do veículo,  alimentação, porque  muitas das vezes eles não têm tempo para ir em casa e ainda as taxas que precisam ser repassadas para as empresas que giram entre de 9,5% a 45% e variam de acordo com a corrida. “Tem todo um custo operacional que os aplicativos não levam em consideração, mas os motoristas colocam na ponta do lápis”.

Fato é que a atividade considerada rentável, com rotina flexível, retorno sobre o desempenho e era vista como saída para muitos que perderam o emprego e como opção para incremento na renda, agora é vista por  alguns motoristas como um pesadelo. “Eu tenho amigos que não conseguem dormir porque precisam faturar para pagar os compromissos. A  atividade não está mais valendo a pena. Estamos pagando para trabalhar, essa é a verdade”, declara o motorista Josué Costa. 

De acordo com a Ameap-AM, 60% dos motoristas de aplicativo no Amazonas rodam com veículos alugados e o preço do aluguel não baixou, hoje, a  diária custa em média R$60. O valor da viagem mínima pelo app 99 é R$4,50 para rodar 5 km com um passageiro fora do deslocamento para ir até ele de 2 km. “O que o motorista está fazendo é desperdiçar tempo fazendo essas corridas de curta duração. Fazendo esse cálculo simples e básico a categoria está no prejuízo”, acrescenta Alexandre Matias.

Para o representante, no momento, a única saída da categoria é o GNV (Gás Natural Veicular), mas para que isso aconteça é necessário que o governo estadual libere o gás para outras empresas explorarem e assim o setor deixa de ser refém dos combustíveis como a gasolina. 

Empresas

Em resposta sobre os valores das taxas praticadas pelos apps, a 99 esclarece que está aberta ao diálogo e prioriza a melhoria contínua dos ganhos dos motoristas parceiros. Nesse sentido, a empresa viabiliza parcerias e condições especiais nos preços dos combustíveis, manutenção de carros e aluguel com agências para reduzir os gastos dos parceiros. Um exemplo disso é o desconto de 5% em postos Shell. “Estamos acompanhando de perto o movimento de alta dos combustíveis e abertos ao diálogo com motoristas e governo para construir uma solução que seja benéfica para todos. Entendemos que nossa contribuição deve ser reduzindo o custo que os parceiros e parceiras têm e trazendo mais eficiência para suas rotinas”, diz a nota.

Por sua vez, a Uber respondeu que no passado, a taxa da Uber era fixa em 25%. Em 2018, ela se tornou variável e passou a fazer parte da estratégia da Uber em oferecer descontos para os usuários de modo a incentivar que eles façam viagens. O valor da taxa de serviço da Uber fica sempre entre 1% e 40%. 

Há confusão entre os motoristas parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir. É por isso que todos os motoristas parceiros ativos recebem toda semana, por email, um compilado sobre os seus ganhos. Nesse e-mail, é possível conferir quanto ele pagou de taxa Uber naquela semana. 

Foto/Destaque: Divulgação

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