As médias e pequenas estão na mira

Dois mil e sete foi o ano em que o Brasil sentiu o potencial dos investimentos em Bolsa de valores, haja vista o grande número de IPOs que superou o do ano de 2006. Porém, alguns analistas dizem que em 2008 pode não ocorrer o mesmo, por diversos motivos. Mesmo assim, há enorme potencial para se expandir no segmento do Bovespa Mais. Tanto que o primeiro IPO deste ano foi de uma empresa listada nessa modalidade. No Brasil existem 147 mil empresas de médio e pequeno portes –com 20 a 500 funcionários– e elas somam 20% do PIB brasileiro.
Setores em crescimento no país, como o imobiliário, agronegócio e tecnologia, podem beneficiar-se desse segmento do mercado de capitais. Empresas de pequeno e médio porte dessas áreas devem aproveitar e se capitalizar através da Bolsa. A competitividade em alta e o aquecimento da economia requerem estratégia desse tipo para a superação dos concorrentes.
A turbulência do mercado imobiliário dos Estados Unidos tem influenciado no mercado de capitais brasileiro. Estima-se para este ano que os IPOs ocorram no segundo semestre. É natural que as empresas que estão planejando abrir o capital adiem a idéia para aguardar um diagnóstico mais completo da situação internacional e seus impactos no Brasil.
 Investidores e analistas somente voltarão a avaliar as operações e o cenário macro e microeconômico em meados de agosto, quando, muito provavelmente, encontrarão um novo cenário, sendo necessário então redesenhar as operações.
 A economia brasileira tem se comportado muito bem até agora, no que se refere ao cenário de dificuldades apresentado pelos pro­­blemas norte-ame­ri­canos. Por isso, todos esses cuidados por parte dos investidores são compreensíveis, uma vez que o Brasil, apesar de ter avança­do de modo significativo em todos os in­dicadores mundiais de risco, a verdade é que ainda não conquistou o selo de investment grade.
O Bovespa Mais, criado há dois anos, vem sendo chamado de mercado de balcão alternativo para atender às médias e pequenas empresas que querem abrir capital para captar recursos na Bolsa de Valores. As empresas no Brasil estão buscando capitalizar-se para financiar novos projetos de expansão. O Bovespa Mais foi estabelecido nos moldes do AIM (Alternative Investment Market), mercado alternativo da Bolsa de Londres e do TSX Venture Exchange, da Bolsa de Toronto, no Canadá. O objetivo de ambos é acolher empresas essencialmente de pequeno e médio portes que tenham como estratégia acessar de maneira gradual e segura o mercado de capitais.
 No Brasil, contudo, há incentivos importantes oferecidos às empresas para o ingresso no Bovespa Mais, como custos reduzidos para realizar a oferta e análises independentes custeadas pela própria Bolsa. Com relação à governança corporativa (práticas societárias rígidas de transparência financeira), as regras são as mesmas de qualquer organização que entre no mercado de ações. Para os acionistas, os lucros relevantes do investimento nas ações compradas desse segmento não costumam aparecer de um dia para o outro, mas sim num período mais longo de aplicação no negócio.
 Se compararmos a evolução dos negócios em IPO entre o Brasil e a maior parte dos países emergentes da América Latina e outros mercados emergentes mundiais, nosso país tem um mercado de capitais bem avançado. Em outros países como Chile, Argentina e México, por exemplo, as pequenas e médias companhias são geridas por famílias que não estão dispostas a perder o controle da empresa. O resultado disso é quase ne­nhuma ou poucas companhias listadas nas Bolsas de cada país. No México, a BMV (Bolsa Mexicana de Valores) conseguiu em 2007 apenas quatro IPOs, só de grandes empresas, apesar de patrocinar um programa para atrair as médias desde 2006. Na Argentina, a BCBA (Bolsa de Comércio de Buenos Aires) criou o Painel Pyme, onde existem duas empresas listadas e nenhum IPO desde 2006. No Chile, não há incentivos para as pequenas e médias e por aí vai. No Brasil, apesar de a grande maioria da

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