Associações criticam Barbosa

Presidente do STF foi questionado por discussão com ministro Lewandowski

Associações de magistrados divulgaram uma nota criticando o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, que acusou o ministro Ricardo Lewandowski de estar fazendo “chicanas” para tumultuar o julgamento dos recursos do mensalão.
A nota foi assinada pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) e Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho).
Nela, as associações dizem que a Lei Orgânica da Magistratura estabelece como dever do magistrado a “urbanidade” e a “cortesia”. Por isso, “a insinuação de que um colega de tribunal estaria a fazer ‘chicanas’ não é tratamento adequado a um membro” do STF.
Na nota, as associações ainda afirmam que a atitude de Barbosa não contribui para o julgamento e pode influir negativamente no conceito que a população tem do Supremo.
Por fim, dizem esperar que “prevaleça o bom senso e que a serenidade, a tranquilidade e, sobretudo, o respeito voltem a orientar as atitudes de quem tem o dever maior de julgar as grandes causas da nação”.

Leia a íntegra da nota:

“A Associação dos Magistrados Brasileiros -AMB, a Associação dos Juízes Federais do Brasil -AJUFE e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho -ANAMATRA, entidades de classe de âmbito nacional da magistratura, a propósito dos fatos ocorridos na sessão de 15 de agosto de 2013 do STF (Supremo Tribunal Federal), quando eram julgados embargos declaratórios na Ação Penal nº 470 (mensalão), vêm a público manifestar-se nos seguintes termos:
1. A Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) (lei complementar nº 35, de 14.3.1979) estabelece como dever do magistrado a urbanidade, assim como o Código de Ética da Magistratura Nacional dispõe que o magistrado tem o dever de cortesia para com os colegas.
2. A insinuação de que um colega de tribunal estaria a fazer “chicanas” não é tratamento adequado a um membro da Suprema Corte brasileira. Esse tipo de atitude não contribui para o debate e pode influir negativamente para o conceito que se possa ter do próprio tribunal, pilar do Estado Democrático de Direito.
3. Os magistrados precisam ter independência para decidir e não podem ser criticados por quem, na mesma Corte, divirja do seu entendimento. Eventuais divergências são naturais e compreensíveis num julgamento, mas o tratamento entre os ministros deve se conservar respeitoso, como convém e é da tradição do Supremo Tribunal Federal.
4. As associações de classe da magistratura esperam que prevaleça o bom senso e que a serenidade, a tranquilidade e, sobretudo, o respeito voltem a orientar as atitudes de quem tem o dever maior de julgar as grandes causas da Nação.

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