‘As empresas japonesas estão firmes aqui’

Pela primeira vez, uma mulher assume o comando de um dos consulados do Japão no Brasil. Ela é Hitomi Sekiguchi, nomeada Cônsul-Geral no Consulado Geral do Japão em Manaus, em março deste ano. Sua principal missão é estreitar, ainda mais, os laços de amizade entre Brasil e Japão.
Imigrante da Província de Kumamoto no Japão, Hitomi Sekiguchi possui graduação em Letras pela USP (Universidade de São Paulo). Além de apresentar um vasto currículo, ela demonstra estar preparada para o cargo.

O Consulado-Geral do Japão em Manaus realizou a tradicional recepção de boas-vindas, na noite de terça-feira (5), no Novotel do Distrito Industrial de Manaus.

Em seu breve discurso, Hitomi ressalta a importância do Amazonas para a economia em âmbito regional, nacional e mundial. Ela também enfatiza o encontro cultural nipo-brasileiro que já ultrapassa 120 anos e vem se renovando ao longo do tempo.

Ao agradecer a presença dos convidados, entre eles representantes de entidades de classe, militares, parlamentares, diretores de empresas, amigos e familiares, Hitomi reitera que não irá poupar esforços para juntos ampliar a relação de amizade entre as duas nações.

Em entrevista concedida ao Jornal do Commercio, a nova Cônsul-Geral do Japão em Manaus cita dados do IBGE para destacar 25 mil japoneses, entre imigrantes e seus descendentes, vivendo no Estado do Amazonas e as mais de 40 indústrias japonesas em operação no PIM (Polo Industrial de Manaus). Ela foi buscar na história a origem das Amazonas para falar sobre o papel da mulher na atualidade.

Jornal do Commercio – De que forma a senhora pretende estreitar, ainda mais, os laços de amizade entre o Brasil e Japão?
Hitomi Sekiguchi – Nós já fizemos 120 anos do Tratado de Amizade e Comércio com o Japão e Brasil. Então, esperamos que essa relação seja por mais cem, duzentos anos, porque ao desenvolvimento da Amazônia todos tem alto conceito à imigração japonesa. E os brasileiros que acolhem tão bem, não só os japoneses, bem como todas as nacionalidades e as culturas, nós somos muito gratos por isso. E, só temos a ganhar, se estreitarmos essa relação.

JC – Neste cenário atual da política brasileira, como incentivar as indústrias japonesas a permanecerem no Polo Industrial de Manaus e atrair novos negócios?
Hitomi – Eu sei que atualmente, como vai ter eleição, a expectativa é muito grande para o desenrolar do que vai acontecer daqui para frente. As empresas japonesas estão firmes aqui. Elas enfrentaram problemas, mas estão firmes e querem trazer mais empresas a investirem aqui, porque o Brasil é um país que tem muitas potencialidades e também é um país estratégico. O Japão é um país pequeno territorialmente, tem sua tecnologia, mas precisa agora de parceiros. Então, são várias parcerias econômicas e o Brasil tem um potencial muito grande. Assim, nós esperamos que mais empresas possam atuar aqui, em Manaus e em todo o Brasil.

JC – Na questão cultural, nós podemos observar duas fortes tradições: a cultura milenar japonesa e essa cultura brasileira muito forte, principalmente, da região amazônica. Como estreitar ainda mais esses laços culturais?
Hitomi – Na cultura, às vezes nós nem precisamos fazer muita coisa, porque os próprios brasileiros já fazem, incentivam, buscam muita informação e divulgam. Sem dúvida, nós somos parceiros muito fortes. Agora, nós queremos trazer coisas que ainda são pouco conhecidas. Ainda existem muitas artes no Japão, tradicionais e modernas, entre músicas, filmes e muito devido a distância entre Japão e Manaus. Existe uma dificuldade logística, mas dentro da possibilidade nós queremos trazer mais cultura para poder ser apreciada pelos manauaras e por todos os amazonenses.

