Assaltos impactam na produtividade das indústrias do Amazonas

A violência nas rotas dos ônibus e vans que transportam os colaboradores das empresas do Distrito Industrial, voltam a amedrontar motoristas que atuam no transporte para aquela área. Um vídeo que circula nas redes sociais, é possível observar a ação violenta contra trabalhadores no último dia (24). Na madrugada da última quinta-feira, um assalto a um industriário acabou terminando em morte. 

Na avaliação do vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, o índice de violência urbana em Manaus vem aumentando ao longo dos anos. Em meio essa dinâmica estão os trabalhadores das indústrias do Polo Industrial de Manaus, que deixam suas residências antes do amanhecer, se dirigem aos pontos de coleta do transporte especial de fretamento para cumprir seus expedientes nas fábricas. Durante esse deslocamento, eles se tornam alvos fáceis dos criminosos que veem nesses trabalhadores uma forma de subtrair seus pertences, como dinheiro, adornos e aparelho celular.

De acordo com Azevedo, para inibir os roubos dessa natureza, as indústrias se uniram às polícias Civil e Militar, através de um grupo de aplicativo, para agilizar a comunicação no exato momento em que o crime está acontecendo, visando uma resposta rápida da viatura mais próxima do local da ocorrência.

“Algumas indústrias, em parceria com as empresas de transporte por fretamento, também instalaram câmeras de segurança com monitoramento e gravação de imagens remotas e botão de pânico. Dentre essas contingências, tem a indústria que contrata serviço privado de escolta armada a custos vultuosos para dar cobertura às rotas nos horários mais vulneráveis”, comenta.

Impacto na produtividade

O vice-presidente da Fieam declara que toda a situação causa muita insegurança nos funcionários, em seus familiares e nos dirigentes empresariais, que precisam cumprir com seus números de produção, gerar emprego e renda, mas tem que se preocupar com a integridade física de seus funcionários.

Como já houve vítimas fatais nessas abordagens, isso também impacta na produtividade das equipes, que se sentem inseguras para comparecer aos locais de trabalho e ficam preocupados com a integridade física de seus familiares. É importante aprimorar essa sinergia entre a sociedade e a indústria com as forças de segurança do Estado.

O conselheiro do Cieam, João Mezari, diz que a preocupação por parte das empresas do PIM é constante porque a segurança dos colaboradores sempre está em primeiro lugar, desta forma, as empresas procuram informar aos colaboradores para que evitem portar objetos de valor como celulares por exemplo, que são os mais visados atualmente. Sobre o impacto em relação a produtividade, ele explica que sempre que um colaborador ou rota de ônibus é roubado, representa dezenas de colaboradores que não poderão trabalhar por um tempo, “muitos adquirem traumas devido à violência e torna-se uma perda para o empresário. A grande maioria dos colaboradores da indústria são especializados e sempre que ocorrem faltas por violência, haverá uma perda para a empresa, pois não tem como substituir todos os postos. 

Ele reitera que entidades industriais têm disponibilizado para as empresas diversas tecnologias que facilitam a prevenção, como rastreadores nas rotas, câmeras de alta definição dentro dos ônibus e botão de pânico ligado ao CICC-Centro Integrado de Comando e Controle da Polícia, que ao ser acionado leva ao contato da viatura mais próxima do local, além de aplicativos que informam a proximidade do ônibus para que o colaborador não precise esperar nos pontos por muito tempo.  Também já é disponibilizado câmeras dome 360 graus para uso nas empresas e também com botões de pânico para proteção das instalações.

De acordo com o conselheiro, foi criado a partir de 2015 um Grupo liderado pelo Conselho Superior do Cieam, com apoio do Fieam, Sindicato Patronal das Indústrias e mais recentemente a Superintendência da Suframa para junto da Polícia fazermos os levantamentos das ocorrências e dar subsídios para a Policial Militar e Civil atuarem nos pontos de maior problema, e  a atuação deste grupo vai contribuir diretamente com a Secretaria de Segurança para em Conjunto, avaliar e tomar as contramedidas necessárias . Recentemente foi preparado e divulgado um panfleto com medidas de segurança que os colaboradores precisam tomar em seu dia a dia, o objetivo é evitar mais violência . “Sabemos que segurança é responsabilidade de todos, por isso esta parceria com a indústria e polícia para minimizar os riscos e conjuntamente definirmos soluções mais adequadas a estas situações”garante ele.  

