As redes sociais e suas “recompensas”

Na lógica de funcionamento das redes sociais, foram desenvolvidas estratégias de recompensa cerebral para estimular os usuários a ficarem mais tempo conectados a elas. Esse assunto não é nada novo, já que está ligado à época de criação das redes.

Esse mecanismo de recompensa inserido nas redes sociais faz com que as pessoas obtenham pequenas doses de dopamina, um neurotransmissor do bem-estar que é produzido, por exemplo, quando nos sentimos entusiasmados pela validação de outros, que é mais ou menos o que se dá quando temos os nossos posts curtidos, compartilhados, respondidos, etc. nas redes sociais. Essa estratégia de marketing já foi até mesmo objeto de reconhecimento público pelo primeiro presidente xxxxx do Facebook, que admitiu ser necessário conceder pequenas doses de dopamina para os usuários continuarem conectados.

Além disso, a lógica de funcionamento das redes sociais para ficarmos mais tempo online é oferecer sugestões customizadas de conteúdo. Esta técnica é propiciada pelos algoritmos, que neste caso funcionam como um editor do feed de notícias e vão monitorando os usuários em relação ao perfil dos seus cliques e palavras-chave que digitam. Assim, eles vão colhendo dados sobre as preferências das pessoas, aprendendo mais sobre elas e refinando cada vez os direcionamentos de conteúdo.

Claro que isso tem um lado bom, ao fornecer aos usuários os posts que teoricamente mais estariam de acordo com os seus gostos, com seus perfis de visualização. Mas ao fazer essa constante avaliação e sugestionamento de conteúdo, os algoritmos vão também promovendo as denominadas bolhas informacionais, ou seja, retroalimentando para os usuários um circuito de notícias de vieses parecidos, que no final das contas compõem uma visão de mundo mais demarcada e menos plural.

Isso acarreta num empobrecimento cultural, numa redução da visão de mundo, com provável diminuição da empatia, alteridade e aumento de formas de intolerância. Assim, uma tendência política qualquer, por mais radical que seja, será ainda mais reforçada e estimulada com a formação de comunidades on-line de determinados vieses políticos.

Seja como for, a sociedade clama por uma reação e o tema está sendo bastante discutido em várias instâncias do país, de maneira que há esperança em dias melhores, pois o reconhecimento da doença é o princípio da cura.

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