JC – Qual a sua visão sobre a Amazônia e o Amazonas?
Hitomi – No ano em que é comemorado os 90 anos da imigração japonesa na Amazônia. Quero divulgar a Amazônia construída com o sacrifício dos pioneiros, pela comunidade nikkei, juntamente com o generoso povo brasileiro, que protege essa vasta região considerada o pulmão do planeta. Sobre a origem do nome Amazonas, eu li uma das teorias que significa “mulher guerreira”. Na sociedade moderna encontramos mulheres guerreiras em várias frentes. Imagino que houve uma rica contribuição dessas mulheres, no desenvolvimento dessa cidade. Seria uma honra poder trabalhar com elas. Eu estou aqui graças ao inestimável suporte e carinho de muitas mulheres maravilhosas. Obviamente, sem desmerecer os homens, que sempre exerceram papel fundamental, dos quais desejo apoio.

JC – A senhora é a primeira Cônsul-Geral do Japão nomeada aqui no Brasil. Qual a sua expectativa?
Hitomi – Japão tem uma política de incentivo para as mulheres trabalharem, conquistarem carreira. Eu acho que hoje já existem muitas mulheres em posições importantes. Eu já estou ficando velha e na minha época não era tanto, por isso se eu puder servir de incentivo para outras jovens que estão chegando, seria uma honra muito grande para mim e eu estou feliz agora. Também existe uma pressão porque é mulher, às vezes, não é sempre, mas há cobrança. Por isso eu tenho que trabalhar direito para poder mostrar que, realmente, a mulher atua, trabalha e também tem sofrimentos.

JC – A sua gestão será de quanto tempo?
Hitomi – É uma coisa que nós nunca sabemos. Normalmente de dois a três anos. Mas, isso realmente não dá para prever agora.

JC – Com a proximidade dos Jogos Olímpicos e Parolímpicos 2020, em Tóquio, vai proporcionar maior intercâmbio para os estudantes da escola bilíngue nipo-brasileira de Manaus?
Hitomi – Eu visitei essa Escola Djalma Batista, que fica no Coroado, e as crianças dizem que querem conhecer e estudar no Japão. Isso é muito bom. Nós estamos trabalhando para que essas crianças tenham a oportunidade de visitar e estudar no Japão. Nós temos vários programas como bolsa de estudo no Japão. Aqui, os alunos são de ensino fundamental 2, mas quando chegarem ao ensino médio e superior poderão ter acesso a essas bolsas de estudos e nós vamos estar trabalhando para isso.

JC – A senhora observou que o clima amazônico é bem quente. A temperatura pode ultrapassar 40ºC. Então, vai conseguir cumprir a sua missão aqui?
Hitomi – Eu já senti o calor bem forte, mas foi o humano dos manauaras.
A missão do Consulado é garantir a segurança do cidadão nacional. Eu estou em parceria com autoridades de segurança local e eles me dão total apoio. Obviamente existem coisas que fogem da nossa vontade, mas nós vamos encarando isso e fazer com que o mal não aconteça. Outra coisa é divulgar o Japão através da cultura, gastronomia, línguas. E nós queremos, para as Olimpíadas 2020, que mais e mais brasileiros possam visitar o Japão.

JC – Qual a sua primeira mensagem para o povo amazonense e para os presentes que aqui estão lhe desejando boas-vindas?
Hitomi – Primeiro eu quero agradecer, porque eu estou sendo tão bem recebida que, realmente, esse calor é demais. Mas, como eu disse, esse calor humano e neste primeiro momento eu tenho muito que agradecer. Eu espero poder trabalhar e não vou poupar esforços para poder trabalhar juntos e intensificar essa relação entre Japão e Brasil. Segundo o IBGE são quase 25 mil descendentes de japoneses só no Amazonas e mais de 40 empresas instaladas em Manaus e vamos trabalhar juntos para aumentar essa estatística.

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