Motoristas temem 

A violência a funcionários em rota traz alerta aos motoristas que revelam crescimento no número de assaltos. Após episódios recentes temem por sua integridade física. De acordo com um motorista de rota da empresa que presta o serviço, que preferiu não se identificar, a questão é antiga. “O nosso receio é virar rotina porque em determinado período os assaltos são constantes, e geralmente são praticados nas localidades mais distantes, principalmente à noite e na madrugada”. 

Segundo o motorista, vários colegas de trabalho já foram abordados durante esses assaltos. “Eles levam todos os nossos pertences e ainda sofremos ameaças, alguns até agressão. Eu tenho colegas que até desistiram de prestar serviço como motorista de rota devido ao volume de assaltos nos ônibus”, revela ele.

Um outro motorista que preferiu manter a identidade em sigilo, lamenta que as rotas não tenham apoio e fiscalizações rotineiras, bem como ações mais efetivas para coibir o número de roubos. “Eu lamento que um pai de família que precisa sair para trabalhar viva toda essa insegurança. Saímos de casa e não sabemos se vamos retornar. A realidade é que a nossa atividade é perigosa e precisa de iniciativas mais enérgicas para frear de vez essa criminalidade”, desabafa o motorista. 

O maior número de assaltos nos trajetos que atendem às empresas do PIM,  acontecem entre 0h e 5h da manhã. A informação é do Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Manaus). 

“O Sindicato mantém contato com os órgãos públicos de segurança a fim de colaborar com o declínio das ações dos malfeitores, preferencialmente de forma preventiva”, comenta a gerente geral do Sifretam, Paula Torres.

O Sindicato é composto por 20 empresas associadas que atendem o Pólo Industrial e o setor de Turismo de Manaus, em conformidade com a Lei Municipal nº 1958, de 30 de dezembro de 2014. 

Assaltos constantes

Conforme Valdemir Santana – presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos),

existe uma  tensão entre os motoristas e os colaboradores, devido ao volume de assaltos que vem ocorrendo na cidade e cada dia piora mais. Muitas empresas adotaram escoltas. Segundo ele, não existe segurança à integridade física dos trabalhadores. “Nós estamos conversando com os Sindicatos patronais, eletroeletrônico, metalúrgico,  para buscar uma alternativa de apoio às rotas, mas como isso impacta em custos, muitas empresas não estão preocupadas com os trabalhadores e preferem reduzir custos com assassinatos de alguns colaboradores. Isso é uma grande irresponabilidade”. 

Apesar de entender que a segurança precisa ser garantida pelo setor público, Santana diz que não existe apoio. “O volume de assaltos cresceu. Tem ocorrência de assaltos nas rotas todos os dias. Estamos tentando ver uma maneira de minimizar isso. A ideia é instalar câmeras conectadas diretamente à polícia, uma espécie de alarme. Já tem empresas utilizando esse sistema. Tentamos falar com a Prefeitura e com o governador, mas não tivemos resposta. 

Dados

Números fornecidos pela SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), dão conta que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 53 roubos a ônibus que fazem rota para o Distrito. No mesmo período do ano passado foram 54. Em relação ao quantitativo total de 2020 foram registrados 120 roubos.  

De acordo com a Secretaria,  a Polícia Militar realiza uma operação denominada Rota Segura, que é focada especificamente no combate aos roubos a rotas do distrito. Além disso, a secretaria mantém diálogo aberto com as empresas do Polo e o sindicato das empresas de transporte para melhorias na segurança.

“Ressaltamos a importância do registro de boletim de ocorrências, em todas as circunstâncias, pois esse documento é uma forma de cobrar o andamento das investigações, colaborar com a polícia civil com informações sobre os suspeitos e, sobretudo, mostrar ao sistema de segurança a necessidade de reforço de ações”, diz o documento enviado pela assessoria. 

Foto/Destaque: Divulgação

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