Aulas semipresenciais retornam no ensino privado do Amazonas

O ensino privado do Amazonas entrou em uma nova fase, nesta semana, com a publicação do decreto nº 43.597, que possibilitou o retorno facultativo das aulas semipresenciais e presenciais do ensino fundamental I e II, assim como os cursos técnicos e de ensino superior de saúde. O medo da pandemia e o avanço do homeschooling, no entanto, sinalizam a persistência de dificuldades para as 200 escolas particulares do Estado, assim como a taxa de inadimplência, que segue na casa de dois dígitos. 

O decreto estabelece que as instituições privadas de educação que optarem pelo funcionamento semipresencial e presencial deverão obedecer aos protocolos sanitários estabelecidos para a atividade –inclusive a ocupação máxima de 50% da capacidade de alunos por sala de aula –, sob pena de aplicação das sanções, inclusive com a possibilidade de fechamento imediato do estabelecimento, em caso de descumprimento.

Segundo a vice-presidente do Sinepe-AM (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Amazonas), Laura Cristina Vital, o decreto estadual já era esperado pela entidade. Por isso, as instituições já vinham se preparando para o retorno presencial, com investimentos em EPIs –como máscara, óculos e avental –, além da sanitização e higienização de ambientes e superfícies, conforme o que determina os protocolos de biossegurança que foram traçados em parceria com órgãos de saúde. 

“Observamos que o primeiro dia foi bastante tranquilo. A maioria dos pais e responsáveis de alunos continuam confiando nas medidas adotadas pelas escolas. Para os que ainda se sentem inseguros em levar as crianças ao colégio, as escolas continuam oferecendo todo o suporte através do ensino remoto”, afiançou, acrescentando que a pandemia fez as escolas particulares do Amazonas “dormirem no presencial e acordarem no modo online”, acumulando experiências importantes no caminho.

“Desconfiança e incerteza”

A educadora destaca que a tecnologia continua ajudando as escolas a entregarem “um serviço de qualidade” e “melhores resultados” aos alunos que não estão podendo frequentar escolas por possuírem comorbidades, ou mesmo porque suas famílias não se sentem seguras. A sensação de insegurança junto à clientela, por outro lado, é justamente um dos maiores entraves ao retorno do crescimento ao segmento de educação privada, a despeito de todos os cuidados e investimentos das instituições nesse sentido.

“O impacto nos negócios está sendo muito maior nesta segunda onda, do que na primeira. Há mais desconfiança e incerteza. Muitos pais demonstram não ter interesse no retorno presencial e já disseram que vão manter os filhos em casa, aguardando por um refluxo na pandemia para mandá-los à escola. O berçário está sendo a área mais atingida, porque exige um contato maior entre os educadores e as crianças”, comentou.    

O crescimento da aceitação do homeschooling, uma tendência que já vinha abrindo caminho entre corações e mentes, antes mesmo da pandemia, e que passou a usufruir de maior simpatia entre os pais com medo de perder seus filhos para o novo coronavírus, também preocupa o Sinepe-AM. Estima-se que mais de 5.000 famílias brasileiras já adotam a prática e a questão já foi até levada ao STF, que entendeu ser necessária que haja uma lei para regulamentá-la.

Na semana passada, entretanto, o projeto de lei que pretende permitir aos pais educarem seus filhos em casa (PL 3179/12) andou, após ficar quase nove anos parado, com a escolha da deputada Luísa Canziani (PTB-PR) como relatora da proposta. “Isso é péssimo. Como representante do ensino privado, não tenho como ter outra posição. Felizmente, ainda as leis ainda não contemplam essa prática. Mas, se isso for aprovado, vai ser um prato cheio para os pais serem subsidiados a manterem seus filhos em casa”, desabafou. 

Inadimplência e fechamentos

Outro dado preocupante vem da inadimplência e de seu efeito nas demissões e fechamento definitivo de empresas do setor. Antes da pandemia, o percentual de mal pagadores girava entre 8% a 10% e “cabia nas planilhas de custos” das empresas. A primeira onda elevou a taxa para 50%, dado que sofreu refluxo para uma média de 35% nos meses “entre ondas”. Com a segunda onda de Covid-19 e a crise de oxigênio no Amazonas, os números voltaram a subir e hoje se encontram na casa dos 40%, conforme Laura Cristina Vital.

“A inadimplência aumentou muito, por conta dos problemas financeiros gerados pela pandemia, nas famílias. É um processo que culmina na demissão de funcionários das escolas, que não conseguem se sustentar nesse novo cenário. E, muitas vezes, o corte nos quadros e a redução de receita fazem com que algumas empresas acabem fechando definitivamente”, lamentou, acrescentando que os problemas são maiores na educação infantil, que teria perdido pelo menos dez escolas, durante a pandemia. 

Os números mais recentes do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) informam que o segmento de educação foi na contramão da tendência global do setor de serviços (+1.728 vagas formais) e eliminou 188 postos com carteira assinada, em janeiro de 2021. Os cortes se concentraram nos extremos: educação infantil/ensino fundamental (-69) e ensino superior (-66). Um mês antes, as escolas já haviam extinguido nada menos do que 462 empregos celetistas –221 deles, no ensino infantil –, conforme a mesma base de dados.   

“Houve até alguma recuperação gradativa, no período entre a primeira e segunda onda, mas a coisa voltou a piorar. A gente sofre, porque a Defensoria vem em cima das escolas para que estas deem desconto nas mensalidades, mesmo com a escola operando com faturamento em baixa. Quando a gente pensa que está se recuperando, acontece algo assim. Não tem cabimento, porque ninguém faz isso com outros setores, como os de alimentação e de saúde privada”, encerrou.

Oportunidade na vacinação

A vice-presidente do Sinepe-AM diz que a grande esperança das escolas particulares de reduzir a desconfiança dos pais e trazer de volta a parcela de alunos que ainda está em casa está na vacinação em massa e, particularmente, entre os profissionais da área. Uma oportunidade para acelerar o processo surgiu com a abertura da participação no estudo CovacManaus aos trabalhadores da educação privada, desde esta segunda (22). 

Até então, apenas servidores das secretarias municipal e estadual de Educação, da UEA (Universidade do Estado do Amazonas) e da segurança pública podiam ingressar na iniciativa. Agora, todos os trabalhadores do ensino infantil, fundamental, médio e superior da capital, com idades entre 18 e 49 anos podem aderir. “Fomos convidados para participar e estamos no processo de cadastramento. Precisamos aproveitar esta oportunidade. Quanto mais vacinarmos, melhor”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email