Às vésperas da Copa, Manaus fica sem a fábrica da Adidas

Depois de tanto alvoroço no ano anterior sobre a intenção da Adidas em instalar em Manaus sua primeira fábrica própria fora da Alemanha, os representantes do governo estadual já admitem a perda do investimento e comentam que a empresa deve buscar uma alternativa na América Central ou em outro Estado.
Segundo o titular da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), Marcelo Lima Filho, na última reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa) o governador Omar Aziz (PSD) reafirmou o interesse do Estado ao projeto. Em conversa preliminar com os secretários executivo e de Desenvolvimento da Produção do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Alessandro Teixeira e Heloísa Menezes, respectivamente, porém, a pressão do setor que se sentiu ameaçado prevaleceu.
“O Ministério entendeu que o pleito poderia ameaçar a indústria calçadista já instalada no Sul e Nordeste, por isso sequer submeteu a proposta à consulta pública, o que nos frustrou bastante”, destacou Lima.
De acordo com o presidente da Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas), Antônio Silva, ainda não houve um pronunciamento do Ministério e, por enquanto, os representantes do Amazonas permanecem com planos para viabilizar o PPB (Processo Produtivo Básico).
Mas, pelo visto, a oposição levou vantagem. Na época dos primeiros sinais da vinda da Adidas, o governo do Amazonas sinalizava a criação de um polo calçadista, contudo, os dirigentes da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) acreditavam que a corrida de fabricantes para a região destruiria as atuais indústrias do segmento brasileiro, o que significaria a demissão de 290 mil funcionários.

Tarifa antidumping

Além do mais, o presidente da entidade, Milton Cardoso, afirmava que uma fábrica capaz de produzir 3 milhões de sapatos deveria gerar mais de 4 mil empregos diretos. Em virtude disso, surgiram denúncias de que ela seria apenas uma unidade de montagem com o objetivo de utilizar os benefícios fiscais da ZFM (Zona Franca de Manaus) e driblar a cobrança da tarifa antidumping.
Por outro lado, Lima retrucava as críticas e assegurava que a Adidas havia se comprometido a utilizar entre 30% e 44% dos insumos de fornecedores brasileiros. Ele também ressaltava que a ideia não era tirar empresas de outros Estados, até porque a capital ficava distante dos maiores mercados consumidores do país e o custo logístico inviabilizaria a produção de calçados de menor valor.
Para o secretário da Seplan, o veto seria um retrocesso, ainda mais com a proximidade do Mundial no Brasil, onde seria possível aumentar o consumo de materiais esportivos, reduzindo o preço ao consumidor.
No final, nem mesmo a ‘chantagem emocional’ de levar a nova fábrica para a Argentina, o país ‘inimigo’, ao menos no futebol, permitiu a definição favorável por parte dos Ministérios responsáveis. De acordo com a assessoria do Mdic, o ‘PPB da Adidas’ obtevea um despacho desfavorável do mesmo e do MCT (Ministérios de Ciência e Tecnologia) e, após isso, não houve mais novidades sobre o assunto.

Projeto previa aporte de R$ 15 mi no Polo

A possibilidade de trazer a multinacional esportiva às vésperas da realização da Copa do Mundo de 2014, enfrentou alguns obstáculos em relação ao PPB e não conseguiu passar adiante.
A multinacional alemã pretendia iniciar suas operações em 2012, produzindo mais de 3 milhões de pares por ano, além de aplicar 1% do seu faturamento para desenvolver novos materiais a serem utilizados na fabricação de calçados, produtos têxteis e equipamentos. Com investimento orçado em R$ 15 milhões, seriam gerados 800 empregos diretos, 89% do total de profissionais das subsidiárias da marca em todo o país.

Projeto ambicioso

No final de 2010, a Adidas apresentou um ambicioso projeto para a marca, com o intuito de crescer acima de 15% ao ano até 2015, volume que ela considera suficiente para ser líder no segmento de material esportivo.
A ideia é chegar a data com um faturamento total de 17 bilhões de euros por temporada. Para atingir este incremento, a companhia lançou o projeto “Rota 2015”, um conjunto de iniciativas e ações planejadas pela companhia para potencializar gradativamente as vendas do grupo.

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