Atual momento de incerteza faz ouro disparar no mercado financeiro

Em momentos de grande volatilidade e incerteza, como o atual, investidores partem para ativos considerados seguros de forma a proteger o portfólio. Enquanto alguns procuram respaldo exclusivamente no dólar, outros preferem diversificar o patrimônio e apostar também em metais preciosos como o ouro. É o caso de gestoras como Legacy e Novus, que montaram posição na commodity nos últimos meses, e de casas como Dahlia, Truxt, Vista Capital e a americana Crescat Capital, que mantêm alocação no metal há mais tempo.

O contrato futuro de ouro mais líquido negociado no mercado americano acumula valorização de 5,9% desde o início da crise, em 21 de fevereiro, e chegou a superar em abril a cotação de US$ 1.756 a onça troy (uma onça troy equivale a cerca de 31 gramas), atingindo o maior valor desde outubro de 2012, quando foi negociado a US$ 1.758. Nos últimos 12 meses, a alta é da ordem de 34%, com valorização de 14,3% apenas neste ano.

Entre os maiores fundos multimercado de ouro, expostos também à variação cambial, estão Órama Ouro, Vitreo Ouro e Trend Ouro Dólar, da XP, com ganhos da ordem de 60% em 2020.

E o que tem contribuído para a disparada do metal? Na avaliação dos gestores consultados pelo InfoMoney, o enfraquecimento da economia global em meio à pandemia de coronavírus, com juros em patamares baixos, expansão fiscal e aumento de liquidez, incentiva a busca de investidores por ativos mais seguros, como dólar e ouro.

Embora uma parcela do mercado avalie que os preços do metal já estejam esticados demais, um outro grupo ainda vislumbra potencial de alta, inclusive com ampliação da posição na moeda.

E o investidor pessoa física também tem aproveitado para incluir o ouro em seu portfólio, de forma a ampliar a diversificação e proteger as posições de maior risco. Os maiores fundos com foco na commodity têm captação líquida no ano que ultrapassa os R$ 150 milhões nos produtos da Órama e também da XP.

Porto seguro

Com as medidas adotadas pelos bancos centrais para minimizar os impactos da pandemia sendo insuficientes para evitar uma recessão global, a visão do banco suíço Julius Baer é de que deve haver um aumento da demanda por ouro como ativo seguro.

“Com investidores enfrentando incertezas sem precedentes nos mercados financeiros, uma determinada fatia de ouro nos portfólios deve fornecer alguma proteção”, escreveu Carsten Menke, chefe de pesquisa de uma área com foco em ações no longo prazo do Julius Baer, em relatório publicado em abril.

A avaliação é de que os países sairão da crise muito endividados, com menos crescimento e juros baixos, o que favorece o desempenho da commodity. “Vai haver um processo de desglobalização e protecionismo, vamos voltar a ver períodos de guerra comercial e todas as moedas vão se desvalorizar frente ao ouro”, afirma Gustavo Pessoa, sócio gestor da Legacy Capital.

Ao infinito e além?

Com forte valorização no ano, o ouro tem espaço para se apreciar mais? Para Pessoa, da Legacy, tendo em vista a continuidade de estímulos monetários adotados pelos bancos centrais, ainda há espaço para alta.

“O movimento recente do ouro representa metade do que aconteceu após a crise de 2008. Acho que ainda tem espaço para andar mais, mas a posição técnica é um pouco pior, porque muita gente já tem a posição”, afirma o gestor, que não vê o investimento como algo pontual, mas uma “tendência para anos”.

A avaliação de que a moeda tem espaço para se valorizar ao longo dos próximos anos é compartilhada pela Truxt, que vê o metal atuando como melhor reserva de valor que títulos soberanos, dados os atuais níveis baixos dos juros.

“O ouro vai funcionar como uma proteção contra a inflação dos ativos, porque o valor do dinheiro vai diminuir”, diz Gaspar. Há ainda riscos geopolíticos, especialmente com a disputa comercial entre Estados Unidos e China, contribuindo para a percepção favorável ao ouro, além da demanda crescente de bancos centrais pela commodity e sua produção inelástica, que contribui para preços elevados.

Fonte: Redação

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