Ativistas vão debater desbloqueio de ponte com Uruguai

Divididos, os moradores de Gualeguaychú se reúnem na nesta quarta-feira para decidir se desmontam o bloqueio da ponte que liga esta cidade da Argentina ao Uruguai. A ponte está fechada há três anos e meio em protesto contra a instalação da fábrica de papel e celulose UPM-Kymmene Oyj (ex-Botnia) na margem uruguaia do rio que separa os dois países. Antes da obstrução, os ativistas passaram um ano e meio realizando piquetes regulares na ponte.
Com um investimento de US$ 1,1 bilhão no município uruguaio de Fray Bentos, a fábrica entrou em funcionamento em novembro de 2007. Nos quase três anos de operação, a fábrica produziu cerca de dois milhões de toneladas de pasta de celulose. Esta é a primeira vez que os chamados “assembleistas” consideram desobstruir a ponte. Mas para isso, pedem um monitoramento conjunto para dar garantias de que a fábrica não poluirá o meio ambiente. Uma parte dos ativistas, no entanto, vai apresentar uma proposta de desbloqueio temporário, por um período inicial de apenas dois meses. A continuidade da trégua estaria sujeita à situação ambiental e ao cumprimento da exigência.
O advogado Luis Leissa, que representa os ativistas, afirmou que “o bloqueio não permite uma análise serena do assunto e deve ser uma ferramenta, não um fim em si mesmo”. Neste sentido, ele explicou que os ativistas estão dispostos a “flexibilizar” o bloqueio da ponte para dar tempo aos dois governos de implementar a dinâmica de monitoramento conjunto “dentro da fábrica”.
Sem referências explícitas ao monitoramento conjunto, o presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, deu sinais de que estaria disposto a aceitar a reivindicação. Em uma coluna publicada na imprensa local, Mujica reconhece que “ninguém gosta de ser controlado em suas ações”. Contudo, continuou o presidente, “as pessoas afetadas diretamente por estas ações são as que mais têm direito a estar envolvidas na proteção de seus interesses”.
Durante os quase cinco anos de conflito, entre os dois países, o Uruguai tem rejeitado o monitoramento conjunto da fábrica, alegando que isso afetaria a soberania nacional.

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