Atravessando o porvir – parte 1

Vejamos. Com o carinho de sempre e mais ainda por conta das efemeridades aos inesquecíveis pais, ambos in memoriam, ela no seu dia universal de mãe, ele nataliciado, 3 e 5/5, nesta ordem, aqui se vai rememorar o muito do que foi a longa e harmoniosa cultura familiar, farta de conselhos e exemplos por vezes veementes, em torno da moralidade e princípios sadios recomendáveis, mas também por vezes dosada com passagens pândegas ou mesmo sérias colhidas das pessoas, no cotidiano, ou do meio em geral e doutras estórias do gênero.

No conjunto, verdade que com inspiração nos ditos costumes então consagrados, que pouco lembram o proceder destes nossos dias, como bem se sabe, não? Afinal, lições voltadas para lidar com o Porvir, que estava lá adiante, estático e hibernando no longínquo horizonte de onde convicto iria se mover um dia em nossa direção, e bem dotado a se impor, como o fez.

Ora pois, os filhos assim sempre tivemos as lições em conta fortemente presentes ao redor das nossas individualidades em formação, a serem cuidadosamente refletidas nas atividades profissionais então futuras. Sabia-se de tudo isso. E, já que habilitados, restava então aguardar com serenidade aquele ente que dá título a este texto, para atravessar a sua gestão com denodo, o que cada um segue alcançando à sua maneira, bem entendido. Quatro filhos, pela ordem, Advogado, Enfermeira (já falecida), Empresário, Médico.

A propósito, não faltou advertência quanto a bem amparada base familiar e sociocultural oferecida mesmo em construção, de resto incomum, para que não se traduzisse mais adiante em maneirismos cujo flagrante artificialismo, com afetação e refinamento cultuado, desandasse em crítica pessoal, maculando a qualidade do trabalho como é bem de ver em qualquer das suas feições. Que fossem evitados os desaforos tipo “metido a besta, tá se achando, ou não se enxerga”. Não é assim que se dá?

De fato, não é raro flagrar algumas pessoas mostrando descompasso pela falta de uma sadia e valiosa base familiar e sócio cultural que não as tiveram, mas por circunstâncias findaram por alcançar posições quitais na sociedade, ainda que despreparadas para tal, logo evidenciando a ausência dos meios desejáveis para tanto. Sem querer implicar: não é bem o caso do Lula? Deixe-se de lado um conhecido caso regional. Afinal o que é, ou quem é o petista?

Novos tempos. Urge adaptar-se, querendo. É um quadro que obriga a assistir, por exemplo, a pessoa de noticiarista servindo-se da fala para exibir estampa facial com sorrisos, jeitos e trejeitos teatrais indiferente se a notícia tem caráter trágico ou triste; ou outros tantos sacudindo-se no palco enquanto divagam, além dos supostos humoristas vagando nos cenários; cantores que assim se mostram, ainda que soltando gemidos para alcançar agudos tais, por vezes contorcendo-se para mostrar sacrifício vocal; políticos, candidatos a tal, e mesmo autoridades, como tanto se avista, não? Vá saber!

Faz tempo. Um bom tempo. Enfim, há muito chegou o Porvir, não fosse também afinal de contas alcunhado como Futuro, já que é aquilo que se vincula ao tempo e espaço, então imperioso que vai sempre acontecer. A propósito, observação da lavra de Ignácio de Loyola, novo imortal da Academia Brasileira de Letras, que cunhara também o enunciado “O cronista é um filtro de tudo o que vemos”. É o caso, certo?

Sucede, passando desta introdução, cabe então trazer os aludidos ditos dos pais, ou seus conselhos, começando pela mãe, não sem antes aduzir que enquanto ela era filha de casal imigrante francês já ele o era de provindo português, fato que, atribui-se, quem sabe pode responder bem pela abordagem dos procedimentos cotidianos nos moldes parecendo de outra cultura acolá apontados, o que se tem como valioso, eis que generosos foram os episódios convividos.

Francesca, casada, com 4 filhos, já se disse, moradora de uma casa própria, assobradada, tinha a irmã, Ilka, solteira, que cuidava da mãe, Prudência, viúva de um francês, Jean, casal que tivera mais duas filhas. Residiam numa estância, na rua Dr. Almínio, com um acesso pela Ponte Cabral, sendo que ambos os locais ficavam nas proximidades da Primeira Ponte, fincada na Av.7 de Setembro, assim designado aquele entorno da cidade.

Por conta dessa proximidade as irmãs se viam amiúde, não sendo raro que a tia participasse de alguns cuidados com os sobrinhos, sobretudo este que de tanto mergulhar no poluído Igarapé de Manaus, fronteiriço ao domicílio, por vezes contraiu impaludismo e mazelas outras, um dos muitos assuntos a compor os próximos textos, nem todos nocivos, acreditem. (Continua)

*Bosco Jackmonth é advogado (OAB/AM 436). Contato: [email protected]

Fonte: Bosco Jackmonth

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